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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

TOURADAS

João Gonçalves 7 Set 06


Na RTP - 1 há tourada. Cheia. Na SIC- Notícias há a "assembleia geral extraordinária" do clube do sr. António Fiúza, o verdadeiro "touro de morte" da saison. Também está cheia.

CRIANCISMO TRAUMATIZADO

João Gonçalves 7 Set 06


Já se percebeu que a menina Natascha Kampusch - a tal que andou desaparecida uns anos supostamente por conta de um doido - nada tem de perturbada (via-a na TVI com o ar de quem ia apresentar de seguida o "eurofestival da canção" ou ensinar uma receita típica austríaca). Sabe muitíssimo bem o que está a dizer e como dizê-lo, o que só abona a respectiva cabeça. Não lhe dou um ano para surgir o primeiro livro, um primeiro best-seller que, em Portugal, não escapará ao sempre inspirado dr. Pedro Strecht e a outros "especialistas" em criancismo traumatizado, uma modalidade que faz muito sucesso na segurança social e nos tribunais.

TRÊS TRISTES TIGRES

João Gonçalves 7 Set 06


Há pouco, na televisão, vi sentadinhos na mesma mesa, para a habitual conferência de imprensa, os dois senhores ministros Costa e o dr. Silva Pereira no meio. Só se ouviu o segundo Costa, o Alberto, a propósito do maravilhoso "pacto" sobre a justiça que o "bloco central" assina já amanhã. Interessante mesmo, era a presença do primeiro Costa, o António. Este Costa - e os jornalistas presentes na sala tinham a obrigação de saber isso - foi o último responsável político que "mexeu" a fundo no processo penal, quando, entre 1999 e 2002, foi ministro da Justiça. Bastava uma mísera questãozinha. O sr. ministro, apesar de ocupar agora outra pasta, mas sendo também ministro "de Estado", não está satisfeito com - nomeadamente - o sistema processual penal em vigor que é da sua quase exclusiva responsabilidade política? Ou a estabilidade e a segurança dos sistemas legislativos, algo que também devem ter ensinado aos senhores três ministros nas faculdades de Direito que frequentaram, são, afinal, digeríveis como galões e pastéis de nata? É que se o "pactozinho" é só para "tapar o sol com a peneira" e manter o essencial, mais vale ficarmos pela mesa do café.

ABSORÇÃO ABSOLUTA - 2

João Gonçalves 7 Set 06

A contagem de hectares chamuscados pelos incêndios, é das coisas mais divertidas dos últimos tempos, não fosse dar-se o caso de se tratar de uma tragédia. Não fico admirado. Já com os mortos em acidentes de automóvel é também a "estatística comparativa" que interessa. "Houve menos um, dois, três ou trinta" do que "em idêntico período do ano transacto", reza quase sempre assim a missa burocrática. Com lucidez e humor - é bom que o Paulo comece a não levar tudo excessivamente a sério porque só se deve levar a sério aquilo e quem merece respeito (uma minoria de coisas e de pessoas) - o Paulo Gorjão "desmonta" a estatística oficial dos incêndios, uma praga que é já praticamente uma instituição dado que ninguém, deste ou de outro governo, lhe consegue pôr termo. De acordo com as fontes que o Paulo cita, "o governo está de parabéns", nesta matéria, porque as "novas estratégias de combate [que introduziu] e [por ter] reorganiz[ado] e reequip[ado] o sector" (...), tudo isso permitiu obter resultados semelhantes aos de 2001, sem estas estratégias, organização e equipamento." Olha que felicidade! É que em 2001, reinavam os actuais "bombeiros" e não deve ser, pois, por acaso que os mesmos chamam o mesmo à colação. É o que eu venho dizendo: a maioria absoluta absorve tudo absolutamente. Até os fogos.

RENTRÉE PAPAL

João Gonçalves 7 Set 06

O Santo Padre, ontem, na Praça de São Pedro, no Vaticano. Valha-nos, ao menos, ele.

VÃO-SE FODER

João Gonçalves 7 Set 06


Enquanto o regime prepara mais um "pacto" inútil sobre a justiça, sob o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República, o Tribunal da Relação do Porto mandou para casa, com o aval da Segurança Social, o "jovem" que, no "caso Gisberta", tinha sido "violentado" com a "pena mais pesada" (não se riam) : 13 meses de internamento num "centro educativo", que é a designação que este regime, também ele de "brandos costumes", arranjou para os antigos reformatórios. É que entretanto expirou o prazo máximo da "medida cautelar" - repare-se na leveza do termo para não causar "traumas" às "crianças" - enquanto decorre o prazo para a decisão de um recurso interposto pela defesa. Nas palavras do advogado de defesa - este, sim, a cumprir a sua obrigação perante um Estado leviano, preconceituoso e medíocre- "como já se tratava de uma renovação da medida e a lei não admite segunda renovação, o menor foi libertado a 24 de Agosto". Pela calada do verão, acrescento eu. Mas a insanidade do regime não pára aqui. A Segurança Social, cuja qualidade das "avaliações" é conhecida em todo o mundo, decretou que o "jovem" podia perfeitamente regressar ao seio da família que, de acordo com os doutos técnicos, já apresenta "condições" de o receber. Pelos vistos, as Oficinas de São José - que já deviam estar encerradas e seladas -, não as têm (alguma vez tiveram?). No meio desta salganhada vergonhosa, quer para o Estado, quer para a magistratura, esquecemo-nos - eles esqueceram-se desde o primeiro instante - que havia uma pessoa no processo, torturada e finalmente assassinada por uma matilha criminosa a que, candida e hipocritamente, a lei e o sistema tratam como "jovens em perigo". Na notícia sobre o "pacto" na justiça - que nenhum borra-botas que se preze deixará de elogiar - pode ler-se que "foi dado como certa a aprovação conjunta de legislação que torne mais acessíveis os tribunais superiores, no sentido da sua maior democratização e de uma maior abertura aos cidadãos." É sempre no silêncio insensível dos gabinetes prenhes de gente cinzenta e sem mundo que se prepara a "aprovação conjunta de legislação" e, claro, sempre "no sentido da sua maior democratização e de uma maior abertura aos cidadãos"". Ao olhar para esta falsa sofisticação "democrática" e, depois, para a crua realidade, só resta uma conclusão: vão-se foder.

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