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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

AGITPROP

João Gonçalves 29 Set 06

Este tipo tirou-me as palavras da boca. Nada pior do que querer ser "mais papista que o Papa", que o Santo Padre me perdoe a despropositada lembrança. Caramba, professor, o governo já tem os drs. Pereira, Lourtie (parece que é assim) e Filipe Baptista para lhe tratar da propaganda. Esqueça lá essa "agitprop" reciclada.

TODO UM PROGRAMA

João Gonçalves 29 Set 06

É sintomático que o post "escrito" por José Manuel Fernandes esteja a ser "comentado" como está. A justiça, ao contrário do que se supunha, preocupa as pessoas. Preocupam-se os seus agentes, por vezes da forma mais inconsequente, disparatada e corporativa que se possa imaginar - a culpa só indirectamente é deles, já que foi o regime instituído pelo "4/25" o principal responsável pela aquiescência às reivindicações "progressistas" dos sindicatos entretanto criados, como se a justiça pudesse desfilar folcloricamente pela Avenida da Liberdade - e preocupam-se, pelos vistos, os cidadãos lúcidos que têm medo (o termo é mesmo este, medo, três décadas volvidas sobre a alegada restituição das liberdades e da dignidade institucional e cívica) de cair nela. Eu próprio, nesta fase de recolha de textos para o livro "Portugal dos Pequeninos", dei por mim com n posts escritos sobre o tema que obrigam a um capítulo autónomo. Ninguém coerentemente pode acreditar na justiça portuguesa. Os dezoito anos - 18... - do processo da UGT fariam rir se não fossem trágicos. A modorra do julgamento do processo "Casa Pia" , com quinhentas e tal testemunhas, é obra. O processo "Apito Dourado", que ora faz de caranguejo, ora faz de caracol, é outra obra. O "envelope 9", com a cena caricata do sr. jornalista a "abrir" a embalagem com o computador, à porta do DCIAP, é outra. Não penso apenas nestes processos por causa da sua veia mediática. Também penso no dinheiro que falta ao DCIAP e à PJ para prosseguirem investigações em sede de delito económico-financeiro. Quanto mais o sistema vai à falência, mais cresce a economia paralela e a corrupção que sempre a acompanha. Vamos ver até onde chega- ou pode chegar -, por exemplo, a recente investigação na Marinha. Uma justiça de bagatelas e de flashs- arrastada, baça, incongruente - não é uma verdadeira justiça democrática. É, por isso, bom que haja polémica e debate sobre o tema. Quem, como eu, viu ontem debaixo das arcadas da Praça do Comércio as venerandas figuras que elegeram o conselheiro Noronha do Nascimento para presidente do STJ, percebeu perfeitamente que ali residia, de fato escuro, gravata e chapéu na cabeça, todo um programa. E, a este programa, não há nenhum "pacto" que possa responder.

O REGALO E OS ESCOMBROS

João Gonçalves 29 Set 06

O senhor ministro Lino, das obras públicas, e a sra. dra. Vitorino, que é ajudante, passearam-se pelos escombros - eles chamam-lhe "metro" e "túnel" desde os tempos do sr. engº Ferreira do Amaral - que ligam subterraneamente o Chiado ao Terreiro da Paço. Fazem-no com a mesma falta de vergonha que, desde o sr. eng.º Cravinho e do dr. João Soares (desculpa lá, Tomás), respectivamente ministro e presidente de Câmara, todos exibem quando lá vão. É só contar os ministros que sucederam a Amaral e a Cravinho, mais os dois presidentes de Câmara que vieram depois de Soares e os "presidentes" do Metro. Esta obra é um monumento à ineficácia e à ineficiência, para ser brando. E um regalo para as empresas de construção civil envolvidas. Não sei como, mas o dinheiro - falamos aqui de milhões - aparece sempre. Que tal o eng.º Cravinho começar a sua "cruzada" por aqui mesmo?

LER OS OUTROS

João Gonçalves 29 Set 06

Isto é o género de coisa que eu gostava de ter escrito.

"Querem um símbolo, um expoente, um sinónimo, dos males da justiça portuguesa? É fácil: basta citar o nome da Noronha de Nascimento e tudo o que de mal se pensa sobre corporativismo, conservadorismo, atavismo, manipulação, jogos de sombras e de influências, vem-nos imediatamente à cabeça. O juiz - porque é de um juiz de que se trata - é um homem tão inteligente como maquiavélico. Anos a fio, primeiro na Associação Sindical dos Juízes, depois no Conselho Superior da Magistratura, por fim no Supremo Tribunal de Justiça, esta figura de que a maioria dos portugueses nunca ouviu falar foi tecendo uma teia de ligações, de promiscuidades, de favores e de empenhos (há um nome mais feio, mas evito-o) que lhe assegurou que ontem conseguisse espetar na sua melena algo desgrenhada a pena de pavão que lhe faltava: ser presidente do Supremo Tribunal de Justiça. O lugar pouco vale (quem, entre os leitores, sabe dizer quem é o actual presidente daquele tribunal, formalmente a terceira figura do Estado?). Dá umas prebendas, porventura algumas mordomias, acrescenta uns galões, mas pouco poder efectivo tem. O problema, contudo, reside neste ponto: tem, ou terá? Os senhores juízes, que aqui há uns tempos se empenharam na disputa com o Tribunal Constitucional para saber quem era hierarquicamente mais importante (ganharam os do Supremo a cadeira do protocolo, deram aos do Constitucional a consolação de terem ao seu dispor um automóvel topo de gama...), nem sequer são muito respeitados. Por sua culpa, pois sabe-se que alguns passam pela cadeira do Supremo apenas uns meses e para engordar a sua reforma. O presidente daquele agigantado colégio de reverendíssimos juízes pouco poder tem tido, só que Noronha de Nascimento apresentou-se aos eleitores - ou seja, aos seus pares, aos que ajudou a subir até ao lugar onde um dia o elegeriam - com uma espécie de programa que arrepia os cabelos do mais pacato cidadão. O homem não fez a coisa por pouco: ao mesmo tempo que vestiu a pele do sindicalista (pediu que lhe aumentassem o salário e que dessem menos trabalhos aos juízes...), pôs a sobrecasaca de subversor do regime (ao querer sentar-se no Conselho de Estado) e acrescentou o lustroso (pela quantidade de sebo acumulado) chapéu do "resistente" às reformas no sector da justiça. Se era aconselhável que um presidente do Supremo Tribunal desse mais atenção a Montesquieu e ao princípio da separação de poderes do que à cartilha da CGTP, Noronha de Nascimento fez exactamente o contrário. Reivindicou como um metalúrgico capaz de ser fixado para a posteridade numa pintura do "realismo socialista" e, esquecendo-se de que é juiz e representante máximo do "terceiro poder", o judicial, pediu assento à mesa do "primeiro poder", o executivo. É certo que o poder do Conselho de Estado é tão inócuo como o penacho de ser presidente do Supremo Tribunal, só que a reivindicação contém em si duas perversidades. A primeira é ser sinal de que Noronha de Nascimento se preocupa mais com o seu protagonismo público do que com os problema da justiça. A segunda, bem mais grave, é que o homem se disponibiliza para ser o rosto de uma fronda dos juízes contra as decisões reformistas do poder político, neste momento objecto de um consenso alargado entre o partido do Governo e a principal força da oposição. É tão patético que daria para rir, não estivéssemos em Portugal e não entendêssemos como funcionam as estratégias das aranhas. O homem, creio sem receio de me enganar, é tão inteligente e habilidoso como é perigoso. Até porque tem já um adversário assumido: o novo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, um dos raros que tiveram a coragem de lhe fazer frente."

José Manuel Fernandes, in Público, 29-9-06


Adenda: O homem que corresponde a este "perfil" será em breve a "quarta figura do Estado". Do estado a que isto chegou, naturalmente.

"LIDERANÇA E POPULARIDADE"

João Gonçalves 29 Set 06

Salazar tinha "liderança e popularidade". Para além disso, tinha esbirros, censura e diversa parafernália que "reforçavam" todos os dias a sua "liderança" e a sua "popularidade". A partir de certa altura, também tinha a RTP. Só não tinha "teleponto". Mesmo assim, estatelou-se, coitado.

MODERNOS COM PÉS DE BARRO

João Gonçalves 29 Set 06

Estes vasos singulares, tipicamente portugueses, constituíram, durante anos, os contentores de água utilizados pelos funcionários para lavarem as mãos numa casa de banho do edifício que abriga dois ministros de Estado do Portugal do "progresso", o das Finanças e o da Administração Interna. De manhã, as "senhoras da limpeza" enchiam-os de água, e pronto. Depois das obras, em 2005, os vasos ficaram ali, esquecidos e "em exposição", para nos recordarem a nossa verdadeira essência de "modernos" com pés-de-barro.

MOMENTO NOKIA

João Gonçalves 29 Set 06

Colocado numa parede da Baixa pombalina, um cadinho abandonado onde se cruzam engravatados com gente sem paradeiro, gente verdadeira.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

João Gonçalves 29 Set 06

"Sobre a polémica provocada pelo recente discurso do Papa considerado por muitos muçulmanos insultuoso para o profeta Maomé e para o islão, o escritor considerou que se alguém escreveu esse discurso e Bento XVI não o leu antes foi "imprudente", e se o leu e não retirou a passagem referente a Maomé foi "ainda pior". Vem no Público, sem link. O "escritor" que "considerou" é José Saramago, o nosso infeliz Nobel da Literatura. É por estas e por outras que o Nobel cada vez mais só vale pelo dinheiro dado aos escribas a quem é entregue. Saramago, cuja "prudência" enquanto director do Diário de Notícias durante o PREC ficou famosa, vem agora armar-se em moralista - sim, ele não passa de um vulgar e ressequido moralista - contra o Papa, sugerindo, supõe-se que para ter graça, que Ratzinger não escreve nem pensa. Deve ser influência da ex-jornalista espanhola com quem vive a qual, aliás, já fala por ele há muito tempo. Saramago ainda não percebeu, embora tenha idade para isso, que é uma caricatura pública de si próprio enquanto escritor. Se eu fosse dado a penas, estaria cheio de comiseração por este velho comunista empedernido, confinado à volúpia da sua celebridade volátil. É que a Igreja a que preside Ratzinger estará ainda de pé no dia em que Saramago for apenas uma nota de fim de página num qualquer esquecível "manual de literatura" para crianças.

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