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portugal dos pequeninos

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UM POEMA

João Gonçalves 2 Ago 06



Somos de natureza contrária.
Um de nós pode destruir o outro,
mas só por fora, uma onda que vem
de muito longe, demora a chegar
à praia, ao sol que sossobra
no lugar onde nós estamos,
entregues, entristecidos. Dentro,
no interstício de silêncio
ameaçado pela despedida, sempre
de despedida ameaçado, nenhum
de nós será destruído nunca,
a memória da rua com plátanos,
o pólen mordente da primavera,
o cântico dos pardais. Não,
eu não quero esse amor indeciso
que sossobra num frio inebriante:
cada um com o outro tenta conservar
o seu ser, a identidade que sorri
na janela do quarto que fica por fechar.


Joaquim Manuel Magalhães, Uma luz com um toldo vermelho

QUASE SE VÊ DAQUI

João Gonçalves 2 Ago 06

Devia haver mais posts apenas bonitos como este e este. E deve ser verdade. "Quase se vê daqui, o Verão".

LER E DEPOIS

João Gonçalves 2 Ago 06


Há dias, numa feira de livro perto de Lisboa, "arranjei" o "par" que me faltava dos livros de ensaios literários de Óscar Lopes editados pela Inova, do Porto, o "Ler e Depois". O outro livro intitula-se "Modo de Ler". O "Ler e Depois" foi publicado em 1969. Ou seja, em pleno "fascismo". Lopes não esconde - pelo menos nas partes que li - a sua "formação" doutrinária e, nem por isso, fica diminuída a escrita. Pelo contrário, lêem-se citações de autores que só nas décadas seguintes emergiram como as chamadas "grandes referências" ou de outros, como Heidegger, cujo "modo de ler" de Óscar Lopes ajuda a compreender, mesmo que em longas e perspicazes notas "de pé de página". A minha "leitora" Joana Carvalho Dias, que foi aluna de Lopes na Faculdade de Letras do Porto, deu azo, sem querer, a esta lembrança. É que aos livrinhos dele e do seu companheiro da "História da Literatura Portuguesa", António José Saraiva - incluindo a "correspondência" entre ambos editada pela Gradiva - , deve-se sempre voltar. Nunca se perde nada.

A MODERAÇÃO

João Gonçalves 2 Ago 06

"Progress for Moderate, Mainstream Islam anywhere puts Reactionary Islam on the defensive everywhere." Com certeza. Mas, que mal pergunte, onde é que o sr. Blair vai desencantar o "moderate islam" - nesta altura do campeonato - com que conta para a "aliança de moderação" de que fala? Devia ter pensado nisto antes do Iraque, cuja "moderação" cresce a olhos vistos cada dia que passa.

O DIREITO À NECEDADE - 2

João Gonçalves 2 Ago 06


Um leitor devidamente identificado resumiu, sem sarcasmo e com todo o realismo do mundo, o que se passa com os comentaristas "anónimos". Sem comentários e com o meu obrigado por me tirar as palavras da boca.

"Depois de ler os comentários ao seu post sobre a Gisberta, apetecia-me dar-lhe um abraço. Eu ando sem paciência (deve ser do Verão). Uma espécie de agonia contra esses merdas e os filhos da puta que andam por todo o lado. País de ressentidos e de mal fodidos."

PARABÉNS, COMENDADOR

João Gonçalves 2 Ago 06


As miseráveis "pingas" dos "Estatutos da Fundação Berardo" que o ministério da Cultura "permitiu" que saíssem a público - com a desculpa que vão "a caminho" para publicação no Diário da República - é quanto basta para se perceber que o Presidente da República, em vez do "nim", devia ter vetado o diploma. Nestas matérias, as dúvidas cartesianas não resolvem nada. Até Cavaco, afinal, Berardo conseguiu meter no bolso. Parabéns, comendador.

O DIREITO À NECEDADE

João Gonçalves 2 Ago 06


A obtusidade dos comentários "anónimos" colocados no post anterior, dá-me vontade de acabar com eles. Contudo, entendo que a liberdade de expressão é um bem essencial à qualidade da democracia. Até para a avaliar. E isso inclui o direito à necedade. Podem continuar a exercitá-lo.

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