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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O MISTÉRIO DA CULTURA

João Gonçalves 15 Set 06

A sra. profª Isabel Pires de Lima que dirige, a partir do Palácio da Ajuda, o ministério da Cultura - uma extravagância que podia perfeitamente ser extinta - explicou ao país que tenciona devolver "às suas vidas" alguns dirigentes de organismos da casa, isto depois do PRACE (lembram-se?) entrar em vigor. Seja. No máximo, disse, cada instituição sob a sua tutela deverá ter "apenas" dois ou três dirigentes. Um dos que Pires de Lima entende que deve manter os três, é a secretaria-geral, precisamente o serviço onde até os elevadores pararam por falta de verba e por falta de imaginação. Depois seguem-se os "novos" organismos que resultam de fusões, e os teatros que adquirem a natureza jurídico-financeira de empresa pública. Sim senhor. Escusado será dizer que a "fonte" é sempre a mesma, mais os trocos do mecenato, uma coisa que não há meio de ser organizada com pés e cabeça: o orçamento de Estado. Por falar nele, a ministra avisou logo que 2007 vai ser de penúria para o seu esplendoroso sector. Assim sendo, vamos ver quem são os "gestores" que Pires de Lima mantém, manda para casa e vai buscar a outro lado qualquer. Eu, que dei para o peditório da penúria entre 2002 e 2003, esclareço que o exercício não compensa. Todavia, há sempre gente disposta a tudo e que, sem mudar nada, acompanha sempre as "mudanças". Palpita-me que Isabel Pires de Lima conta com eles.

A NATUREZA DE DEUS

João Gonçalves 15 Set 06


Joseph Ratzinger não profere uma única palavra que não tenha um propósito muito concreto. Assim foi na Universidade de Regensburg, na passada terça-feira. Se algumas dúvidas persistissem sobre a superioridade do Ocidente sobre a barbárie intelectual e política que se instalou, por conta do Islão, em muitos países islâmicos, as palavras de Ratzinger e a reacção primitiva que já estão a gerar, acabam com elas. Num notável discurso, Bento XVI resume, recorrendo à história, o fundamental. Não existem "conversões" forçadas. E não agir de acordo com a razão é contrariar a natureza de Deus. Daqui para diante, é mais da mesma parvoíce. Pedradas, bandeiras queimadas e patéticas indignações. Vamos ver como se porta o "ocidente" desta vez.

O VELHO INIMIGO DA REPÚBLICA

João Gonçalves 15 Set 06


Não tencionava voltar ao assunto. Contudo, um blogger que eu prezo, Filipe Nunes Vicente, escreveu sobre Mário Soares em termos* que me irritaram. Faz-me, aliás, impressão as "certezas" acerca do terrorismo e do EUA que brotam das esclarecidas cabeças lusas. Parece que descobriram recentemente a pólvora através da invejável lucidez de George W. Bush. Aliás, o mundo, desde que Bush é presidente, transpira segurança e bom-senso, não é verdade? Soares tem posições polémicas sobre a vida internacional? Terá. São mais perigosas para o mundo as impressões de Soares do que as decisões de Bush? Manifestamente não são. Para combater o terrorismo e "estar do lado certo", não é preciso pormo-nos em bicos-dos-pés e sermos daqui, da insignificante parvónia, mais "bushites" que os "bushites" americanos, cada vez mais prudentemente em menor número. Ou passa pela cabeça de alguém, no seu perfeito juízo, que Soares está do "lado errado"? Soares apresenta um método, discutível como qualquer método, para o problema. Bush, até prova em contrário, é "um" problema que acrescentou vários à já de si complicada situação internacional criada precisamente pela falta de um método para limitar e erradicar a ameaça terrorista. Soares fala com Chávez e sugere que se olhe de outra maneira para a Venezuela? Ele esteve lá, falou com o homem e, sinceramente, não é assunto que me tire o sono. Soares ficou subitamente interdito de opinar sobre o que se passa no mundo? Não ficou. Não só não ficou como vai a debate, o que o distingue imediatamente dos "bushites" de algibeira que por aí abundam. Faço a justiça ao Filipe de não ser um deles. Ninguém mais do que eu criticou aqui o dr. Mário Soares da terceira recandidatura. E não imagine o Filipe que é exclusivamente pela "biografia" do homem que apreciei a sua intervenção. Não é. É que parece que existe um temor reverencial subliminar em relação à administração Bush por causa do terrorismo, como se a criatura "nos" defendesse de alguma coisa. Como se viu a 9/11 e, agora, no Iraque e no Afeganistão, nem o seu país ele consegue defender do que quer que seja ou sequer é levado a sério. É bom para o mundo e para os EUA que Bush possa regressar o mais depressa possível ao seu rancho no Texas. E, neste desejo confessável, estou ao lado de Soares. E já que cita Gore Vidal, no livrinho que recomendei ele não fala de outra coisa senão de uma cleptocracia: "I think I' ve always had an up-close view of the death struggle between the American republic, whose defender I am, and the American Global Empire, our old republic's enemy". Eu também.

*"Caro João, Partilho da sua admiração pela biografia política de Soares, mas não compreendo por que razão o facto de ele ter sido "ocidentalista" enquanto muita dessa maltosa andava com o Mao enfiado nas cuecas, lhe confere agora uma luz especial. Uma estupidez ( por ex., achar Chavez um democrata ou babar-se com as inanidades de um fanático como Adamgy) é uma estupidez, independentemente da idade e da biografia de quem o diz. Pensei que você gostava de Gore Vidal...;)"

INCONSTITUIÇÃO

João Gonçalves 15 Set 06

O Prof. Gomes Canotilho, uma das maiores sumidades em direito constitucional da nação, num parecer pedido por um arguido do processo "Apito Dourado"- se calhar não é nem nunca foi - vem agora dizer que a legislação sobre corrupção na bola é inconstitucional. Valentim, Vieira, Veiga, Pinto da Costa, Vale e Azevedo, Madaíl, árbitros e companhia são, afinal, todos bons rapazes, graças à constituição. Se calhar nunca chegaram a existir. Começa a parecer-me que o que é verdadeiramente inconstitucional é a constituição.

SOL E SOMBRA

João Gonçalves 15 Set 06

Não assisti, mas soube que o arquitecto Saraiva esteve no "serviço público" a propagandear o seu "Sol". É natural. A RTP comporta o prof. Marcelo que o "Sol", por sua vez, também vai comportar. E do outro lado está o dr. Balsemão e a sua galáxia informativa centrada na SIC e no Expresso. O "Sol", quando nasce, não é para todos.

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