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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

LENDO OUTROS

João Gonçalves 30 Ago 06

Que é só um: "Erudição Desperdiçada" e "Lolitas".

"Ninguém me tira da cabeça que a nossa predilecção por mulheres pequenas revela uma tendência nacional para a pedofilia: as bonequinhas da mitologia local, baixinhas, maneirinhas, jeitosinhas, como as sardinhas, devem ter quatorze anos e gostar muito de calipos. Será que uma parte dos homens portugueses inveja aquele austríaco que prendeu uma menina no quarto para dela extrair satisfação sexual? Sonharão com uma cave repleta de gaiatas impúberes a quem possam dar umas nalgadas antes do jantar? A sobriedade com que a imprensa lusitana tratou este assunto pareceu-me comprometedora - se tiver paciência, hei-de voltar a ele."


Volte, Luís, a "macheza" lusa precisa ser "descascada".

PARA ALÉM DELA

João Gonçalves 30 Ago 06


Há pessoas que já devem estar a armazenar lenços de papel para limpar as mãos. Todavia, no novo filme de Brian de Palma, "A dália negra" (estreia cá em Outubro), baseado na obra homónima de James Ellroy, há mais vida para além da já quase inevitável Scarlett Johansson. Em loira e em mamas, não haja dúvida que é do melhor que há. Para quem gosta, naturalmente.

O PROFISSIONAL

João Gonçalves 30 Ago 06


O "cluster eólico" - utilizo o termo do "plano tecnológico" - foi prejudicado no seu imparável caminho de sucesso porque a Iberdrola interpôs um recurso hierárquico da decisão da comissão que trata do assunto, a qual escolheu as propostas da GALP e da EDP. Apesar de andarem todos mais ou menos misturados- saem de um lado, entram no outro e, quando são ministros, nomeiam "gestores" que já foram ministros e vice-versa -, na Iberdrola ("ramo" português") manda o dr. Pina Moura. O dr. Pina Moura é, para além disso, deputado do PS e membro da linha "socrática" em vigor, apesar de, muito antes disso, ser o único membro da sua própria "linha". Como tal, o irrelevante dr. Manuel Pinho deve suscitar-lhe o maior dos ascos. E, nada melhor que a sua Iberdrola, para o exibir. Pina Moura é um profissional. Foi-o anos a fio no PC e na "linha dura", como não podia deixar de ser. Consta até que Cunhal acarinhava vagamente a ideia de ver Pina Moura a empunhar cada vez mais alto a "rubra bandeira". Naquele congresso extraordinário da Amadora, de 1986, em que Cunhal pediu aos comunistas para taparem a cara de Soares e votarem nele, lá se vê o camarada Moura de volta de uns papéis, na primeira fila, a votar de braço no ar. Logo de seguida, e enquanto o Muro de Berlim caía e não caía, uma rapaziada mais "aburguesada" foi-se aproximando do PS, à excepção da Zita Seabra que fez um "salto mortal" directo ao PSD. Uns foram saindo em grupelhos inócuos, outros saíram sozinhos e quase todos foram expulsos. O PS abocanhou a maioria. E Pina Moura, com o traquejo estalinista de anos feito, abocanhou, assim que pôde, o católico Guterres de cujo lado direito não abdicou até o ver em S. Bento. Conta-se que era o último a sair do Rato e o primeiro a aparecer no dia seguinte, quando não ficava por lá. Foi o tempo do velho profissional se transformar no "cardeal". Como era de prever, esteve nos governos do referido engenheiro. Acabou a acumular duas pastas - as Finanças e a Economia - até ao dia em que Guterres o "entalou" no Parlamento, jurando que não ia aumentar a gasolina. Ele e a sua amiga Manuela Arcanjo perceberam rapidamente que o barco estava prestes a afundar-se. Nem um, nem a outra estavam lá quando Guterres se descobriu no "pântano". Com os "conhecimentos" adquiridos nas pastas que ocupou, Pina Moura tratou, naturalmente, da vida dele. Depois de comunista, socialista e quase religioso - coisa que, na verdade, nunca deixou de ser -, o profissional apareceu como empresário. Criaturas como Mexia e outras do mesmo género que navegam nas empresas energéticas, são um produto da fina inteligência do delfim do dr. Cunhal. Pina Moura, às tantas, era o "bloco central" personificado para estas áreas interessantes de acompanhar à distância. Era e é. A via espanhola evidencia uma ambição desmesurada. Ao pé de Pina Moura, o dr. Pinho é um menino de coro que nem sequer sabe cantar. Devia aprender a não se meter com profissionais.

UM MANDARIM INTELIGENTE

João Gonçalves 30 Ago 06


Tenho estima pessoal por Ricardo Pais que conheço há quase vinte anos. Ricardo é um criador talentoso e um indiscutível homem de teatro que fez coisas bem divertidas e sérias, desde a Gulbenkian, a Viseu, de Lisboa ao Porto, nos teatros nacionais, na Casa da Comédia ou no Frágil. É, como lhe compete, vaidoso. Tem um umbigo tão grande como o seu talento. Foi director do Teatro Nacional de São João no tempo de Carrilho. Na sua magra prestação como ministro, o sr. Sasportes removeu-o para a secretaria-geral do ministério da Cultura como "assessor". Roseta, numa das suas raras descidas à terra, repescou-o de novo para o São João. E ali tem permanecido - estoicamente, segundo ele - como director e director artístico. Numa entrevista surrealista que concedeu ontem ao Público (sem link), Pais afirma-se "mais duradouro do que os governos" e, também como lhe compete, "morde" nas mãozinhas que anteriormente (antes de Pires de Lima) lhe deram, bem ou mal, de comer. Tem razão. Como prémio pela "persistência" e pela gestão "equilibrada" dos seus silêncios e falas, vai ser o presidente do conselho de administração da entidade empresarial pública TNSJ. Esta fantástica "nova" entidade é, naturalmente, mais do mesmo, ou seja, paga a partir do orçamento de Estado, das receitas do Teatro e de algum mecenas. Lida a entrevista, parece que Ricardo Pais anda, há anos, a fazer um grande favor à pátria por existir. De Rui Rio, já que Pires de Lima foi metodicamente posta no bolso do casaco do encenador, Pais diz o politicamente correcto: mal. Provavelmente também queria o Rivoli e o mais que lhe caísse no colo. Há, em quase todos os "criadores" da democracia, um "lado" "Almada Negreiros dos pequeninos". O Estado e os responsáveis políticos são péssimos, mas é bom que eles existam e que paguem bovinamente as continhas e as subtilezas dos "criadores", garantindo ao regime um módico de "qualidade" de vida "cultural", obviamente avaliada pelos próprios. Ricardo Pais é, apesar de tudo, um mandarim inteligente. Não queira, no entanto, fazer dos outros parvos.

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