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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

PORQUÊ -2

João Gonçalves 28 Out 06

Simpaticamente, o João Morgado Fernandes "tentou" esclarecer-me acerca desta coisa: "O Estado vai atribuir 169 milhões de euros de indemnizações compensatórias à RTP e à agência Lusa no próximo ano, revelou hoje à Lusa o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva." E deu esta extraordinária "explicação: "A RTP e a Lusa são, de facto, empresas estatais. É o Estado, a malta toda, que as paga. Se isso deveria, ou não, ser assim é uma outra história.". Olhe, João, com este argumento e com este orçamento de Estado, por exemplo, para a "cultura", não faltarão directores de teatros e de outras "entidades públicas empresariais" a berrar pelo pão. Da "cultura" e de outros lados. Reparou na brutalidade de massa de que estamos a falar? Bom. Quanto ao canal da RTP onde eu vejo os telejornais, acho que não me enganei. Todavia, não deixa de ter alguma razão. A "filosofia" da coisa ressuma, de facto, a Ramiro Valadão (um bom homem) e a Dutra Faria, só que em "democrático". E a RTP-Madeira, quando lá vou, não vejo. Finalmente, não sou idólatra nem nunca fui dado a "grandes explicadores" ou a "queridos líderes". Como V. é mais "democrata" e "incontrolável" do que eu, imagino que respeite as escolhas livres dos madeirenses. Ou será que a Madeira, para além de ilha, também é puta ou filha de tal?

Adenda: "Ontem a RTP deu outro exemplo de como se actua pela imagem: enquanto o Ministro das Finanças fazia o seu discurso punitivo contra as finanças da Madeira, Jardim aparecia em imagens de fundo a passear-se num elefante (...) É verdade que Jardim muitas vezes pede-as, mas não pode ser a televisão pública a dá-las." Está a ver, João, "como amor com amor se paga" literal e chorudamente?

ISOLAMENTO E FRUSTRAÇÃO

João Gonçalves 28 Out 06

O inspector geral da administração interna, em entrevista ao Diário de Notícias, disse sentir-se "isolado e frustrado" porque o dr. António Costa não lhe passa cartão. Nem na recente ida a uma comissão parlamentar, o dr. Costa teve o cuidado de consultar o seu órgão externo de controlo da actividade policial e, a ele, preferiu a opinião do comandante-geral da GNR. Os números de "vítimas" que o senhor ministro apresentou, eram, por isso, totalmente desconhecidos do juiz Clemente Lima. Soube deles pela televisão. Como expliquei outro dia num "comentário" a um post, a IGAI - uma criação legislativa de Dias Loureiro para o putativo vice-procurador geral da República de Pinto Monteiro, Gomes Dias, o ainda auditor jurídico do MAI - só "brilhou" com as tutelas de Alberto Costa, Jorge Coelho, Fernando Gomes, Severiano Teixeira e Figueiredo Lopes. E com Rodrigues Maximiano como inspector-geral, que obteve destes sempre um apoio incondicional. Quando Maximiano se aposentou, o dr. Costa deixou a IGAI num limbo até pôr lá o juiz Clemente Lima. Pelos vistos, até este se queixa da falta de apoio político do ministro. Assim sendo, e conhecendo-se o "bom" e musculado feitio do dr. Costa ("deste" dr. Costa, e não do que eu conheci na primeira campanha presidencial de Mário Soares), a Clemente Lima - por si mesmo, ou por interposto ministro - não deverá restar muito mais tempo de "isolamento" e de "frustração".

"O" ANTÓNIO

João Gonçalves 28 Out 06


Numa noite destas, enquanto trabalhava no livrinho "Portugal dos Pequeninos", à minha frente, na tv, passava uma enternecedora entrevista de Judite de Sousa ao sofredor, melancólico e grande escritor dr. António Lobo Antunes. Desde logo, o tratamento era de grande intimidade. Para Judite, o dr. Lobo Antunes era "o" António. "O" António, aqui há uns anos atrás, tinha um razoável pó às entrevistas. Deixei-o por alturas de "Auto dos Danados" e só voltei, muito tempo depois, por causa das crónicas. Ainda tentei ler "Que farei quando tudo arde?". Tenho por aí espalhados mais livros "do" António, porém, confesso, não tenho pachorra para os ler. Fico sempre com a sensação de que, à semelhança do que acontece com as edições americanas dos seus textos, "o" António não perderia nada se retirasse entre cem a trezentas páginas dos seus "romances". É que um homem perde-se, entre o tédio e o não avanço da "trama", naqueles tropismos pseudo-originais, "a la Faulkner", "do" António. O pacto leonino que tem com a sua editora, a D. Quixote, não o salva, mesmo assim, de um honroso quarto ou quinto lugar em vendas nacionais face a uma inesperada e inexplicável Inês Pedrosa, a uma Lídia Jorge ou ao bardo Manuel Alegre. Outro dia, "o" António decretou que o "romance" de Rui Cardoso Martins, também da D. Quixote (de onde é que havia de ser?), era o melhor "primeiro livro" que ele tinha lido. Não foi só ele. A sra. D. Clara Ferreira Alves, por acaso assalariada das "Produções Fictícias", do dito Rui, naquele maravilhoso programa "Eixo do Mal", também teceu encómios, apesar de o livro ser em português. Em suma, "o" António, aquele que em tempos idos venerou o PC, mas que "à" Judite de Sousa disse que tinha "tido medo" num comício em que estava de tudo de punho erguido aos berros - um momento de "humanização" do sr.dr. - está aí para as curvas e para produzir mais bacamartes "literários". Alguém há-de ler, nem que sejam só as primeiras cinquenta páginas. É que por aí, normalmente, ficamos esclarecidos.

EM PONTA DOS PÉS

João Gonçalves 28 Out 06

Estive a passar os olhos pelas "novas" leis orgânicas dos ministérios. Fusões, extinções e criações, há para todos os gostos e feitios. A parte "gira" é assistir, nos próximos dias e semanas, aos corropios, telefonemas e outras forma de dizer "estou aqui" (ou, "deixei de estar aqui") dos senhores e das senhoras da altas, médias e baixas nomenclaturas que agora caem mas que logo a seguir se podem levantar outra vez. Afinal, o congresso albanês do senhor engenheiro sempre vai servir para alguma coisa.

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