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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

POR TRÁS DO ESPELHO

João Gonçalves 11 Nov 06


O Presidente da República promoveu um encontro semi-clandestino em Sintra - qualquer coisa como "conselho para a globalização" - no qual participaram 22 distintas figuras do empresariado nacional e internacional. Também foram convocados o 1º ministro, o dr. Teixeira dos Santos e o dr. Pinho. A sessão foi ainda abrilhantada com esse fantástico político europeu que é o dr. Barroso o qual, depois de ter abandonado o barco da forma como o fez, não perde uma oportunidade para nos dar bons conselhos. Não se sabe - não é suposto saber-se - o que é que foi ruminado naquele encontro. Também não interessa muito a quem tem de levantar o rabo da cama às seis da manhã para apanhar um barco, uma camioneta, o metro, um autocarro ou outra coisa qualquer para ir trabalhar. "Pensar global", foi o lema da coisa e a expressão que Cavaco repetiu à exaustão. Suponho que estava a falar para um país desejável mas que não existe a não ser nos textos dos jornais de economia e nos "powerpoint" do governo. Não convinha nada que o PR se transformasse numa "alice no país das maravilhas". É que, por trás do espelho, não há nada.

OS "PRIVILÉGIOS"

João Gonçalves 11 Nov 06

... dos funcionários públicos vistos e descritos pelo Eduardo Pitta que já "deu para o peditório". Ou, no suplemento "Economia" do Expresso, os "privilégios" de uma funcionária pública no activo.

UMA TORTA DIREITA

João Gonçalves 11 Nov 06

Numa entrevista sui generis ao Sol, a dra. Maria José Nogueira Pinto torna claro o seu "socratismo" que, pelos termos usados, não passa de desprezível oportunismo. "Quem está no governo é Sócrates e isso facilita a disponibilidade para acordos", diz esta mulher do PP aparentemente à procura de um poder qualquer que a acolha. Em 1991, numa célebre entrevista ao Expresso, o então presidente do CDS, Freitas do Amaral, também se mostrou "disponível" para andar às cavalitas do PS ou do PSD, conforme quem ganhasse. O eleitorado reduziu-o à insignificância de uns miseráveis 4 por cento. A "direita" representada pelo CDS/PP é esta tristeza: um líder que inexiste, uns "portistas" que ninguém conhece e esta senhora, bafejada pela sorte nas autárquicas, que se imagina subtil. Deus lhes perdoe.

O CONGRESSO

João Gonçalves 11 Nov 06


O Estado, com a excepção do Presidente da República, está reunido em Santarém. Eu sei bem o que isso é porque frequentei alguns congressos do PSD das "eras" Cavaco e Barroso. Ele espraia-se discretamente entre as mesas dos congressistas e, sobretudo, nas bancadas para "convidados". Com a habitual gravitas açoreana, Jaime Gama, justamente a segunda figura do Estado, explicou isso perfeitamente aos camaradas esta manhã. Mais precisamente, explicou-lhes a natureza retórica da "esquerda moderna" por oposição à velha retórica "esquerdista" que, imagino, ele encontra nalgum PS desordenado, pelo PC e pelo BE. Gama, o "ideólogo" de Sócrates - já que estava a apresentar a moção daquele - até pela sua formação filosófica, era o único capaz de produzir um qualquer rendimento mínimo de "ideias" num congresso do qual elas estão banidas. Todavia, foi por aí que o secretário-geral do PS começou. Pediu "debate de ideias" e reclamou que se "preparassem ideias". Parece que os camaradas reagiram a isto sem apoteoses. De facto, Sócrates está a pedir o impossível. Ele não ganhou as legislativas por ter uma ideia. Não tinha nenhuma. O que teve foi a fortuna de Santana Lopes estar do outro lado. Não foram os camaradas de Santarém que lhe deram a maioria absoluta, nem tão-pouco os burocratas "pragmáticos" que andam nos gabinetes a produzir "ideias" com uma demência torrencial. Sócrates está convencido - e os "estudos de opinião confirmam-no - que basta a sua extraordinária e autoritária presença para que tudo o mais seja dispensável. Até o partido. Não é bem assim. Mal ou bem, o PS representa e revê-se numa antiga filiação de valores e de costumes democráticos. No PSD, o "socratismo" passaria sem problemas de maior porque o PSD não tem "ideologia" e, por isso, mais tarde ou mais cedo, estará de volta. No PS, apesar da domesticação efectuada pelos "jovens turcos" que rondam o líder, as origens estão lá. O pragmatismo tecnocrático de Sócrates, que parece embirrar com tudo o que humanamente mexe, cansará um dia essa "esquerda" de que ele se sente representante. Zezinha Nogueira Pinto, com aquela pesporrência irritante que a anda a moer, já declamou a sua admiração pelo "estilo". Pois é. Quem gosta do "respeitinho" e do autoritarismo, gosta de Sócrates. Quem aprecia a autoridade democrática, exercida sem complexos musculados, a prazo fartar-se-á dele. Porque bem raspado, bem raspado, lá por baixo pouco mais existe que nada.

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