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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

NÃO É FÁCIL DIZER BEM - 8

João Gonçalves 14 Nov 06

António Lobo Antunes, sentindo-se porventura "incompreendido" pelo "público" português - o pouco que lê - tenta outro registo, agora muito em voga desde o desmaio retroactivo do sr. Grass. Saramago já contribuiu com a "revelação" de ex-lusito num novo livro. Quanto ao angustiado Antunes, e já que ninguém liga à sua "Babilónia", o Francisco José Viegas revela que, numa entrevista, o nosso autor se atribuiu o epíteto de "parvo" já que foi "injusto para muita gente". Como exemplo deste "dar a outra face" muito a propos publicitário, Lobo Antunes menciona as vergastadas que, no passado, arreou em Vasco Graça Moura, agora, para ele, "o maior poeta vivo da Língua Portuguesa". Não acerta uma.

HISTÓRIA E ÉTICA

João Gonçalves 14 Nov 06


Vou ler atentamente o livro de Pedro Santana Lopes. "Bati-lhe" aqui forte e feio - aparecerá tudo no capítulo "Um tempo novo" do livro "Portugal dos Pequeninos" a sair lá para Janeiro, passe a publicidade -, por isso entendo que devo prestar atenção ao que lá diz. Santana ficou "entalado" entre aquilo a que o Eduardo chama a "inépcia barrosã" (esta, sim, uma "história" que urge contar para obstar às inevitáveis tentações belenenses desta estranha criatura) e o "euromilhões" de José Sócrates. Numa coisa ele tem razão. Quando todos os obstáculos estavam removidos - Ferro Rodrigues, designadamente, o PS "domesticado" em torno do actual 1º ministro e a confusa cabeça de Sampaio mais arrumadinha - Santana deu de bandeja ao PR o pretexto que faltava para o remover. Como escrevi na altura, Sampaio não esteve bem nem quando não dissolveu aquando da fuga barrosã, nem quando dissolveu depois. Santana acabou imolado no fogo do seu voluntarismo inconsequente e permitiu a maioria absoluta dos actuais cavalheiros. Falta, pois, a "história" do outro lado. João Gabriel, da imprensa de Belém no tempo de Sampaio, não é a melhor opção para redigir essa "história", a menos que alguém lha dite. E, ao contrário do que Sampaio veiculou ontem, um chefe de Estado não está fora de nenhum escrutínio da dita "história". Só daqui a muito tempo saberemos se, em 2004, se escreveu uma pequena, uma média ou uma grande "história" ou se tudo não passou de um frete palaciano. Uma coisa é certa. Nenhum dos principais protagonistas esteve à altura do que lhe aconteceu ou provocou. Esta é uma conhecida definição de ética dada por Gilles Deleuze, escrita nas paredes duma estação de metro de Lisboa. Mas a ética não é para aqui chamada, pois não?

ESCRITO NAS ESTRELAS

João Gonçalves 14 Nov 06

O sempre imprevisível dr. Constâncio não seguiu o cânone aprovado em Santarém. Lá onde Sócrates e fiéis vêem "modernização", "futuro" e "economia" a crescer, o nosso governador reduz para 1,2% a previsão do crescimento económico, colocando-nos no pior patamar europeu. Como estava escrito escrito nas estrelas - para retomar a maravilhosa expressão de Santana Lopes de 1999, salvo erro - o ano que aí vem vai ser de cortar à faca. Nem Constâncio coloca as mãozinhas no fogo.

LER OS OUTROS

João Gonçalves 14 Nov 06

"A tese de Rio foi sempre a de que primeiro está o leite nas escolas e o saneamento, o que me parece sensato. Não se vê bem que famintos e porcalhões possam vir a constituir os futuros espectadores de Beckett ou Sófocles. Mais, o que Rio faz é aprofundar um elemento essencial à cultura: o conflito. Infelizmente truncou-o um pedaço, como veremos adiante. A democratização trouxe um inevitável abismo entre os agentes culturais e o público: do não ter nada ou ter cultura passou-se para ter uma data de coisas - livros idiotas, televisão boa e má, cinema - e ter , ou não, cultura. A velha ideia que obrigava o homem de bem a educar o povo já não faz qualquer sentido."

(continua aqui). Não faria mal ao Ricardo Pais - nem a Rui Rio - ler o Filipe Nunes Vicente, apesar de não ser um indispensável "agente cultural" ou (suponho) um "adepto" do presidente da Câmara.

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