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portugal dos pequeninos

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FOGO

João Gonçalves 14 Ago 06

Há três anos, por esta altura, o ministro era o dr. Figueiredo Lopes, do dr. Barroso. No ano seguinte, Santana Lopes escolheu Daniel Sanches. Nos últimos dois anos, tem sido o dr. António Costa, coadjuvado por um batalhão de secretários de Estado - um dos quais ex-comentador televisivo - e um subsecretário de Estado. Estas três estimáveis criaturas têm em comum os incêndios e a mesma incapacidade de lidar com eles. Figueiredo Lopes "fundiu" o Serviço Nacional de Bombeiros e a Protecção Civil criando uma trapalhada em que se afundaram sucessivos presidentes do novo instituto público. Daniel Sanches "apanhou" as coisas como elas se encontravam e, naturalmente, com a costumada época de fogos indomáveis. António Costa, finalmente, mudou os homens, manteve as "estruturas", arranjou um avião e deu garantias - ainda este ano - que tudo seria diferente. Não foi. Não está a ser. Não só não foi, como procurou que os media fossem "moderados" na exposição da catástrofe o que só serviu para os "animar". Não sei se não será preciso "apoio psicológico" - uma modalidade muito em voga por tudo e por nada - para as pessoas que ocupam o cargo de ministro da Administração Interna. É que juntar na mesma barca o referido instituto público, os seus múltiplos coronéis e comandantes, os e as (são muitas raparigas socialistas...) governadores civis, os javardos que estragam as matas e as florestas, a retórica vã do próprio ministro e, last but not the least, o dr. Ascenso Simões, é fogo.

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João Gonçalves 14 Ago 06


"Os patrulheiros", do Eduardo Pitta. Quando saiu o livro de Victor Farias sobre Martin Heidegger - significativamente traduzido por cá na Editorial Caminho -, os patrulheiros vomitaram indignações várias contra aquele que era "só" o maior filósofo do século, quando se sabia, de diante para trás e de trás para diante, a "história" do homem. A recém desaparecida Elizabeth Schwarzkopf também levou por tabela. Consta que se "oferecia" para espectáculos organizados pelo partido a que pertenceu, o nazi, como se isso a destituísse do essencial - a sua arte - que é o que fica. Não vale a pena falar de outros, desde Richard Strauss a Furtwängler ou Karajan. O "estigma" está sempre lá. Günter Grass, por acaso, nunca me entusiasmou. Todavia, não era agora que o seu "passado", aos oitenta anos, me ia incomodar se acontecesse lê-lo. Como qualquer bom livro da história da Alemanha pode explicar, o partido nazi não nasceu por obra e graça exclusiva do cabo Hitler, nem tão-pouco precisou de grandes esforços para se implantar na sociedade da época. Milhões de alemães foram literalmente nazis e nada disso impediu que a Alemanha adquirisse, na Europa de hoje, a preeminência de que disfruta como uma grande democracia. Esta mania de dar lições de "moral e política", transformando banalidades - muitas delas amplamente conhecidas - em "escândalos", é muito própria de uma certa mentalidade esquizofrénica tida por politicamente correcta. No fundo, reduz-se tudo àquele ditado popular muito vulgarizado: "quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré".

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