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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A VIA NACIONAL- COLOMBIANA

João Gonçalves 13 Set 06

Ler do Luís M. Jorge, Gaceta de Bogotá. "Cinco ou dez minutos em contacto com os nossos media chegam e sobram para chegar à mesma melancólica conclusão: Portugal inteiro, os seus políticos, os seus magistrados, os seus notários, o seu povo, continuam viciados na impunidade. Falam do exemplo finlandês, mas seguem o colombiano."

O MELHOR DO PIOR

João Gonçalves 13 Set 06

O partido do dr. Monteiro - juro, Jorge, que escrevi partido e não me ri - tem no Jorge Ferreira o seu melhor "corredor de fundo". É que ele lembra-se de coisas que às vezes nos escapam e que não deviam escapar. Como esta. Até o dr. Constâncio - sempre esta fatalidade pelo meio- veio cá para fora com as suas inconstantes previsões que tanta alegria deram ao dr. Teixeira dos Santos e ao primeiro-ministro. O poder das décimas, num país miserável, é verdadeiramente milagroso. Afinal, o pior é que estava para vir, ou era o melhor e depois o pior e, finalmente, o melhor depois do pior? Entendam-se lá.

JOACHIM FEST (1926-2006)

João Gonçalves 13 Set 06


Morreu, no princípio desta semana, o historiador alemão Joachim Fest. Fest pouco dirá aos nossos "contemporâneos" (é o que dá ser "muito antigo" aos quarenta e cinco) sobretudo porque, a haver traduções dos livros dele, são brasileiras. Estudou profundamente o III Reich e devem-se-lhe, entre outros textos, a monumental biografia de Adolf Hitler (que deu origem a um documentário televisivo intitulado "Hitler, uma carreira" que tenho para aí gravado), outra mais recente de Albert Speer (Speer - the final veredict) - o "arquitecto" do regime que Fest chegou a entrevistar - e o livrinho que suscitou o filme A Queda, Inside Hitler's Bunker (uso os títulos ingleses). Juntamente com Allan Bullock, também já desaparecido, Fest parece-me indispensável para "perceber" o nazismo e as suas principais figuras. Seguiu-se a biografia de Hitler de Ian Kershaw, em dois volumes da Penguin e, que valha a pena, não me ocorre muito mais. Talvez o "clássico" de A.J.P. Taylor, "The Origins of the Second World War", também na Penguin. Acreditem e leiam, que ficam bem servidos.

SÓ POR PERGUNTAR

João Gonçalves 13 Set 06

O José Medeiros Ferreira - parece-me que ele não leva a mal que o trate assim e não por "professor doutor", já que ainda hoje descobri que as "universidades" portuguesas ou coisas equiparadas, passam atestados de "professor doutor" a qualquer criatura que repita pela enésima vez a maior trivialidade em não menos de trezentas páginas - também viu o engº Sócrates a benzer-se na inauguração de uma escola no Algarve. Deu-me ideia que a ministra da Educação ficou interdita, sem saber bem o que fazer. Não foi, no entanto, a primeira vez que José Sócrates perpetrou, em público, o sinal da cruz. No tempo em que era ministro desse pilar do catolicismo social mundial que é António Guterres, também dei por ele a fazer esse gesto numa qualquer cerimónia pública. Eu, como mezzo credenti, devia aplaudir. Todavia, não aprecio confusões sobretudo vindas de quem quer ser "mais papista que o papa". Então o PS não quis a Igreja fora do protocolo de Estado? E não quis retirar os crucifixos das escolas? E "laicizar" os eventos públicos? Pergunto só por perguntar.

"NO MEU TEMPO É QUE ERA BOM"?

João Gonçalves 13 Set 06


Ainda o Bairro Alto. O JSA do blogue Estação Central - cheguei lá pelo Eduardo Pitta -, nascido depois de 1970, mas aparentemente com um misto de Floribella e de Noddy na cabeça, deu-lhe para escrever que eu "preferia actores" não sei bem para quê. Diz ainda que a "sedução mudou", que "os olhares são diferentes" e que "as calças deixaram de ser à boca de sino". Vamos por partes. Falei aqui de um Bairro Alto que conheci, de amigos com quem privei e que V. não tem nada que conhecer ou deixar de conhecer, e do que penso do actual estado do dito Bairro, estado esse que se tem agravado de há uns bons anos para cá. Também tive e tenho o prazer - noutros casos, o desprazer, mas a vida é mesmo assim, como, com o tempo e se a sua cabeça o permitir, aprenderá - de conhecer alguns actores e actrizes portugueses, da mesma forma que conheço muitos funcionários públicos, alguns jornalistas e políticos, e já tive três excelentes empregadas domésticas e dois cães. Sabe, há pessoas que têm biografia - pequenina ou maior, mas têm uma - e não vem mal ao mundo, mesmo quando o assunto não é a própria pessoa, "circunstanciar" o tema, qualquer tema. Leia as memórias ou a autobiografia de um tipo qualquer e verá que lá aparecem coisas que não interessam a ninguém a não ser ao autor que as viveu. Quando V. for vivo, vai perceber o que estou a dizer. Ao falar do Frágil, por exemplo, só posso mencionar o que lá havia quando lá andei. E, sim, havia actores que serviam bebidas, cantores que cortavam cabelos e actrizes que cantavam em cima de um piano. Da última vez que lá entrei, jurei para nunca mais. Primeiro, porque era difícil entrar. Mesmo em frente, ergue-se uma ex-tasca transformada no "Queen Club dos pequeninos ao ar livre", que entope literalmente a passagem. Depois, porque a frequência - mais estilo "Queen Club dos pequeninos do Barreiro" (não tem "charme para chegar ao Le Palace), agora dentro de portas - não se recomendava. Quanto à sedução ter mudado, é natural. Sempre e em toda a parte, les beaux esprits se rencontrent. Mesmo com copos de plástico na mão e ventosas no lugar das orelhas. Também, escreve V., "os olhares são diferentes". Então com que olhar ou com que olho específico se "olha"? Descreva lá a subtileza desses olhares para ver se me tenta. E leia o poema do Ary dos Santos ao Cesariny que lhe fará certamente melhor que qualquer "shot" instantâneo. Finalmente, o JSA está, afinal, desactualizado. Se existe coisa que regressou aos "modos modernos", foi a calça de ganga à boca de sino. Com um "toque" erótico que porventura escapou ao seu "olhar diferente". Deixa-se normalmente uns centímetros entre a calça e o umbigo, seja para que este se veja - ou algum adorno que ele contenha -, no caso delas, seja para que se pressinta uma masculinidade discutível mas acompanhada por uma boa marca de cuecas, no caso deles. "No meu tempo é que era bom"? Não sei se era. V. tem a certeza que agora é que é? Só sei que agora prefiro ficar em casa a ler livros ou ir à rua passear o cão.

Adenda: A ideia das "memórias", "frappée", é muito estimulante, João. Não se deve tentar o demónio.

CADA MACACO EM SEU GALHO

João Gonçalves 13 Set 06

É da natureza da democracia ser conflitual, não amolecer as diferenças e ter sempre uma porta ou uma janela alternativa aberta. Os "pactos" indiferenciam e misturam o que não é misturável "a bem da nação". Só que a nação não se "salva" por o regime "virar" pactício. Uma "união nacional" em democracia não deixa, nem por isso, de ser uma "união nacional". "Infantiliza" o regime em vez de o amadurecer. Ninguém vota em partidos ou em pessoas para se diluírem uns nos outros. O governo do engº Sócrates tem uma proposta "ideológica" para a segurança social que, bem ou mal, foi sufragada nas urnas. O dr. Marques Mendes tem outra e o dever de contestar a do governo. Não são dissolvíveis uma na outra apenas porque são dois tipos porreiros e preocupados com o "futuro". E Cavaco não tem de ter nenhuma e, sobretudo, não deve tentar transformar o líder da oposição no bonzo de serviço, anulando-o. Cada macaco em seu galho. Para conversa da treta, já basta a justiça.

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