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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A POCILGA

João Gonçalves 4 Set 06

Para quem quiser saber o que é Portugal, no ano da graça de 2006, basta ligar a RTP -1 que, na sua qualidade de "serviço público", exibe o regime no seu esplendor e miséria. A sra. D. Campos Ferreira voltou aos seus "Prós&Contras" eminentemente "pedagógicos" e, como lhe competia, começou pelo futebol. O sr. Major, o sr. Madaíl, o sr. Laurentino e, last but not least, essa pérola do "barrosismo" que é o dr. Arnaut - não esquecer que foi condecorado pelo presidente Sampaio pelos altos feitos prestados à nação aquando do Euro 2004 - estão "frente-a-frente" a debater o "futebol português". Sem o sr. Fiúza - não sei se estará presente ou em espírito - a coisa não tem tanta graça. De qualquer maneira, aquele quarteto basta. Não há meio de se ver o fundo à pocilga.

ROSA

João Gonçalves 4 Set 06


Este post é um bocado reaccionário. Ando a ler Rosa Montero, a tal "A Louca da Casa", e cada vez mais me convenço de que não existe esse disparate denominado "escrita no feminino". Há homens que escrevem como mulheres, há mulheres que escrevem como homens e, finalmente, há escritores. Montero é um escritor. E tinha de ser meridional.Tem graça, tem garra, tem classe, tem espírito, é culta e cosmopolita, enfim, vê-se que não se limitou a sobreviver. Vive. Não é uma panhonha mal resolvida, nem uma melancólica mal fornicada. É uma mulher que podia ser um homem , e vice-versa, como no poema do Cesariny. Como é que se pode ler a Rebelo Pinto aos molhos, com os seus casalinhos "normais", previsíveis e acéfalos, quando temos à mão uma escritora como Rosa Montero? E já agora, a "louca" é a imaginação, uma coisa que não abunda na "literatura" portuguesa. Nem no país.

A DIREITA E A PAX SOCRÁTICA

João Gonçalves 4 Set 06


O "debate" em curso - consta que tem a veleidade de ser um debate - acerca da "direita", parece promovido a partir do Largo do Rato. Dá ideia que o "imperador" Sócrates mandou avançar as pequeníssimas tropas de periferia para garantir sossego onde lhe interessa que ele exista. Felizmente o país ignora quem sejam Pedro Ferraz da Costa, o afável dr. Monteiro e, também, em grande velocidade para o anonimato, o dr. Ribeiro e Castro. Com O Independente morto desde há anos - era apenas um cadáver adiado -, com o Semanário como mero delírio privado do Rui Teixeira Santos, com os restantes "semanários" e "diários" rendidos ao "bloco central", descontando uma pequena picardia aqui ou ali, e com as televisões absortas pelo último crime em Alguidares de Baixo e pelo sr. Fiúza, resta esperar tranquilamente, e em outras tarefas, que o país - e o que sobra do "original" PS - se farte do engenheiro. Dali não se deve esperar nenhuma trapalhada à la Santana Lopes. Os drs. Pereira, Costa, Santos Silva e um obscuro Filipe Baptista, secretário de Estado Adjunto do PM, asseguram a pax socrática. E as ligações "comerciais" que unem as figuras do regime umas às outras, independentemente do partido a que pertencem, fazem o resto. O caminho dos "acordos" pontuais com o governo que Marques Mendes propôe, esbarra apenas com o sorriso complacente dos pretorianos de Sócrates. É claro que Mendes não propôe o que propôe em vão. Se, daqui a três anos, as "metas" do governo não tiverem passado do "powerpoint" (como eu acho que não vão passar porque a miséria oculta é mais do que muita, desde o "estado à "sociedade civil"), Marques Mendes deve, então, explicar exactamente isso e por que tinha razão. Uma vitória de Pirro em 2009 é o bastante para abalar os fundamentos da pax socrática. Cavaco não mexerá uma palha neste primeiro mandato. E só ele poderá - no caso de uma segunda legislatura sem maioria que revele mais claramente a propaganda e menos a "obra" - fazer alguma coisa. Até lá, tudo o que seja "pensar a direita" é "pensar pequenino" e fazer fretes desnecessários a Sócrates. Sócrates não é de esquerda nem de direita e despreza a "ideologia".Vejam lá se ele perdeu um segundo, uma vez alcançado o poder, com a "esquerda moderna" com que tomou conta do partido. De vez em quando manda o dr. Vitorino apascentar umas "novas fronteiras" temáticas para dar a ideia que "debate". Uns "estados gerais da direita" seriam, neste contexto, um logro cómico se não fosse trágico. Mostrariam definitivamente ao país que a "direita" está num estado tal que não se recomenda.

PRIMEIRO ENTRANHA-SE, DEPOIS ESTRANHA-SE

João Gonçalves 4 Set 06


Raquel Henriques da Silva foi a presidente do Instituto Português de Museus durante uns bons anitos. Deixou obra - parece - e sabia - também parece - o que estava a fazer. Numa entrevista que apanhei ao acaso numa revista de "arte", Raquel coloca uma questão interessante. O Estado não tem dinheiro - por exemplo, vinte mil euros para um museu - e, de repente, arranja quinhentos mil para "comprar arte" que vai anafar a já anafada "colecção Berardo". A ex-directora também discute a inserção da dita "colecção" no CCB e manifesta-se muito crítica em relação ao governo em matéria que ela conhece. O curioso é que constava por aí que Raquel Henriques da Silva poderia substituir Isabel Pires de Lima na Cultura, um dia qualquer. Das duas uma. Ou Raquel enunciou um "programa", mesmo com a discrição de uma revista temática, ou Raquel percebeu que a "cultura" dificilmente irá a algum lado nos próximos tempos. O que não deixa de ter graça. Este governo suscita, mesmo aos próximos, um sentimento curioso: primeiro entranha-se, depois estranha-se.

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