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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O BRUXO

João Gonçalves 29 Nov 06


O "Sô Zé" foi ontem ouvido na PJ por causa de bombas. Vai daí, e como é da praxe sempre que se aproxima o dia 4 de Dezembro - num anúncio à revista Focus, no RCP, fala-se de 1 de Dezembro... - regressou a "teoria da conspiração". Quem ouve, olha e presta alguma atenção ao "Sô Zé" apercebe-se que o homem transpira credibilidade por todo o lado e que, depois de ter passado, enquanto José Esteves, ex-bombista, por tudo quanto é polícia e comissões de inquérito, só agora, em 2006, se fez finalmente luz. Está-se mesmo a ver, não é verdade? "Sô Zé" deve estar precisado de clientes, o que é de toda a legitimidade. E a recorrente "teoria da conspiração" também. Até parece que é bruxo.

COSÌ FAN TUTTE ?

João Gonçalves 29 Nov 06


Dizem-me que o director do Teatro Nacional de São Carlos, Paolo Pinamonti, exprimiu publica e formalmente a intenção de não prosseguir nas funções quando expirar o seu contrato na primavera de 2007. O neo-realismo tardio, em vigor na Ajuda, precipitou as coisas. Estou à vontade porque há três anos e meio deixei o Teatro pela impotência face à Ajuda- nessa altura era outra - e porque percebi que só se podia dirigir uma casa daquelas em regime de ditadura. Entretanto tudo piorou e toda aquela improvisação organizada acabará, um dia, por se estatelar graças aos comissários externos e internos que cuidam mais de si do que da causa do Teatro. Se eu fosse o Paolo Pinamonti, esperava sentado para ver o que é que dizem aqueles que, desde 2001, tanto o bajularam sem hesitações. Falo de quem o nomeou - o sr. José Sasportes e respectiva camarilha político-burocrática -, de quem o apoiou sem reservas a partir do Palácio de Belém do dr. Jorge Sampaio- o próprio incluído - e de outras "figuras" da nomenclatura "musical" portuguesa que me dispenso de nomear. Pinamonti, agora sim, precisa destes apoios para fazer frente ao equívoco instalado no ministério da Cultura cuja face mais paradoxal (ou talvez não) é o secretário de Estado Mário Vieira de Carvalho, outro grande nome da "cultura musical portuguesa contemporânea", formado na boa escola da ex-RDA. Ou os socialistas limitam-se a defender os seus "mais seus" e só protegem os outros apenas quando a eles lhes convêm? Que dirá o "mecenas exclusivo" desta telenovela mexicana, logo hoje, em dia de "gala"?

O ESFORÇO

João Gonçalves 29 Nov 06

Nem que fosse apenas um.

NÃO TEMER

João Gonçalves 29 Nov 06

Para apenas duzentos e cinquenta fiéis cristãos, num país de milhões de muçulmanos, o Papa reafirmou o que é necessário reafirmar:

"Con questa visita ho voluto far sentire l’amore e la vicinanza spirituale non solo miei, ma della Chiesa universale alla comunità cristiana che qui, in Turchia, è davvero una piccola minoranza ed affronta ogni giorno non poche sfide e difficoltà. Con salda fiducia cantiamo, insieme a Maria, il “magnificat” della lode e del ringraziamento a Dio, che guarda l’umiltà della sua serva (cfr Lc 1,47-48). Cantiamolo con gioia anche quando siamo provati da difficoltà e pericoli, come attesta la bella testimonianza del sacerdote romano Don Andrea Santoro, che mi piace ricordare anche in questa nostra celebrazione. Maria ci insegna che fonte della nostra gioia ed unico nostro saldo sostegno è Cristo, e ci ripete le sue parole: “Non temete” (Mc 6,50), “Io sono con voi” (Mt 28,20). E tu, Madre della Chiesa, accompagna sempre il nostro cammino! Santa Maria Madre di Dio prega per noi! Aziz Meryem Mesih’in Annesi bizim için Dua et”. Amen."

Bento XVI, em Éfeso, no Santuário Mariano Di MERYEM ANA EVÌ
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SEMPRE O MESMO

João Gonçalves 29 Nov 06

O sr. Madaíl anunciou, como se fosse uma novidade, que se recandidata a presidente da federação portuguesa da bola. Tenciona, disse ele, levar consigo o sr. Hermínio Loureiro que sucedeu ao major de mesmo apelido, ou seja, vai tudo dar ao mesmo. Na "sociedade portuguesa de autores", o baladeiro "abrilista" Manuel Freire ganhou a uma caricatura do que foi António Victorino de Almeida, outra previsibilidade. País monótono este, sempre de mal a pior, sempre o mesmo.

EXERCÍCIOS DE CALENDÁRIO

João Gonçalves 29 Nov 06

Se bem percebi, logo mais à noitinha, depois da cimeira da NATO em Riga, Jacques Chirac pretende festejar o seu 74º aniversário com um jantar com o lúgubre Putin. Eu, que celebro menos vinte e oito do que ele e que sobrevivo há vinte e nove ao antigo cardeal patricarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, também nascido a 29 de Novembro, não tenciono jantar com ninguém. No ano em que Cerejeira passou para a Casa do Senhor, eu andava no D. Pedro V a "licear". A meio da tarde do dia 29, à falta de melhor, telefonei à minha colega e amiga Anabela - que será feito dela? - e convidei-a para um chá na Pastelaria Ferrari, entretanto desaparecida no incêndio do Chiado. Em Agosto desse ano remoto, enquanto Cerejeira agonizava na Buraca, estive sozinho, durante duas semanas, em Londres. Achava-me, com alguma razão "Mnemónica", perito em inglês e subtil. Tinha a infinita paciência - foi o que me valeu desde aí até aos trinta e muitos - para visitar, perscrutar e escutar tudo o que cheirasse minimamente a história, a música dita erudita, a imóveis com pilhéria ou griffe, etc. Londres foi literalmente esventrada por mim e, um regresso no final da década de noventa, não me deu particulares saudades. Passaram anos, gentes, sítios, amores, circunstâncias, amigos, eu. Há dez exactos anos, em 96, pela fresquinha, apanhei um avião para Paris e, à tarde, estava no Grand Palais, depois de uma boa "molha", a olhar para os retratos de Picasso. Dias antes, o também aniversariante Chirac tinha removido o autor de "A condição humana" para o Panteão. Havia Malraux por todo o lado, do metro às exposições e às livrarias. Tentei não perder nenhum e trouxe o que pude sobre esse extraordinário animal esquisito. Fui sozinho, como irei amanhã, que é a melhor maneira de encontrar a cidade e de me rever numa década para pensar a próxima, se ela vier. Se falo hoje aqui alarve e excepcionalmente sobre a minha pessoa, é porque os meus melhores momentos dos quarenta e cinco foram passados justamente aqui, "junto" de tanta gente que não conheço, de outros que já conheci e de alguns que espero vir a conhecer e que é como se os conhecesse desde sempre. Por exemplo, quando alguém nos "apanha" tão bem - "o caso mais amor-ódio que eu conheço na blogoesfera" -, que mais pode um homem querer quando, como escreve o Gore Vidal nas suas derradeiras memórias, "I now move, graciously, I hope, toward the door marked Exit"? Não há jantar mas estão todos convidados cá por dentro, no que resta. Cheers.

MITOMANIA

João Gonçalves 28 Nov 06


Enquanto a OTA vai e vem, o ministro Lino tenciona investir - a ANA por ele, o que vai dar exactamente ao mesmo bolso - quase quatrocentos milhões de euros na Portela. Em 2010, o actual aeroporto estará mais "extenso" para, teoricamente sete anos depois, o respectivo terreno ser vendido a retalho para a preciosa OTA, a 50 km de Lisboa, poder funcionar. Afinal, o recorrente "esforço nacional" que serve para que não se possa mexer uma palha, não é para todos. A OTA tem sido pretexto para todos os estudos do mundo, para todos os projectos do mundo, para todas a baboseiras do mundo. Já nasce, se nascer, obsoleto, torto e misterioso. A mitomania betoneira do ministro Lino sai-nos cara. Dê a coisa para onde der.

FITAS

João Gonçalves 28 Nov 06

O dr. Alfredo Barroso, alguém que foi um notável - apesar de "politiqueiro"- chefe da Casa Civil de um presidente da República, estava num "frente-a-frente" televisivo com Paula Teixeira da Cruz a discutir a câmara de Lisboa. Não lhe ocorreu melhor arremesso do que os queixumes diários do vereador "bloquista" Sá Fernandes vertidos num jornal. Aliás, não se percebe bem o que é que esta quixotesca figura (inicialmente apoiada por tanto notável lisboeta e depois reduzida a mera toupeira dos drs. Louçã e Portas) lá está a fazer. Dá-me ideia que a rua lhe assenta melhor. Porém, voltando ao dr. Barroso, vejo-o muito preocupado com as contratações de assessores deste e daquele para esta e aquela administração municipal, ainda por cima coisas que não são da responsabilidade deste atribulado mandato de toda a vereação. O moralismo tardio do dr. Barroso, nesta altura colectiva do campeonato, tem o seu quê de irónico. Queria que os outros contratassem quem? Os seus amigos? Ou os amigos deles? Ou passa pela cabeça de alguém que o partido que no momento serve o regime, seja numa autarquia, seja no governo, peça voluntários para aqueles cargos? O dr. Alfredo Barroso, que possui uma vasta experiência na matéria, de São Bento a Belém, passando pela extraordinária Fundação São Carlos, mais valia ter estado caladinho. Escreva mais, que é o que ainda faz melhor, e ouça ópera. Deixe-se de fitas.

NOI SIAMO FORTI

João Gonçalves 28 Nov 06


Vinha no carro e surge-me a voz desse peculiar bispo das Forças Armadas que é D. Januário Torgal Ferreira. Bento XVI acabara de aterrar em Ancara. D. Januário referia-se à "coragem" do Papa - dando a entender que, se fosse ele, ficava quietinho - e rematou com esta pérola: se o Papa fosse "assassinado, morria no seu posto". D. Januário não entende - nem os freis Bento Domingues desta vida - que Joseph Ratzinger não vai à Turquia para se exibir ou penitenciar. Não é da sua índole nem uma coisa nem a outra. A sua visita é política e é religiosa, e destina-se a marcar uma fronteira inquebrantável. O seu encontro com a hiper-minoria católica turca tem um significado extraordinário e representa a consagração prática da doutrina do "grão de mostarda" que guia Bento XVI. O Papa é avesso às multidões mas não as evita. Prefere que a fé e a palavra de Cristo se espalhem a partir de pequenos núcleos, sobretudo no meio da hostilidade ignorante e da intelectualidade desonesta. Basta ver, por exemplo, como os media se referem sempre às "chamas ateadas pelo Papa" numa subserviência patética perante a "correcção" política e o "multiculturalismo". Ratzinger apenas não se curva perante a intolerância irracional. Por definição, todos aqueles que o agredirem pelo verbo ou o tentarem pela força, são homens abençoados pelo Papa. A esperança é mais forte que o rancor. E a fé moldada pela razão também. "Nós somos fortes", como lembrou Ratzinger em Setembro. Boa viagem.

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