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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 17 Set 06

O Pedro Correia, "Domingo na Cidade".

GRANDES FRASES

João Gonçalves 17 Set 06


"Noi siamo forti."

Bento XVI, Angelus, Castelogandolfo, 17 de Setembro de 2006

BABOSEIRAS

João Gonçalves 17 Set 06

Aderi ao Kanguru, da Optimus, perdoe-se-me a publicidade. Tal permite-me estar em "tempo real" a ouvir baboseiras em qualquer lado. Como agora, por exemplo, em que a RTP -1 exibe as opiniões de Frei Bento Domingues sobre a "polémica" supostamente introduzida no mundo por Ratzinger. Cada vez que oiço ou leio este Frei - uma espécie de Melícias mais discreto e desprovido de BMW -, pergunto-me o que é que ele ainda está fazer na Igreja Católica.

NEM UM PONTO

João Gonçalves 17 Set 06

Vem aí novamente o horroroso "Compromisso Portugal" do dr. Carrapatoso. Numa "pré" do que vai ser a "conferência" dos ditos senhores, Alexandre Relvas, o "Mourinho" de Cavaco Silva, disse que vai falar mal do governo e pedir mais "reformas" (esta conversa das reformas começa a ser enjoativa sobretudo porque se perde a noção do que é uma verdadeira reforma). Isto é, Relvas vai provavelmente dizer o que Cavaco não pode ou não quer, para já, dizer. Acontece que o "Compromisso Portugal" é omisso no país. A não ser para os habituais "especialistas", Portugal vive bem sem o seu "Compromisso"e muito melhor sem as opiniões destes amáveis empresários. Cavaco não deve dar lastro a esta gente por muito que os estime. Não lhe acrescentam um ponto.

DA FRAGILIDADE HUMANA

João Gonçalves 17 Set 06


O João Morgado Fernandes foi buscar um artigo ao El País sobre Marilyn Monroe, ou melhor, sobre uma exposição em Paris que mostra, nos dias finais, o que sobrou de Monroe, aos trinta e seis anos. São as célebres fotografias de Bert Stern que ilustram a edição que possuo da "Marilyn" de Norman Mailer. O texto do correspondente do El País é ligeiramente tonto, à excepção deste bocado: "Para el espectador del 2006 que Marilyn se desnude no tiene ningún interés. Lo que nos impresiona es que vemos cómo se emborracha, cómo sus ojos dejan de fijarse en un punto concreto, como sus músculos se relajan bajo el efecto del alcohol y las pastillas." Dito assim, friamente, perde-se o essencial da mágoa daquela "beautiful child" que Marilyn foi. Para uma geração educada para a "felicidade", no fitness, nos sumos naturais, na corridinha matinal, no culto do corpo e no ódio ao fumador, é difícil entender que uma pessoa "de sucesso" fracasse às mãos da bebida e dos estupefacientes. Para essa geração - e o texto do jornalista espanhol é um bom exemplo do que digo - a fragilidade humana não pode ser exibida, nem sequer como uma imensa tragédia. Quando muito, consente-se o lado "cómico" da coisa, lá onde só existia dor e a irredimível vontade de lhe pôr um fim. Por isso, apetece-me terminar com as palavras de Mailer sobre Marylin.

"Marylin is gone. She has slipped away from us over the edge of the horizon of the last pill. No force from outside, nor any pain, has finally proved stronger than her power to weigh down upon herself. If she has possibly been strangled once, then suffocated again in the life of the orphanage, and lived to be stifled by the studio and choked by the rages of marriage, she has kept in reaction a total control over her life, which is perhaps to say that she chooses to be in control of her death, and out there somewhere in the attractions of that eternity she has heard singing in her ears from childhood, she takes the leap to leave the pain of one deadned soul for the hope of life in another, she says goodbye to that world she conquered and could not use. We will never know if that is how she went. She could as easily have blundered past the last border, blubbering in the last corner of her heart, and no voice she knew to reply."

DOIS EUROS E OITENTA

João Gonçalves 17 Set 06


Os oitenta cêntimos são para o "dvd". O resto é esquecível e não se percebe o que é que está ali a fazer. O caderno principal termina mais ou menos na página sete e só retoma na última página, com Cutileiro. Daí em diante é pura inanidade. A Única deixei de ler. E o Actual só leio por causa do Joaquim Manuel Magalhães e do José Manuel dos Santos (a sua melhor "impressão digital" até agora). Também já percebi que o Tabu do Sol vai pelo mesmo caminho da Única. No que me diz respeito, claro. Pena é que o Paulo Portas não escreva as suas "Ligações Perigosas" no primeiro caderno. Assentava-lhe melhor já que começou muito bem.

O RANCHO FOLCLÓRICO

João Gonçalves 17 Set 06

Quando fui buscar os jornais, passou por mim, com direito a motorizadas da PSP à frente, aquilo que deve ser "a marcha pelo emprego" do "Bloco de Esquerda". Umas dezenas de rapazes e de raparigas faziam o barulho que podiam, com pandeiretas, cornetas e bandeiras, e, como é da praxe, ninguém lhes ligou nenhuma. Vislumbrei o Dutra Faria do "movimento", o sr. Daniel Oliveira, e um deputado cujo nome não me ocorre. O BE nunca fez grande sentido "político" - se é que alguma vez fez algum - a não ser para tentar "evangelizar" a "esquerda". Só faz sentido folclórico. E nisso, garanto-vos, é exímio.

"NÃO TENHAIS MEDO"

João Gonçalves 17 Set 06


João Paulo II assentou o seu longo pontificado numa simples frase proferida na Praça de São Pedro, há quase 30 anos: "não tenhais medo, abri [escancarai, para ser mais preciso] as portas e o vosso coração a Cristo". Foi o bastante para, em poucos anos, o Papa polaco ter tido um contributo essencial para se acabar de vez com os falsos "amanhãs" que nunca cantaram no Leste da Europa. Raztinger juntou-se-lhe quase de seguida, e até ao fim, como prefeito para a congregação da Fé. Esta manhã, debaixo de uma chuva impiedosa, Bento XVI recitou o habitual "Angelus" e remeteu para o que tinha dito na véspera o "MNE" do Vaticano, lamentando "profundamente as reacções em alguns países a algumas passagens do [seu] discurso na universidade de Ratisbona, que foram consideradas ofensivas à sensibilidade dos muçulmanos". Depois falou do escândalo da Cruz e citou João, o único apóstolo que permaneceu aos pés do Senhor agonizante e de Maria, sua Mãe. Não se pode pedir ao Islão, que considera Jesus "apenas" mais um profeta, que entenda isto. O martírio do Filho de Deus permanece, para nós, cristãos - mesmos para os maus e pecadores como eu - o verdadeiro mistério que ilumina a nossa vida desesperada, a nossa razão céptica e a nossa morte certa. Não se pode pedir ao Islão que compreenda a angústia e o sofrimento redentor de um mero "profeta" que perguntou ao Seu Pai, antes de perecer misericordiamente por nós, "por que me abandonaste?". Raztinger, afinal, não pediu desculpa. Nem podia. Só lamentou o disparate. Como escreve Vasco Pulido Valente no Público:

"O papa já lamentou o equívoco, mas não pediu desculpa. Não podia pedir. Nem pelo incidente, fabricado pelo fanatismo e a ignorância, nem pelo teor geral da conferência de Ratisbona. Ratzinger insistiu que a fé não é separável da razão e que agir irracionalmente "contraria" a natureza de Deus. Não vale a pena entrar nas complexidades do assunto. Basta lembrar que desde o princípio (desde Orígenes, por exemplo) se construiu sobre a fé cristã um dos mais sublimes monumentos à razão humana e que o Ocidente, apesar da "Europa", não existiria sem ele. A fé muçulmana não produziu nada de remotamente comparável e, durante quinze séculos, sustentou uma civilização frustre e parada. A conferência de Ratisbona reafirmou a essência do cristianismo. Se o islão se ofendeu, pior para ele."

UMA QUESTÃO DE HIGIENE

João Gonçalves 17 Set 06


Tive a infeliz ideia de ir ao cinema. No regresso, fui abalroado pela canzoada que abandonava um estádio na 2ª circular, em Lisboa. Hora de ponta. O "pára-arranca" serviu para pensar por alguns instantes na bola. De acordo com o que li nos jornais de sábado, a "doutrina" divide-se entre criar "tribunais desportivos" e deixar ficar as coisas como estão. O dr. Rui Pereira, a sibila do governo para a justiça, tem uma opinião qualquer que não me ocorre. Já o senhor desembargador Pedro Mourão - que, para além de magistrado, é músico, já foi porta-voz do Conselho Superior da Magistratura e até director-geral - tem outra ou a mesma, não interessa, uma vez que preside ou presidiu - com o sucesso que se conhece - ao conselho disciplinar (parece que é assim que chama) da Liga do sr. Major (ou será da Federação do sr. Madaíl?). Finalmente o magistrado que manda nos magistrados - um crédulo, coitado - quer vê-los a todos fora de quaisquer ligações com a bola. Repare-se que todas as frases deste post são imprecisas e não evidenciam nenhuma certeza. O "mundo da bola", aliás, vive disso: de imprecisões e de incertezas que toda a gente aprecia que se mantenham. Até do lado do governo está o sr. Laurentino Dias que é a imprecisão em pessoa. Normalmente apresenta-se sempre receptivo a tudo, ao seu contrário e a nada. Tal como nas escolas, no futebol reina a indisciplina de alto a baixo. Talvez o "desporto" precisasse de uma Maria de Lurdes Rodrigues que pelo menos tentasse tirar o futebol do esgoto em que todos os seus protagonistas o meteram. Apenas por uma questão de higiene.

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