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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

ALGUMAS PALAVRAS

João Gonçalves 1 Set 06


O Agosto, agora terminado, recorda-me sempre o primeiro encontro com o Joaquim Manuel Magalhães. Foi na defunta Ferrari, à Rua Nova do Almada, agora "travestida" por prête-à-porter do pior e do mais rasca. Ia escrever para o Semanário um primeiro artigo e meteu-se-me na cabeça que tinha de ser sobre o Joaquim. Foi e não foi. A "base" da conversa - e, depois, do texto - esteve no "Os Dois Crepúsculos - sobre poesia portuguesa actual e outras crónicas", uma edição da Regra do Jogo que custava, para o aluno universitário que eu era nessa altura, uma fortuna, 480 escudos. Estávamos em 1984. Passaram estes anos todos sobre nós, e muita gente e lugares se destruíram entretanto. O Joaquim escreve como eu gosto, ferozmente. Na poesia, como no ensaio, não é consensual. Não integra - nunca integrou - nenhuma corte e despreza, como se deve desprezar sem desfalecimentos, a mentalidade normativa própria dos aborrecidos e dos néscios. É praticamente a única razão que me leva a continuar a ler, do Expresso, o indigente suplemento "intelectual" onde pontifica o António Guerreiro que - dizem-me- esperou até ao último minuto um telefonema do "astro-rei" para dar o "salto". Como sou preguiçoso, recorro à Isabel para a transcrição que se segue. Em "algumas palavras", o Joaquim, através de um poema de José Miguel Silva, "descreve" o regime tal qual ele é. E tal qual permitimos que ele fosse.

"Compram aos catorze a primeira gravata com as cores do partido que melhor os ilude. Aos quinze fazem por dar nas vistas no congresso da jota, seguem a caravana das bases, aclamam ou apupam pelo cenho das chefias, experimentam o bailinho das federações de estudantes. Sempre voluntariosos, a postos sempre, para as tarefas de limpeza após o combate. São os chamados anos de formação. Aí aprendem a compor o gesto, a interpretar humores, a mentir honestamente, aí aprendem a leveza das palavras, a escolher o vinho, o sim e o não mais oportunos. Aos vinte já conhecem pelo faro o carisma de uns, a menos valia de outros, enquanto prosseguem vagos estudos de Direito ou de Economia. Começam, depois disso, a fazer valer o cartão de sócio: estão à vista os primeiros cargos, há trabalho de sapa pela frente, é preciso minar, desminar, intrigar, reunir. Só os piores conseguem ultrapassar esta fase. Há então quem vá pelos municípios, quem prefira os organismos públicos – tudo depende do golpe de vista ou dos patrocínios que se tem ou não. Aos trinta e dois é bem o momento de começar a integrar as listas, de preferência em lugar elegível, pondo sempre a baixeza acima de tudo. A partir do Parlamento, tudo pode acontecer, director de empresa municipal, coordenador de assessor de ministro, ministro, comissário ou director-executivo, embaixador na Provença, presidente da Caixa, da PT, da PQP e, mais à frente (jubileu e corolário de solvente carreira), o golden-share de uma cadeira ao pôr-do-sol. No final, para os mais obstinados, pode haver nome de rua (com ou sem estátua) e flores de panegírico, bombardas, fanfarras e formol. "

"INTERESSE PÚBLICO"

João Gonçalves 1 Set 06


Madaíl invoca (ou vai invocar) "interesse público" para o campeonato prosseguir. Quando estudei direito, não me lembro de nenhuma associação do futebol à ideia de interesse público. Como estudei quase só por livros de direito público do "antigamente", talvez não consiga enxergar a inserção do conceito na chamada "civilização democrática". Todavia numa coisa Madaíl tem razão. É do interesse do regime que a bola se revista de interesse público. Enquanto o Madaíl e acólitos vão e vêm, é como se não houvesse mais nada. Se calhar não há mesmo, a não ser lixo como o da foto, largado "civilizadamente" em cima do passeio.

Adenda: Ler este post com uma "frase" histórica de Madaíl - "apesar das pessoas afirmarem coisas que deviam afirmar, mas enfim a gente compreende". Compreendem?

O VERDADEIRO

João Gonçalves 1 Set 06


Este é o verdadeiro. O meu labrador. Chama-se Bruno. Apesar de oportunista, é uma excelente pessoa. Aliás, é dos poucos seres que me merece alguma consideração, à excepção dos meus amigos, contáveis por ambas as mãos, uma das quais decepável.

LENDO OUTROS

João Gonçalves 1 Set 06

O Francisco Trigo de Abreu fica insuportável quando a bola o invade. Por que é que ele não segue antes esta via, aquela em que todos, sem darmos por isso, tropeçamos uma vida inteira:

"Morrerei de amor (esse punhal que me matou até virar bala que me matou outra vez) outra vez?"

O MANIFESTO

João Gonçalves 1 Set 06


Não disse, nem vou dizer nada acerca do Manifesto da Direita em Portugal por duas razões muito simples. A primeira, tem a ver com os seus autores, de quem sou amigo há anos. A segunda, porque se e quando decidir voltar a vidas partidárias, regresso ao PSD, o lugar por onde tudo o que diz respeito à "direita" tem forçosamente de passar. Inclusive, ler com a devida atenção este Manifesto.

O HONORÁVEL HEBDOMADÁRIO

João Gonçalves 1 Set 06

Como já toda a gente fez questão de sublinhar, o encerramento de O Independente é um ponto de chegada. Não que "este" Independente tivesse alguma coisa que ver com o que ele representou no passado, entre o final dos anos oitenta e o "guterrismo". Muito da redacção dos últimos tempos andava de bibe quando Portas e Helena Sanches Osório procuravam destruir metodicamente o "aparelho cavaquista" e chamuscar Soares por causa de Macau. A dada altura, o país e Cavaco, cansados um do outro, despediram-se por uma década. Rapidamente o amortecedor Guterres tomou conta das coisas. Sampaio não contava. O Independente deixou de ter um "inimigo de estimação" e, como tal, a saliva e o dinheiro foram-se esgotando. Como o regime, O Independente foi perdendo a graça. Constituiu a rampa de lançamento de uma certa direita que aproveitou o poder que Guterres lhe depositou no colo, à borla, para se estatelar aos pés de Sócrates e, ironicamente, de um Cavaco incontornável. Entre os "mentideros", algumas "elites" e o poder, O Independente fez a sua pequena história. Daqui a uns dias, como é hábito, já ninguém se lembrará deste honorável hebdomadário. Rua afora, o "novo" Expresso já promete "dvd's" de borla durante umas semanitas, as que coincidem com o lançamento do Sol do arquitecto Saraiva. Como nos astros, tudo gira agora à volta do Sol. O que significa que, mesmo depois de O Independente - que, apesar de tudo conheceu momentos de alguma sofisticação - os media continuam pouco mais que primitivos. A "bíblia" do regime segue em frente. Entre o "antigo testamento" - o Expresso - e o "novo testamento" - o Sol -, venha o Diabo e escolha.

LAURENTINO

João Gonçalves 1 Set 06

Para abrilhantar isto, só faltava o sr. Laurentino Dias, o homem do Desporto no governo. Ficou muito contente porque a Liga e a Federação, ou seja, o sr. Major e o sr. Madaíl "convergiram". Eles convergem, sim senhor. E Laurentino converge com eles. Todos para o mesmo atoleiro em que enfiaram a bola. Parece-me que este espectáculo sórdido e medíocre só tem uma saída. Imagino que ainda haja formas de vida inteligente na FIFA.

GOSTOS

João Gonçalves 1 Set 06

Nem tudo no governo são "clusters" grandiosos, como aqueles que o dr. Pinho ou o dr. Lino apresentam, de vez em quando, em "powerpoint". Qualquer dia convinha perguntar-lhes o que é feito deles. Também existem "clusters" para os pobrezinhos e para os "agarrados". Correia de Campos, talvez por causa do "sentido social" que o acompanha, já prometeu que, se as entidades "competentes" não avançarem com as "salas de chuto", ele mesmo - o governo - ou o Parlamento o farão. O que vale é que no executivo existem prioridades para todos os gostos Mesmo para o mau.

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