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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A MORTE MATADA

João Gonçalves 12 Nov 06


O último filme de Martin Scorsese, The Departed, tem sido objecto de muita conversa. A mim, pareceu- me tudo muito simples e, por isso, as duas horas e meia passaram a correr. É uma película em torno da mentira, da dissimulação, da "lealdade", do interesse, da amizade e do amor. Em suma, é uma "pastoral americana" - com Donizetti como "fundo musical" - violenta como a vida a sério sempre o foi. É tão da vida que acabam todos mortos, geralmente de "morte matada". Como nós, aliás. A tiro ou devagarinho.

MARCELO AFRICANO

João Gonçalves 12 Nov 06

Este "momento Teresa Guilherme" vale, pelo menos 18,75. Para o João, claro. Aquilo eram os calores da baía de Luanda a funcionar.

AMANHÃ

João Gonçalves 12 Nov 06


Durante os três últimos dias não demos pelo dr. Marques Mendes. Não faz mal. Como diria a Vivien Leigh no final do "E tudo o vento levou" - e todos o dizemos várias vezes na vida - , "after all tomorrow is another day".

LER OS OUTROS

João Gonçalves 12 Nov 06

"Há sempre problemas por resolver. Mas há uns mais importantes que outros."

Jorge Ferreira, in Tomar Partido e Blogue do Não

AS MULHERES DE SÓCRATES

João Gonçalves 12 Nov 06

No fim do congresso, várias mulheres socialistas e "aparelhistas" foram beijocar José Sócrates. Edite Estrela, Maria de Belém, Ana Paula Vitorino (futura substituta de Mário Lino, tomem nota), Idália Moniz, a belíssima Marta Rebelo (como é que o João ainda não reparou nesta beleza socialista, apesar de ela não ser nem loira nem burra?) não dispensaram a face suada do secretário-geral. Helena Roseta só teve direito a um seco aperto de mão. Sempre a mesma Helena de Tróia no meio de tantas embotadas.

A REVISÃO DA HISTÓRIA

João Gonçalves 12 Nov 06


Vital Moreira, o doutrinador jurídico do regime, e Medeiros Ferreira, um espírito livre, juntam-se para "rever" a história. Já que a Universidade de Santiago de Compostela, num acesso genuinamente democrático, decidiu retirar ao falecido Generalíssimo o título "honoris causa" - essa banalidade com que se ornamenta indistintamente o último bronco disponível -, Vital Moreira entende que não só a a vetusta Universidade de Coimbra deve fazer o mesmo ao dito morto, como lhe compete "julgar" as criaturas que, à época, tiveram a triste ideia de homenagear Francisco Franco. Medeiros Ferreira prefere "atacar" primeiro o "salazarismo doméstico" e só depois de tranquilizada a consciência nacional "democrática", é que nos devemos preocupar em "rever" a dos outros. Com o devido respeito, parece-me que estas posições reflectem a impossibilidade de encarar, com um módico de normalidade, a história. O programa da D. Elisa permitiu evidenciar publicamente esta estranha esquizofrenia quando os seus mentores tentaram rasurar da "memória colectiva" o nome de Oliveira Salazar. Salazar e Franco existiram para o bem e para o mal das respectivas pátrias. Não querer falar deles, "apagá-los" ou utilizar uma memória histórica meramente selectiva e oportunista, não serve para amadurecer as democracias. Só serve para as diminuir.

UM FIM DE SEMANA QUALQUER

João Gonçalves 12 Nov 06

Aguardo com alguma curiosidade os comentários de José Medeiros Ferreira ao congresso de Santarém. Parece que ele foi lá passar "um fim-de-semana de esquerda". Terá estado no mesmo sítio em que Sócrates e os seus bonzos estiveram?

UM MINISTRO NO SEU LABIRINTO

João Gonçalves 12 Nov 06

O discurso de Correia de Campos no Congresso do PS, destinado a justificar as taxas moderadoras nos internamentos e na cirurgia ambulatória no SNS, foi feito perante uma sala semi-deserta, pela calada da manhã sempre nula de qualquer congresso. Correia de Campos explicou-se em voz alta- provavelmente à sua má consciência "socialista" - sem, na verdade, poder explicar o inexplicável. Num "buraco negro" como é o SNS, os cinco euritos/dia resolvem alguma coisa? O ministro pretende "valorizar o serviço de quem o usa" e aumentar a "eficiência da gestão pelo rigor dos hospitais". É por aí - tipo lição de moral e religião sanitária - que Correia de Campos julga que "salva" o SNS? Depois de Arnaut, Gonelha e de duas estimáveis senhoras, o PS entregou a saúde a este estranho profeta armado em tecnocrata com "preocupações sociais". Não tem um rumo. Tem umas ideias soltas - que não encaixam umas nas outras - que ele toma por uma uma política. Está tão convencido delas que se escondeu dos militantes para as expor. Tem medo de quê? De que o levem a sério?

LER OS OUTROS

João Gonçalves 12 Nov 06

"A nova "modernização"

"Anteontem, na abertura do congresso de Santarém, Sócrates, como se tivesse descoberto a pólvora, não parou de falar em "modernização". Cavaco, quando era primeiro-ministro, também não parava de falar em "modernização" e agora, como Presidente da República, continua impenitentemente a falar em "modernização". Sexta-feira juntou mesmo na Penha Longa 20 e tal empresários "mundiais" (AXA, Ericsson, Telefónica e por aí fora) a vinte e tal empresários portugueses, suponho que para educar e acicatar os portugueses, que já se "modernizaram" ou se querem "modernizar". Desde o século XVIII que Portugal periodicamente descobre com espanto e com terror que precisa de se "modernizar", como quem recebeu uma revelação inesperada e única, sem nunca lhe ocorrer que a segunda, a terceira ou centésima tentativa significa, de facto, que não se "moderniza". "Modernização" é uma palavra equívoca. À primeira vista parece indicar um "coisa boa". A cultura do Ocidente hoje quase não distingue "moderno" e "melhor". Mas, pensando bem, "modernizar" não passa, no fundo, de imitar. Ou seja, muito prosaicamente, de fazer o que se faz "lá fora". Ora fazer o que se faz "lá fora", como política e como programa, equivale por força a fazer pior. A cópia não vale por definição o original e, às vezes, nem copiar se pode. Os "modernizadores" (como Cavaco, por exemplo) acabam inevitavelmente por deixar um Portugal híbrido, "incompleto" e torto, que depressa reverte ao seu "atraso" e que em pouco tempo volta a pedir com desespero ou zelo missionário uma nova "modernização". Anteontem, vendo Sócrates, vi Cavaco e, vendo Cavaco, vi Caetano e, vendo Caetano, vi a longa fila de beneméritos, que tentaram, no ardor da sua inconsciência, transformar Portugal no "modelo" do dia: a Inglaterra ou a França, a Bélgica, a Suécia, a Irlanda, a Finlândia, e até a Espanha. O espantoso é que toda a gente ouve esta idiotia histórica, com a mesma credulidade e assombro com que sempre a ouviu. Num país normal, quem abrisse a boca para dizer "modernização" seria imediatamente corrido e sovado. Aqui, não. Aqui, o indígena gosta dessa velha missa e venera o oficiante. A "modernização" é uma espécie de milagre, que chegará por um caminho ínvio (a educação e a ciência) e que entretanto esconde a triste realidade portuguesa. Não é uma promessa prática, é um sinal de impotência.

por Vasco Pulido Valente, in Público, 12.11.06

A VIDA DE UMA FOTÓGRAFA

João Gonçalves 12 Nov 06

Susan Sontag, por Annie Leibovitz, sua companheira. Um livro e uma exposição em Nova Iorque até Janeiro do próximo ano.

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