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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

TRANSIÇÕES

João Gonçalves 18 Ago 06

"Cuba é hoje um cadinho fervilhante de ideias sobre a transição". Esta pérola pertence ao professor doutor Boaventura Sousa Santos que, desde tempos imemoriais, "observa" a Justiça portuguesa. Boaventura, o mais famoso sociólogo coimbrão, é, como se sabe, politicamente inconsequente. Apesar da aturada investigação universitária a que se dedica, ainda não conseguiu, nesta matéria, sair de uma idade primitiva. Para ele, os "amanhãs" continuam cantáveis, de preferência em lírica rimada. Boaventura devia saber que, numa ditadura, e, sobretudo, numa ditadura com as características da "castrista", ter ideias fora do cânone é uma infâmia punida com o desterro ou a prisão. Logo, ninguém imagina - a não ser, pelos vistos, ele - que em Havana possa existir "um cadinho fervilhante de ideias" e, muito menos, qualquer "transição". Alguém concebe Fidel Castro em "transição" para outra coisa que não seja a sua privativa nomenclatura? Boaventura, como muitos "intelectuais" espalhados pelo mundo, teme pela saúde da Cuba "castrista" e não propriamente pela felicidade dos autócnes. Afinal, e a esta conveniente distância, que diferença faz uma democracia a mais ou a menos na contabilidade "sociológica" do nosso distinto académico?

Adenda: "Les beaux esprits se rencontrent"

NÃO É FÁCIL DIZER BEM

João Gonçalves 18 Ago 06


Um dos meus blogues preferidos, o Esplanar, mudou de dono. Quer dizer, não mudou propriamente, mas o lamentável silêncio do João Pedro George fez com que o blogue partisse numa direcção inesperada. Está praticamente transformado no blogue de Carlos Leone (na foto), cuja "identidade" é revelada numa entrevista que concede ao guru Mexia, no suplemento "cultural" das sextas-feiras do Diário de Notícias. Leone escreveu um livro em dois tomos, intitulados respectivamente "Portugal Extemporâneo - história das ideias do discurso crítico moderno" e "Portugal Extemporâneo - história das ideias do discurso crítico português no século XX" (INCM). Percebe-se um pouco do propósito aqui. Não quero avançar muito sem, se for o caso, ler os referidos tomos, em especial o segundo. Todavia, as visitas que efectuo ao Esplanar e o "tom" do autor, permitem-me fazer umas breves - e desavergonhadas, provavelmente no entender de Carlos Leone - considerações. O ensimesmamento - eu sei, é terrivelmente "pradocoelhiano" - do exercício crítico, seja nas "ideias", seja, em concreto, no território literário, em vez de aproximar os "leitores" da "letra", só contribui para eles prudentemente se afastarem. Os "críticos" adoram explorar umas polemicazinhas entre si e, se possível, acompanhar o exercício com carícias alternadas com coices. Por exemplo, merecer a honra de ser entrevistado, lido e babujado por Pedro Mexia, coloca qualquer "intelectual" português contemporâneo à beira de um orgasmo. Se a coisa puder ser aconchegada com um texto "amigo" sobre a "obra", a consagração é definitiva. Nessa matéria, este suplemento do DN é, como se sabe, insuperável. Basta ler o "velho" Esplanar. Uma das graças que tem o João Pedro George é ser refractário à "capela" e à norma o que, num país de invejosos e de compulsivos analfabetos, lhe deve causar dano certo. Já Carlos Leone me parece que se leva demasiado a sério, indo ao ponto de misturar alhos e bugalhos com a sua (já) imensa vaidade. Ao contrário dele, talvez imaginando-se o Steiner luso, não julgo que os blogues sejam necessariamente "do mesmo de sempre, agora com textos cada vez mais curtos (o digital permitia dispor de mais espaço, ainda se lembram do que se dizia no início?), para gente cuja experiência de escrita e de leitura se faz por mensagens de telemóvel que se escrevem sozinhas." Fale por si, Dr. Leone, se fizer favor. Dito isto, parece-me que o Esplanar perdeu a alma. É isso. Não é fácil dizer bem.

O REGRESSO...

João Gonçalves 18 Ago 06

... do freteiro.

OS IMPREVISÍVEIS

João Gonçalves 18 Ago 06

Com que então "a prevenção do incêndios só produz efeitos a médio e longo prazo"? Se Jaime Silva, o ministro da Agricultura, não se pôe a pau, o dr. Costa faz-lhe o mesmo que fez ao dr. Campos e Cunha. Já no tempo de Guterres, esse sage chamado Jorge Coelho fartava-se de chamar a atenção para os "independentes". São, por assim dizer, imprevisíveis.

O SERVIÇO PÚBLICO

João Gonçalves 18 Ago 06


Depois de uma entrevista parvinha da Judite de Sousa à ainda muito bonita filha de Marcello Caetano, Ana Maria, a RTP brindou os espectadores com um "documentário" sobre o antigo chefe do Governo. Tratou-se de uma coisa preparada com os pés, com uma edição medíocre e um "guião" escrito, para não ser mal educado, por gente impreparada e arrivista. A geração que não conheceu Caetano, fiocu ligeiramente na mesma ou pior. Retenho uns "momentos" ilustrativos do que digo. Como se isso interessasse para alguma coisa, o documentário referiu a presença do professor no Teatro de São Carlos quando a Callas lá foi cantar, em 1958. Segundo os guionistas, assistiu a uma récita da "Aida", de Verdi. Errado. Foi "La Traviata", do mesmo Verdi, um dado facílimo de obter. Depois, lá mais para diante, chamaram à "Acção Nacional Popular" - o "movimento" do "marcelismo" que substituiu a "União Nacional" -, a "Assembleia Nacional Popular". Finalmente, o período correspondente ao exílio de Caetano no Brasil, até à data da sua morte, em 1980, foi "passado" a correr, sem nenhuma referência à correspondência trocada com amigos durante esse tempo ou a intervenção de alguém que pudesse testemunhar essa época tão pouco evocada. Mesmo que os rapazes fossem maoístas, por causa da "assembleia nacional popular", a televisão pública prestou, com este documentário, um péssimo serviço público. Mais valia terem estado quietos.

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