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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

GRANDES FRASES

João Gonçalves 26 Set 06

"Descobrimos o mundo, mas vivemos no beco."

António José Saraiva, numa carta ao irmão José, em 1970

LER OS OUTROS

João Gonçalves 26 Set 06

Talvez valha a pena seguir a "saga da corrupção" a que O Jumento está a dar início. Pode ter graça. O gado asinino sabe muita coisa. É como o ouriço de Isaiah Berlin.

"OS TEATROS DO PODER" - 2

João Gonçalves 26 Set 06

Leio no Melhor Anjo que o sr. Fragateiro, director em simultâneo do Teatro Nacional D. Maria II e do Teatro da Trindade/INATEL/FNAT, vai ter de largar este último por manifesta e legal incompatibilidade. A lei orgânica do TNDMII ainda não foi alterada e, consequentemente, Fragateiro não pode acumular. Não sendo propriamente ilegal, existe uma situação paralela no Teatro Nacional de São Carlos e na Companhia Nacional de Bailado que referi aqui. A futura fusão das duas entidades não justifica tudo e, salvo o devido respeito pela pessoa em causa, o "bi-gestor" nem sequer em nenhum deles deveria estar. Temo, pois, que a nova entidade nasça torta. E não, não me "estou a fazer" a nada. Já dei para o peditório. Apenas sou intolerante para com a falta de elementar bom senso e para com a displicência na gestão dos dinheiros públicos. É "antigo" e "reaccionário", eu sei. Todavia, Deus me livre de ser "moderno", pelo menos "moderno" como estes "modernos".

A QUEDA

João Gonçalves 26 Set 06


Portugal "caiu" três lugares num ranking mundial de competitividade. Ficou atrás da Tunísia, da República Checa e da Estónia. Mais uma multinacional pretende abandonar a pátria e deixar cerca de mil trabalhadores a "olhar para o boneco". No meio disto, só Manuel Pinho, o ministro da Economia e da Inovação, é que não cai nem sai. Não haverá ninguém que o empurre?

A CARTA

João Gonçalves 26 Set 06


No verão do ano passado, quando fui ao bruxo electrónico que me "construiu" uma péssima carta astrológica para os próximos anos, lembro-me de me ter sido dito que eu tinha sido educado para uma coisa que, pelos vistos, já não existe. Se eu tivesse dúvidas, a chamada de atenção deste blasfemo ajudou-me finalmente a entender o sentido da "carta". Deixei de entender o mundo em que fui criado.

CARTA ABERTA A UM SECRETÁRIO DE ESTADO

João Gonçalves 26 Set 06

Caríssimo dr. João Figueiredo,

V.Exa. desilude-me. Não que eu possua qualquer tipo de ilusões acerca do país e do regime. Sou um niilista social e não acredito no progresso. V.Exa. acredita, embora o seu rosto e os seus olhos me lembrem "a noite do mundo" que vai ao encontro de todos os homens, aquela de que falava Hegel. Mas para quê a filosofia quando ela é banida dos currículos escolares por inútil para o tal progresso em que V.Exa. confia? E para quê a filosofia quando um empresário notoriamente bimbo, que acompanha Sua Excelência o Presidente da República na visita de Estado, afirma a plenos pulmões que o que é preciso é estudar economia, gestão e "qualidade"? Será que ele lava os dentes? Ainda ontem V. Exa. permitiu que a opinião que se publica e o audiovisual envacalhassem a função pública sem distinções, nem dó, nem piedade. Parece que servir o Estado se tornou subitamente um pecado capital. Ou acha V. Exa. que se nos entregarmos nas mãos da "sociedade civil" e das empresas que vivem do Estado e dos impostos que os funcionários públicos e os trabalhadores por conta de outrem pagam (porque não têm outro remédio), empresas essas que declaram consecutivamente prejuízos fiscais e honorários dos seus administradores inferiores aos que eu pago à minha empregada doméstica, o país, digamos assim, "neoliberalizado" a partir da Expo e de Matosinhos, era mais próspero? Supõe ainda V. Exa. que precisamos de heróis avençados para nos explicarem o que já todos nós sabemos e que, por razões de oportunidade política, passaram hoje a vilões? Eles sempre foram assim, dr. Figueiredo, ou não sabia? O senhor "fixou" metas e imaginou que eles, os sábios, as iam cumprir. Então e a vidinha deles? Não são as presenças em "comissões" salvadoras da pátria que os safam. O senhor queria "resultados" em Novembro de 2005 e eles só lhe deram uma parte agora. O senhor queria outra parte dos resultados em Abril de 2006, e eles ainda nem sequer a começaram. Ah, dr. Figueiredo, desconfie sempre dos demasiado engravatados que, depois, acabam sempre a assoar-se à sua gravata. Finalmente os seus sábios querem que V. Exa. reduza para 45 dias o prazo para a conclusão dos concursos públicos. Concordo e ajudo-o com uns exemplos. Por mero desporto, em Maio último concorri democratica e legitimamente a três ou quatro lugares das chamadas "direcções intermédias". Entreguei o que me pediram e cumpri o que me exigiram ou, pelo menos, ninguém me notificou para adendas. Num deles, o método de selecção era a entrevista pública. Compareci. Um dos membros do júri era professor universitário, externo ao organismo. Só soube que o concurso já estava encerrado num corredor, por mero acaso e há poucos dias, e a pessoa escolhida- por sinal da "casa" - já enfiada no lugar. Consta que me calhou um honroso "bronze". Então e a lei e "Código de Procedimento Administrativo", perguntará V. Exa? Pergunte-lhes a eles, que são um organismo de "controlo". Claro que existem tribunais, mas não tenho a certeza se me apetece confiar-lhes os papéis para "administrarem a justiça" porque também não tenho a certeza se ela é bem "administrada". Para mau, já basta assim. Depois, entreguei mais três papeletas, se a memória me não falha, noutros organismos. Em cinco meses - 150 dias -, nem um murmúrio ou lista de admitidos ou excluídos. Nada. Um desses organismos foi dirigido por V. Exa. e agora tem uma magistrada do Ministério Público à frente. Naturalmente não espero dela outra coisa senão o cumprimento da legalidade. Quando é que a vai cumprir, é que, pelos vistos, não sei. Do meu, nem vale a pena falar. O "pecado" de ter estado fora uns anos redime-se, como V. Exa. bem sabe, com a eternização no mesmo lugar da carreira. Não gosto de falar de mim, mas também não aprecio falar do que não sei. Disto tenho a certeza. Mais, aliás, do que V. Exa. tem em relação ao que pediu à sua "comissão". Desculpe que lhe diga, mas é bem feito. V.Exa. tem no Estado pessoas com formação e experiência que o poderiam ter ajudado a não levar tudo tão insensatamente para o fundo e para a presente trapalhada do "trás-para-diante". Descanse que não sou eu, que, por não acreditar, seria sempre um mau elemento. Um "complicado", por assim dizer. Todavia, o que não falta por aí são "perfis de competência". Esta carta é uma forma delicada de lhe tentar fazer ver que, com o devido respeito, V. Exa. não vai a lado nenhum. Nem V. Exa., nem o governo de que V. Exa. faz parte. Nem, graças a Deus, o país que tem um dia glorioso dedicado exlusivamente à bola. Isto só é bom para safados e V. Exa. é um homem de bem e de recta intenção. Não perceba isso demasiado tarde.

Com a consideração e a estima pessoais do,

João Gonçalves

UM PROGRAMA PORTUGUÊS

João Gonçalves 26 Set 06

Depois de uma sessão dupla de Sexo e a Cidade, passo pela RTP, onde peroram os drs. Aznar, Ernâni Lopes e Dias Loureiro. Parece que o tema consiste nas relações Portugal/Espanha por ocasião da visita do Chefe de Estado aqui ao lado. Aznar, como Barroso e Guterres, pertence ao petit comité dos políticos sem vergonha na cara. O bem que fez pela Espanha desvaneceu-se naquele lance manhoso a propósito do atentado terrorista de 11 de Março, em Madrid, dias antes das eleições, o que lhe mereceu uma valente derrota por interposto Rajoy. Revelou um carácter. Agora, como não podia deixar de ser, é "administrador de empresa" do Grupo Murdoch. Ernâni Lopes é uma intermitência do regime que tem a mania da originalidade: consegue falar de "empresas portuguesas" sem se rir. E Dias Loureiro é o regime em permanência, no poder ou nas empresas. Na plateia está o resto. Babando-se provincianamente para o pequeno espanhol. Deputados, jornalistas, "empresários", sociedades de advogados, corporações, etc., e, mais uma vez, o outsider Medeiros Ferreira. A sra. D. Fátima "modera", com a sua proverbial ligeireza amaneirada e saloia (virou-se para os dois portugueses para se certificar se "isto" é uma das mais antigas nações da Europa e eles, significativamente, entreolharam-se no mesmo vazio). As "elites" deste regime estão praticamente todas reunidas naquela plateia da Casa do Artista. Alguém de boa-fé e com um módico de juízo pode rever-se nesta gente? Espero que os espanhóis, nos séculos XVI e XVII, tenham percebido definitivamente com quem se vieram meter. Se não perceberam, basta-lhes gravar este "Prós e Contras". A plateia é todo um programa.

LER OS OUTROS

João Gonçalves 26 Set 06

O Jorge Ferreira. "Como parece que para o sistema o que é importante não é a gravidade da coisa [ fuga de informação no interior da PJ a favor de Pinto da Costa] ter acontecido, mas sim o seu conhecimento pelos leitores dos jornais, deduzam já a acusação contra o jornalista..." Já lá diz o anarca (felizmente recuperado): neste país é carnaval todos os dias.

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