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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A IMODERADA MODERAÇÃO

João Gonçalves 28 Set 06

O Augusto M. Seabra, com quem tantas vezes estou de acordo, escreveu no Público (sem link) um texto estimulante sobre "a emancipação da liberdade", a propósito da encenação "censurada" de Idomeneo na Ópera de Berlim. Ao tentar escapar ao jargão "islamofóbico", o Augusto, sensivelmente a meio do texto, dá-lhe para o jargão "ratzingerfóbico", mais vendível entre nós. "Roma não desistiu de ser a autoridade no mundo. O aggiornamento democrático da Igreja Católica está de há muito feito. Mas acho deveras extraordinário que se queira confundir a Igreja com liberalismo, quando ela enquanto corpo doutrinário e institucional lhe é por natureza estranha", escreve o Augusto. Apesar do tom, tem razão. Bento XVI tem sido muito claro em relação ao que vem. A uma Igreja vulgarizada e globalizada, Ratzinger preferirá sempre a Igreja das comunidades, de maior ou de menor dimensão, mas portadora de uma enorme e bem concentrada fé. Uma fé que permita entender racionalmente a natureza de Deus , e não à bomba ou pela intimidação. Nesse sentido, não pode prescindir de ser "a autoridade no mundo". Se o fizesse - se "cedesse" - claudicava e, quer queira o Augusto, quer não, com ele, mais tarde ou mais cedo, claudicava todo o "Ocidente". Por isso, a Igreja não tem de ser "liberal" e muito menos "democrática". Nós, crentes ou não crentes, é que devemos ser. Por isso estamos "deste" lado. Que não haja ilusões. Existe um "nós" e um "eles". O resto são tretas "imoderadas" que vêem "moderados" onde eles não existem.

A VIDA DELAS

João Gonçalves 28 Set 06


O Tomás Vasques elogia duas séries televisivas que também acompanho: House e The L World. Do primeiro, do respectivo script e do excelente mau-feitio do protagonista, estou farto de falar. A segunda série - que vi praticamente toda no canal Fox Life e não na 2: -, tal como Nip Tuck, por exemplo, passa-se em Los Angeles e os protagonistas são praticamente todos mulheres. É a história das suas relações - as afectivas e as sexuais - e, se bem me lembro, em nenhum episódio detectei aquela "veia maricas" com que tantas vezes se aborda os imbróglios entre same sexers. Como qualquer espectador pode verificar, se tiver pachorra, as relações entre same sexers são iguais, em luz, sombra, alegria e violência, a qualquer outra relação. Apenas coisas entre pessoas, no caso, entre mulheres da classe média norte-americana. Por vezes - e isso é provavelmente inevitável numa série- a "conversa" cansa e a as obsessões também. Entre nós, domina a esquizofrenia das "associações G&L". O "não natural" é acentuado pela mania da "diferença" pindérica e folclórica. E não adianta meter explicador que as pobres cabecinhas "activistas" não percebem. The L World revela-nos personagens maduras nas suas fragilidades, seguras nas suas incertezas e felizes no seu meio profissional, desprovidas de complexos. Oxalá a sociedade portuguesa fosse tão adulta como a daquelas burguesinhas. Elas não se "associam". Limitam-se a viver, alegre ou dramaticamente, a vida delas.

A NATUREZA DAS COISAS

João Gonçalves 28 Set 06

Na sua proverbial ingenuidade, a "esquerda" do PS - o senhor engenheiro, com infinita misericórdia, consente estas extravagâncias - vai montar um "grupo de trabalho parlamentar" para que se legisle acerca do "enriquecimento ilícito". Presumindo que os autores da iniciativa não querem que meio-país paralise, não se enxerga que a ideia possa ir demasiado longe e fundo. As coisas, tal como o regime permitiu que elas fossem, são o que são. Não adianta, por isso, contrariá-las e à sua natureza.

NOVIDADES ?

João Gonçalves 28 Set 06


O senhor conselheiro Nascimento foi eleito - não havia mais candidatos - presidente do Supremo Tribunal de Justiça. O senhor conselheiro Monteiro foi escolhido pelo poder político para ser o próximo PGR. O senhor dr. Rogério Alves é bastonário da Ordem dos Advogados e um profissional dos media. Finalmente, o PSD e o PS assinaram um "pacto" para a justiça. Estão, pois, criadas as condições para o "sistema" ser posto definitivamente à prova. O miserável episódio de mais um adiamento do julgamento do processo "Fundo Social Europeu"/UGT - que é praticamente do tempo em que o sr. Torres Couto andava de bibe e João Proença era um ilustre desconhecido - e que esteve a "pastar" cinco anos na PGR, é um exemplo do que não pode acontecer, partindo do vaguíssimo princípio que somos civilizados e "modernos". Outra coisa que deve parar é o espectáculo indigente das entradas e saídas dos tribunais de instrução criminal, dado pelas televisões, como se fosse uma extravagância a lei estar a ser cumprida. A menos que se entenda que tudo isto, as "novidades", afinal, não passam de mero show off.

NEO-REALISMOS

João Gonçalves 28 Set 06


"Os filhos crescem, têm autonomia e podem seguir por si", disse ontem Fragateiro em relação à saída da direcção do Trindade, cargo que acumulava com o D. Maria desde Fevereiro. "A existência deste filho estava a perturbar a criação de um projecto identitário para o D. Maria. As pessoas não estavam a conseguir separar aquilo que estava separado na minha cabeça", justificou numa entrevista por telefone. O momento da demissão, segundo Fragateiro, foi escolhido para coincidir com a apresentação da programação do D. Maria II, que será em breve, mas ainda não tem dia marcado." Eu não disse que o homem tinha a cabeça de director teatral amador de um filme de António Lopes Ribeiro? É uma mistura interessante, a desta cabeça com a do "neo-realista" secretário de Estado Vieira de Carvalho. Será que este também pensa como Helena Vieira que verbera Paolo Pinamonti, o director do São Carlos, por causa dos "cantores portugueses"? Que mal lhe pergunte, Helena, acha que o São Carlos, em 2006, é o lugar certo para uma "companhia portuguesa de ópera"? Só se for de uma ópera bufa. Posso não concordar com Pinamonti em muita coisa, mas prefiro uma ópera cosmopolita a uma ópera "neo-realista", de província. Para maus exemplos, já basta o "neo-realismo" embotado que o acompanha na gestão do Teatro.

BORGES EM INTELECTUAL? - 2

João Gonçalves 28 Set 06

Um amável leitor, na sequência desta minha questão, esclareceu que "António Borges é Doutorado (EUA) e foi Reitor do INSEAD (uma das melhores escolas do Mundo para MBA) antes de ser Chairman da Goldman Sachs" e que "hoje não se sabe ao certo o que aqui faz em Londres...". Obrigadinho. Sucede que estes paramentos não fazem necessariamente dele um "intelectual". Há mais "filosofia" em meia hora de tretas de um taxista ou de um canalizador do que nas boutades desse farto proprietário alentejano. Agrada ao homem do laço do Expresso e aos seus jovenzinhos clones da "especialidade", e depois? É que "não se sabe ao certo o que aqui faz". O dr. Mendes dispensa-o. E o país também.

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