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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

MEMÓRIAS

João Gonçalves 10 Ago 06


Estava para escrever qualquer coisa sobre essa fantástica agremiação intitulada "Não apaguem a memória", uma designação quase tão má, como, noutro registo, a "não te prives". Recordo-me de ver esse "herói" revolucionário do MFA - oportunamente "apagado" da RTP no dia 25 de Novembro de 1975 e substituído pelo Danny Kaye - e que se chama Duran Clemente, de megafone na mão, a berrar junto à sede da ex-pide, justamente numa mini-manifestação da referida "não apaguem a memória". Clemente, apesar de tudo, não é dos mais mumificados e, que conste, só foi "anti-fascista" entre 74 e 75. Adiante. Ia escrever, mas não vale a pena, porque o fundamental está dito neste post e neste.

UM ROTEIRO

João Gonçalves 10 Ago 06


Depois de dois ou três "roteiros" esquecíveis, não estaria na hora de o prof. Cavaco Silva fazer um "roteiro para a Chefia do Estado"?

NÃO SER COMPLACENTE

João Gonçalves 10 Ago 06


Acabei de ler um livro curioso e oportuno. Chama-se " A queda de Roma e o fim da civilização" (Alêtheia Editores, com uma tradução assim-assim) e é escrito, não por um "historiador", mas por um arqueólogo, Bryan Ward-Perkins, nado e criado em Roma. À tradicional tese da dissolução do império romano ocidental, Ward-Perkins contrapôe umas "vistas" diferentes. Opõe a ideia de complexidade, de "conforto" e de sofisticação inerentes ao poderio romano - desde a aristocracia ao "povo", evidenciados em coisas como a construção de casas, a cerâmica ou a escrita- àquilo que lhe sucedeu com a dissiminação de pequenos-grandes reinos "bárbaros" um pouco por todo o lado. "Os romanos, antes da queda, estavam tão certos como nós estamos hoje de que o seu mundo continuaria para sempre substancialmente inalterado. Estavam errados. Seria sensato não repetirmos a sua complacência", escreve Ward-Perkins. O livrinho tenta explicar como é que uma sociedade complexa - aquela que era, ao tempo, a civilização ocidental- pôde agonizar da maneira como agonizou, sobrando apenas e quase só pedras, regredindo a um patamar absolutamente primitivo de que levou centenas e centenas de anos a recuperar. Lembrei-me disto por causa do que se está a passar nos aeroportos ingleses. Convinha meditar na frase que citei acima. Aparentemente a actual "civilização ocidental" confia demasiado em si própria porque, como os romanos, se sente - e é, apesar do reaccionarismo do argumento que não deixará de me ser apontado pelos "guardas da revolução" - complexa, sofisticada, paradoxal e superior. Não troco nenhum autor "ocidental", mesmo o mais medíocre, pelo que os barbudos hirsutos do Afeganistão, do Irão ou do Líbano "vendem" nas suas inqualificáveis "madrassas". E, note-se, sou curioso e cosmopolita. Todavia, tento, no essencial, não ser complacente.

O PAÍS DO PROFESSOR

João Gonçalves 10 Ago 06


À hora a que escrevo- primeira do dia - existem seguramente muitas pessoas que não vão dormir por causa dos incêndios. Num deles, seis ou sete bombeiros ficaram feridos. Este "país" não vai de férias em Agosto nem, muito provavelmente, em qualquer outra altura. Para ele o ano conta-se entre uma "época" de fogos e a seguinte. Todavia existe outro "país" que me aconteceu vislumbrar num zapping televisivo. Está sitiado em Vale do Lobo, uma resort chique do Algarve na qual decorre um "campeonato de ténis", um desporto assaz idiota para se assistir. Provavelmente a esta hora ainda a bola anda de um lado para o outro com muitos basbaques a observar, abanando-se e comendo gelados. Este "país", a seguir, vai dormir descansadinho nos hotéis e apartamentos da zona que amanhã é dia de praia. É o país do prof. Marcelo em todo o seu insuportável esplendor.

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