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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

SEM SE RIR

João Gonçalves 30 Set 06

O dr. Jorge Coelho, num "especial" da "Quadratura do Círculo" da SIC-Notícias, com Jorge Sampaio como convidado - em excelente forma, mais solto e menos redondo -, afirma que a política, os políticos, devem dar-se ao respeito para poderem ser respeitados. Conseguiu dizer isto sem se rir.

O CASO ROCHA

João Gonçalves 30 Set 06

O sr. Rocha ataca de novo, desta vez no Convento do Carmo, com o Francisco José Viegas a abençoar. Este Francisco é mesmo uma jóia de pessoa, já que o caso mental do sr. Rocha inspira mais piedade do que propriamente cuidados. Imagine-se que ele até falou com o assassino de João Paulo I, coisa que guarda no silêncio da sua excelsa cabeça. Para dar o "tom" ao lançamento do livro "O Último Papa", do sr. Rocha, tocava-se a música da saga "O Padrinho". É preciso dizer mais alguma coisa?

O OURO AO BANDIDO

João Gonçalves 30 Set 06

Misturar dois rematados pantomineiros com uma excelente editora de livros, que cometeu o pecado de ter ido para a "direita" sem passar pela depuração socialista que entretém alguns membos do actual governo, não podia dar bom resultado. O assunto - a interrupção voluntária da gravidez - é demasiado sério para ser tratado por vulgares intriguistas. É por estas e por outras que a "direita" não vai a lado nenhum e o engº Sócrates está, segundo o próprio, "para as curvas". Chama-se a isto entregar o ouro ao bandido.

UMA PERGUNTINHA

João Gonçalves 30 Set 06

.... à f. A menina é adepta do aborto livre. Faz muito bem. É evidente que o mundo não "acaba no dia em que uma mulher puder decidir por si se leva uma gravidez a termo ou não". Todavia, isso significa que coloca a IVG ao lado do preservativo, do dispositivo intra-uterino e das pílulas para o "day after", ou seja, como um vulgar método anti-conceptivo à disposição de quem, muito legitimamente, se quer dar à paródia?

A RECTA INTENÇÃO

João Gonçalves 30 Set 06


Por falar em "esquerda" e em "direita", apenas duas observações rápidas. Ando a ler, com o vagar que o livro exige, as "crónicas" e as entrevistas de António José Saraiva reunidas num calhamaço da Quidnovi. Lá pelo meio, há uma série de textos que AJS escreveu para a revista Vida Mundial, nos idos de setenta, em pleno "fascismo-marcelismo", como diriam aqueles patuscos do "não apaguem a memória". AJS é insuspeito. Foi demitido da função pública pelo regime e esteve exilado em França. Quando regressou, depois do "4/25", não apreciou o que viu, sobretudo naquilo a que metaforicamente se chama "universidade". As crónicas da Vida Mundial são um exemplo de lucidez e de coragem cívicas que tomara muitos dos "cronistas" do actual regime possuírem. Ninguém as censurou, enquanto agora se encontram formas mais subtis de calar quem não come da gamela "democrática". Já em plena "democracia", por exemplo, no Diário de Notícias, em Maio de 1979, a propósito de "cultura e bibliotecas", AJS escrevia: "O antigo regime era acusado de fazer "obras de fachada"; pelo menos fez o actual edifício da Biblioteca Nacional. Mas nunca se viu, como hoje, tanta fachada sem obras". Querem melhor descrição do que esta para os "investimentos" do dr. Pinho e para as "grandes obras" do dr. Lino? Finalmente, o Sol anuncia que o presidente da Câmara de Santa Comba Dão quer fazer um museu da casa onde nasceu António de Oliveira Salazar. O museu recolheria objectos pessoais do antigo Presidente do Conselho, teria um auditório e serviria de centro de estudos do Estado Novo. Há cinco anos visitei o local e a campa rasa do antigo Chefe do Governo, no Vimieiro. A degradação, a destruição propositada e o abandono podiam ser comparados com o que o governo da democracia espanhola - trinta vezes mais madura e segura do que a nossa - fez com os locais de residência do Generalíssimo, como ainda agora se pôde constatar aquando da presença de Cavaco Silva em Madrid, no Palácio do Pardo, onde a ala onde residia Franco está conservada e interditada aos visitantes oficiais. O complexo com que encaramos o século XX português, marcado indelevelmente pela personalidade de Salazar, não serve os propósitos da história, nem ajuda a democracia portuguesa a fortalecer-se. Salazar não foi um mero fantasma que passou pelos ares de Portugal. É a sua sombra - pelo menos no seu lance autoritário e mesquinho - que se perpetua no actual regime, particularmente com este governo dito socialista. No resto, e como escreveu António José Saraiva em 1989, no Expresso, "Salazar foi, sem dúvida, um dos homens mais notáveis da história de Portugal e possuia uma qualidade que os homens notáveis nem sempre possuem - a recta intenção". Não merece um museu. Merece dez.

TENHAM MEDO

João Gonçalves 30 Set 06

Numa mini-entrevista a Margarida Marante, no Sol, o senhor conselheiro Noronha do Nascimento, presidente-eleito do Supremo Tribunal de Justiça e futura quarta figura do Estado - de acordo com o "protocolo" do mesmo Estado aprovado pelo Parlamento - , declara que "sempre foi de esquerda". Era só o que estava a faltar à "justiça". Mais um messias.

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