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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

PLATEIAS

João Gonçalves 30 Out 06

Estive aqui. Eu e parte do regime. Dois ministros - um de Estado - e um secretário de Estado. Um prémio Nobel, a maçonaria, o dr. Perestrelo, a Pilar, o dr. Balsemão, a Joana (simpatiquíssima), o sr. Carvalho da Silva, a Teresa de Sousa, a Flor Pedroso, o prof. Freitas. Interminável e insuportável, o prof. Freitas apresentou o livro a seguir à Joana "anti-imperialista". Federico Mayor Zaragoza foi espanhol, ou seja, franco, alegre, descontraído, em suma, um anti-Freitas sebentário que mais parecia estar a querer sentar o homem numa cadeira de uma imaginária academia feita à medida da sua confusa cabeça. Adiante. Mário Soares é suficientemente grande para pairar sempre acima das pequeninas cabeças de alguns "camaradas" que se imaginam agora donos disto. Alguns eram meus amigos e eu, pelo menos, ainda sou amigo deles. Se confundem as coisas, é porque não aprenderam nada com os autores do livro. Até Freitas, no seu desalinho mental e político, lá chegou. Não custa nada. Não sou eu que sou socialista e "tolerante". Como eles dizem, eles é que são. Saúde e fraternidade, dr. Soares.

LER NA RETRETE

João Gonçalves 30 Out 06


Caro JCD: percebo-o. Tanto percebo que me parece que a coisa merece transcrição integral, com sublinhados meus.
PNL

por Eduardo Prado Coelho (O fio do horizonte, in Público)

A Casa Fernando Pessoa organizou um debate sobre o Plano Nacional de Leitura, com a habitual moderação de Carlos Vaz Marques. Não tendo o dom da ubiquidade, não tive a oportunidade de estar presente. Lamento, porque o tema interessa-me e o convite incluía um "dossier" com declarações várias sobre a questão. Acontece que a leitura destes textos tem aspectos impressionantes. Alguns são considerações equilibradas e razoáveis. Mas outros revelam a mais espantosa ignorância e vocação para a tolice desenfreada. Grande parte destas vem de blogues, que pela desenvoltura da escrita, uma espécie de tu cá, tu lá, parece que favorece o disparate.Tanta demagogia! Uma personagem anónima, em algo que se intitula "Rabbit"s Blog", diz esta coisa publicitária: "O Modelo e Continente têm umas promoções de autores que ganharam o Nobel a 3,50 euros. A vantagem deste programa é que, ao contrário dos programas estatais, não só não custa um cêntimo ao contribuinte como é capaz de pôr mais gente a ler". Deve tratar-se de um funcionário do Continente que se pretendeu pôr em bicos dos pés. E que, com esta oscilação entre um anarquismo de esquerda e um fascismo de direita, vai-se buscar sempre o grande argumento: o bolso dos contribuintes. Mas isto é secundário. Porque a grande estupidez está nesta incapacidade de diferençar entre a promoção de uns livros a preços mais ou menos ocasionais e o que deve ser a consistência e complexidade de um verdadeiro Plano Nacional da Leitura. Este é um dos tópicos, o que passa pela ideia de que se não pode gastar dinheiro público com projectos deste tipo. Ora eu devo confessar: sempre que ouço a expressão "o dinheiro dos contribuintes" puxo a pistola. E não costumo falhar os alvos.A segunda ideia, mais elaborada e requintada em demagogia, é a de que as pessoas lêem imenso, mas não lêem aquilo que os intelectuais queriam. Daí a fúria deles, desanimados por não serem promovidos. Isto tem ainda a ver com uma outra idiotice que se propagou: o Plano Nacional da Leitura teria por função dizer às pessoas o que devem ler. Neste plano, Vasco Pulido Valente, que até pode ser uma pessoa inteligente, acumula todas as coisas absurdas, insensatas e totalmente desconhecedoras da realidade que se podem dizer sobre estas matérias.Como se lê: num estilo mais ou menos aparvalhado, um tal senhor Luís Aguiar Conraria, no blogue "A destreza das dúvidas", diz que "nunca se leu tanto como se lê hoje; basta ver o sucesso em Portugal de Dan Brown ou de Miguel Sousa Tavares. As comissões de bom gosto acham que devíamos ler Sophia de Mello Breyner e não Margarida Rebelo Pinto. (...) Provavelmente mandavam-nos ler poesia do século XIV no original". Eis o que se chama alguém que sabe verdadeiramente o que é literatura. Quanto ao meu amigo José Saramago, afirmou que a leitura será sempre questão de minorias. É verdade, embora o número que constitui essas minorias varie conforme os países. Mas David Mourão-Ferreira dizia escrever para "uma imensa minoria", e é portanto no "imensa" que está a questão."
Apenas dois ou três comentários. EPC, como bom intelectual orgânico - seja lá qual for o regime - tem o "dever cívico" de defender aquilo que o regime apresenta como bom para a educação geral das massas e para a sua subtil introdução nos estudos literários. Em 1975, como em 2006. Não pode, por isso, deixar de se colocar do lado do obscuro Plano Nacional de Literatura, coisa que, pelos vistos, está perfeitamente esclarecida na sua extraordinária cabeça. Em segundo lugar, EPC, apesar de ser uma "figura de esquerda", permite-se - o que é que ele não se permite - exibir a sua superioridade intelectual sobre os assalariados do eng.º Belmiro de Azevedo, num comentário de excelente recorte literário sobre um bloguista. E fazer um trocadilho reaccionário acerca do "dinheiro dos contribuintes", como se o "PNL" se pagasse por si. Depois, é claro que na cabeça de EPC, Vasco Pulido Valente não pode jamais pronunciar-se - nem ele, nem mais ninguém que não pertença à nomenclatura "intelectual" do regime - sobre uma "realidade"(?) que é apenas "real" nas cabeças fulgurantes e amiguistas dos membros da referida nomenclatura. O resto é lixo e supermercados. Finalmente - e aqui EPC tem razão - a frase do Conraria não passa de um dichote idiota sem qualquer relevância. Se bem que me pareça que cada um é livre de ler ou de não ler o que lhe aprouver, não é certamente o "PNL" (e, muito menos, o EPC) que vai induzir o prazer de ler - o mau, o bom e o péssimo - nos putativos leitores. Entre nós, será sempre uma "imensa minoria" a fazê-lo. Nem que seja na retrete.

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