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portugal dos pequeninos

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MITOMANIA

João Gonçalves 28 Nov 06


Enquanto a OTA vai e vem, o ministro Lino tenciona investir - a ANA por ele, o que vai dar exactamente ao mesmo bolso - quase quatrocentos milhões de euros na Portela. Em 2010, o actual aeroporto estará mais "extenso" para, teoricamente sete anos depois, o respectivo terreno ser vendido a retalho para a preciosa OTA, a 50 km de Lisboa, poder funcionar. Afinal, o recorrente "esforço nacional" que serve para que não se possa mexer uma palha, não é para todos. A OTA tem sido pretexto para todos os estudos do mundo, para todos os projectos do mundo, para todas a baboseiras do mundo. Já nasce, se nascer, obsoleto, torto e misterioso. A mitomania betoneira do ministro Lino sai-nos cara. Dê a coisa para onde der.

FITAS

João Gonçalves 28 Nov 06

O dr. Alfredo Barroso, alguém que foi um notável - apesar de "politiqueiro"- chefe da Casa Civil de um presidente da República, estava num "frente-a-frente" televisivo com Paula Teixeira da Cruz a discutir a câmara de Lisboa. Não lhe ocorreu melhor arremesso do que os queixumes diários do vereador "bloquista" Sá Fernandes vertidos num jornal. Aliás, não se percebe bem o que é que esta quixotesca figura (inicialmente apoiada por tanto notável lisboeta e depois reduzida a mera toupeira dos drs. Louçã e Portas) lá está a fazer. Dá-me ideia que a rua lhe assenta melhor. Porém, voltando ao dr. Barroso, vejo-o muito preocupado com as contratações de assessores deste e daquele para esta e aquela administração municipal, ainda por cima coisas que não são da responsabilidade deste atribulado mandato de toda a vereação. O moralismo tardio do dr. Barroso, nesta altura colectiva do campeonato, tem o seu quê de irónico. Queria que os outros contratassem quem? Os seus amigos? Ou os amigos deles? Ou passa pela cabeça de alguém que o partido que no momento serve o regime, seja numa autarquia, seja no governo, peça voluntários para aqueles cargos? O dr. Alfredo Barroso, que possui uma vasta experiência na matéria, de São Bento a Belém, passando pela extraordinária Fundação São Carlos, mais valia ter estado caladinho. Escreva mais, que é o que ainda faz melhor, e ouça ópera. Deixe-se de fitas.

NOI SIAMO FORTI

João Gonçalves 28 Nov 06


Vinha no carro e surge-me a voz desse peculiar bispo das Forças Armadas que é D. Januário Torgal Ferreira. Bento XVI acabara de aterrar em Ancara. D. Januário referia-se à "coragem" do Papa - dando a entender que, se fosse ele, ficava quietinho - e rematou com esta pérola: se o Papa fosse "assassinado, morria no seu posto". D. Januário não entende - nem os freis Bento Domingues desta vida - que Joseph Ratzinger não vai à Turquia para se exibir ou penitenciar. Não é da sua índole nem uma coisa nem a outra. A sua visita é política e é religiosa, e destina-se a marcar uma fronteira inquebrantável. O seu encontro com a hiper-minoria católica turca tem um significado extraordinário e representa a consagração prática da doutrina do "grão de mostarda" que guia Bento XVI. O Papa é avesso às multidões mas não as evita. Prefere que a fé e a palavra de Cristo se espalhem a partir de pequenos núcleos, sobretudo no meio da hostilidade ignorante e da intelectualidade desonesta. Basta ver, por exemplo, como os media se referem sempre às "chamas ateadas pelo Papa" numa subserviência patética perante a "correcção" política e o "multiculturalismo". Ratzinger apenas não se curva perante a intolerância irracional. Por definição, todos aqueles que o agredirem pelo verbo ou o tentarem pela força, são homens abençoados pelo Papa. A esperança é mais forte que o rancor. E a fé moldada pela razão também. "Nós somos fortes", como lembrou Ratzinger em Setembro. Boa viagem.

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