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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

OTTOBRATA -3

João Gonçalves 9 Out 06


Do último livro de Pietro Citati, "La morte della farfalla - Zelda e Francis Scott Fitzgerald", da Mondadori:

"Quando, em 1936, Francis Scott Fitzgerald publicou L'incrinatura (The Crack-Up) [tradução portuguesa, A fenda aberta, da Hiena], os seus amigos, os seus amigos-inimigos, e os seus inimigos ficaram profundamente indignados. Sobretudo, indignou-se o mais abjecto de todos: Ernest Hemingway, o qual ainda não se tinha precipitado num abismo muito mais atroz. Quase todos escreveram a mesma coisa. Não era possível falar de si mesmo, aos quarenta anos, da forma como o fez Fitzgerald: violar algures, com precisão, o sentimento comum da decência, revelando ao público os desastres e a dor da própria vida. Mas a literatura não tem muito que ver com a decência e o decoro. Nem Poe, nem Baudelaire, nem Verlaine respeitaram as leis da decência. Conheceram as chamas do inferno: todavia transformaram-nas em ouro - escreve-se no Epílogo das Fleurs du Mal. Sem dúvidas, incertezas ou temores, cumpriram até ao fim os seus deveres como "perfeitos alquimistas e almas santas".

OTTOBRATA -2

João Gonçalves 9 Out 06

Por falar em criativos, também li que o "maestro" António Vitorino de Almeida pretende tomar a Sociedade Portuguesa de Autores. A agremiação anda com pouca sorte. Depois de Luís Francisco Rebelo - porventura o melhor especialista nacional em direitos de autor - ter feito daquilo a sua privada coutada, sucedeu-lhe - parece que também em trapalhadas - o baladeiro de "Abril", o sr. Manuel Freire. Vitorino de Almeida vive, há anos, na estratosfera. Como "autor", nem me atrevo a pronunciar-me. A SPA, em princípio, é para ser levada a sério. Tenham juízo.

OTTOBRATA -1

João Gonçalves 9 Out 06

Parece que o dr. Guedes, do PP, mais o seu líder de eleição, o dr. Portas, pretendem tomar de novo o CDS do dr. Castro Isto é uma vulgaridade, mas não resisto. Neste caso, não se trata de repetir a história nem como tragédia, nem como comédia. É pura e simplesmente nada. O dr. Guedes não existe para o país e o dr. Portas revela-se, cada dia que passa, um excelente crítico de cinema. A Direita não passa por ali. Para já, o engº Sócrates está descansadinho. No segundo mandato de Cavaco, logo se vê.

O HOMEM MÉDIO

João Gonçalves 9 Out 06

Uma pessoa chega cá e, distraidamente, no carro, ouve o novo Procurador-Geral da República quando tomava posse. Agora é que é? Quando os anteriores tomaram posse, também "era". Souto Moura foi um "mau" PGR? Não tenho a certeza. À substância preferiu a forma e, realisticamente, a forma não pôde ser mais infeliz. Não se sabia quem mais mandava, se ele, se o sindicato do dr. Cluny. Talvez daqui a alguns anos - o tempo, esse enorme escultor, opera verdadeiros milagres - se possa dizer que, afinal, Souto Moura foi o mais isento dos "pgr's" da democracia. É claro que não percebeu nada do país e, pior do que isso, do regime, como o seu maquiavélico antecessor percebeu. Por seu lado, o conselheiro Pinto Monteiro acha que vai combater a corrupção, um direito-dever que lhe assiste. E acrescenta que deve valorizar-se a "concepção moral do homem médio", isto a partir da ideia - justíssima, aliás - de que não se pode afastar a "ética" do serviço público e dos costumes. Com o devido respeito, senhor conselheiro, naturalmente que lhe assiste toda a razão. Todavia, e apesar de as sebentas de direito me terem introduzido no sublime conceito de "homem médio", suponho ser prudente fugir do referido "homem" e da sua "concepção moral" como o diabo da cruz. A democracia é, por natureza, o reino do "homem médio" e as respectivas "elites" são o que se sabe. O senhor conselheiro entende, sinceramente, que o "homem médio" é exemplo para o que quer que seja? Boa sorte.

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