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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

GÉMEOS

João Gonçalves 26 Jul 06

Enquanto me deliciava com uma espetada de tamboril, apareceu, numa televisão por cima da minha cabeça, o "patrão" do Hezbollah, cujo nome me escapa. Pareceu-me luzidio, tranquilo e bem dispostinho, por debaixo daqueles óculos bestialmente ocidentalizados e daquela barba hirsuta. Pela legendagem, percebi que o referido senhor pretende ir mais além de Haifa, uma cidade israelita que os seus petardos têm atingido. Do lado contrário, deu-se o caso de os respectivos petardos terem ido de encontro a quatro observadores da ONU, em território libanês, cada vez mais primitivo. Também, ainda a espetada ia a meio, vi um simpático porta-voz do governo de Israel a prometer um inquérito "e tal, e que talvez não tivesse sido bem assim, e tal". Apesar de os israelistas terem melhor aspecto que o senhor do Hezbollah, a digestão do tamboril inflamou as minhas brechas anti-semitas (atenção Eduardo: eu sou daqueles que não têm medo da expressão) que, já de si, são bastante frágeis. À medida que a guerra avança, dá-me ideia que o senhor do Hezbollah e os senhores do lado contrário se aproximam cada vez mais. Epistemologicamente falando, digo eu, quais "gémeos" guerrilheiros e políticos, uma coisa que consta estar na moda. Todavia, perdoe-se-me a pergunta, mas o que é que aqueles "líderes" atarantados (de quê e de quem?) foram fazer a Roma? Para a coisa ter sido perfeita, só faltou mesmo o dr. Barroso e a sua sempre preclara "visão" sobre a "vida internacional". Mandou o eterno valet de chambre Solana que equivale a pouco mais que nada. Isto promete. Pode ser que o Paulo Gorjão - que é "especialista" - me possa esclarecer.

MUNDO CÃO

João Gonçalves 26 Jul 06


A pessoa de quem mais saudades tive enquanto permaneci fora de Lisboa foi o Bruno.

"PAZ DURADOURA"

João Gonçalves 25 Jul 06

Na versão presidencial, "Condi" - o nickname de Bush para Condolezza - transmitiu bem o recado. Ao falar constantemente de "paz duradoura", sem se rir, Miss Rice devia fazer-se acompanhar de um "dvd" sobre o Iraque. O Iraque é, nesta hora exacta, o melhor monumento à "paz duradoura" que Bush quer ver instituída no Médio Oriente. Há agora quem pense na UE e em países árabes para tapar o buraco. Rice anda de um lado para o outro, feita barata tonta voluntariosa. Já deve ter percebido que A conversa da "paz" não interessa a nenhum dos interlocutores. Só falta Bush, himself, perceber.

LEBENSRAUM

João Gonçalves 25 Jul 06


Andam por aí a circular os habituais "manifestos". Tirando o "manifesto reformador", do António Barreto e do Medeiros Ferreira, de 1979, não me lembro de ter assinado mais algum. Talvez contra a regionalização, concedo. Em geral, sou alérgico por causa da frivolidade do exercício e dos nomes que lá aparecem. Os mais recentes - de que tenho conhecimento - dizem respeito ao Médio Oriente e ao Teatro Rivoli, do Porto. O primeiro abrange "intelectuais" e políticos esquerdinos - mais ou menos os do costume- e um bispo. É um "movimento". Imagino que deve comover imenso os israelistas e demovê-los imediatamente de lutarem pelo seu "Lebensraum". O segundo é mais modesto mas nem por isso menos "significativo". Destina-se a evitar que Rui Rio "venda" o Teatro a privados. É mais tipo "petição". Não falta quase nenhum subsídio-dependente na lista, onde se destacam os grandes sobas Cintra e Silva Melo. Ricardo Pais, na versão de "encenador", também surge. Acontece que ele é o director do Teatro Nacional de São João e não deve estar ali por acaso, apesar de andar mais caladinho do que é seu hábito. É o genéro de rapaz que não costuma dar passos em falso e que gere os seus silêncios tão bem como as suas falas. Por exemplo, quando Lagarto foi corrido do Dona Maria, Pais só se lembrou de dizer qualquer coisinha uns tempos depois. O que nós não fazemos pelo nosso "espaço vital", não é verdade?

LENDO OUTROS

João Gonçalves 25 Jul 06

De Fernanda Câncio, "a maldita gi." O Ministério Público, às vezes, tem razões que a razão desconhece. Nem mesmo a puramente jurídica.

SETE

João Gonçalves 25 Jul 06

O professor Marcelo - de quem tenho saudades de encontrar no Guincho - continua imparável na sua versão mais conhecida, a pantomineira. Este domingo deu nota sete à dra. Maria de Lurdes Rodrigues que, desde a semana passada, anda a ser frita em lume brando, logo a partir do Rato. Já anteriormente tinha dado pesada negativa a Jaime Silva, o homem que, na Agricultura, faz o favor de ir pacientemente explicando ao nosso marialvismo agrícola que já não vivemos nos tempos de Júlio Dinis ou de Sara Beirão. Não é por acaso. Maria de Lurdes e Jaime Silva são dois bons membros do governo que, felizmente, não são perfeitinhos. No caso da primeira, a circunstância de ter como secretário de Estado o dr. Lemos, não a ajuda em nada. Se calhar é para isso mesmo que ele lá está. Marcelo passou um atestado de incompetência política à ministra da Educação que, para utilizar um termo em voga, é manifestamente desproporcionado. Devolvo-lhe, por isso, o sete.

A FÁBULA

João Gonçalves 25 Jul 06

O verão "lava mais branco", como o "Omo". Para a política nacional, isso é bom. Está desaparecida entre a crise do Médio Oriente e um encontro de 45 minutos, no aeroporto da Portela, com Hugo Chavez, essa pérola castrista que tem petróleo para vender. O secretário de Estado da Administração Pública, pelo contrário, parece que continua, sem desfalecimentos, a "reformar" a dita administração pública. Em resposta ao PSD, o seu gabinete afirmou "não ter certezas" de que tenha existido um aumento "tout court" de funcionários públicos, como relatou uma direcção-geral na tutela do mesmo ministério a que pertence João Figueiredo. Que eu não tenha "certezas tout court" é uma coisa. Que um membro do governo assuma, preto no branco, que as não tem, é mais sério. Estimativas, previsões, cenários, diagnósticos, tudo isso é maravilhso, sobretudo se for exibido com bons métodos publicitários. Sucede que existe, fora deste brando contexto, uma realidade. De resto, é só escolher entre ela e a fábula. Eu posso escolher a fábula. O governo não.

PROPORÇÕES

João Gonçalves 24 Jul 06


Não me apetecia muito voltar à vaca fria. Acontece que o tema da "desproporcionalidade" merece duas ou três observações. Refiro-me, naturalmente, a Israel. Todos nós, no mundo, temos aparentemente uma "questão mal resolvida" com os judeus. E nós, portugueses, em particular. Agora somos muito "solidários" e piedosos com eles - à distância, naturalmente - mas, em devido tempo, com a desculpa religiosa, arrasámos literalmente a dita comunidade, queimando-a e expulsando-a sem hesitação ou melancolia. Quer na cultura, quer na "economia", este "progrom" foi devastador para o "desenvolvimento" e para a "qualificação" da pátria pelo que, para todo o sempre, pagaremos caro esse atrevimento. Por isso, e pela natureza das coisas e dos homens, tudo o que diz respeito aos judeus será sempre despropositado e desmesurado. Trata-se de um povo e de um Estado - Israel - que, por se sentirem permanentemente acossados e perseguidos, estão prontos, a todo o instante, para fazerem emergir o pior de si próprios. A insolência com que, sem olhar a meios, estão a arrasar o Líbano - e o Líbano não é o Hezbollah -, "condescendendo" em corredores humanitários, essa hipocrisia da "comunidade internacional" para lavar tranquilamente as suas mãozinhas, não parece impressionar as boas almas sempre dispostas a dobrar a espinha para o habitual pedido de perdão. Destruir o terrorismo e os seus sequazes não pode ser um pretexto cego para matar indiscriminadamente pessoas que não têm nada a ver com isso e para fazer uma nação regressar a um patamar pouco mais do que primitivo. Com esta atitude, Israel está pôr a tal "comunidade internacional", que tanto o apaparica, a jeito para um novo "9/11", numa altura em que a debilidade diplomática dos EUA está no estado em que está por causa desse estrondoso sucesso contra o "demónio" chamado Iraque. Ou seja, vejo por aí muita gente "preocupada" com Israel como se o Líbano fosse um "trivial pursuit" que não conta. Eu, no meu desprezo geral pelo mundo, ainda consigo pensar em israelitas e em libaneses como homens, como individualidades que a minha formação obriga a proteger da crueldade. E quando se trata disso, não se podem aplicar critérios matemáticos. Ter sido ao longo da história vítima da crueldade, não desculpa "mais" crueldade. Nenhuma vida humana é uma proporção.

STOP

João Gonçalves 24 Jul 06

Imaginem se agora os centros de saúde, os hospitais, as repartições de finanças, os governos civis, as câmaras e outros quaisquer serviços públicos desatassem a publicitar quase diariamente as suas actividades e o resultado das mesmas, como se de algo extravagante se tratasse. As chamadas forças de segurança, pelo contrário, cada vez que fazem uma exibição pública da sua "eficácia" - agora em "intervenções conjuntas" - têm direito a televisão e a estatísticas (muito gosta a GNR de estatísticas). É claro que mais não fazem do que cumprir a sua obrigação, a que resulta da lei, sem mais. Esta propaganda securitária, que envolve o congestionamento de auto-estradas para os senhores agentes das várias inspecções vasculharem tudo e mais alguma coisa, faz-me lembrar os telejornais da Guatemala e de El Salvador, quando lá estive há seis anos. Quase tudo diz respeito à actividade policial e criminosa, com destaque para raptos e sequestros. Ainda não chegámos lá. Mas continuamos imparáveis na nossa palonça "américo-latinização".

TRAMADOS

João Gonçalves 22 Jul 06

Fazer de conta que o Líbano não existe, como população e como nação, apenas porque um bando de terroristas partilha o seu território, é uma monstruosidade sem nome. O "país do cedro" está em vias de ser metodicamente destruído pelos soldados sem rosto de Israel. Quinhentas mil pessoas em debandada, simulacros de lugares para viver por todo o lado e mais de trezentos mortos "civis" não chegam para redimir as criaturas de dois soldados israelitas, o pretexto mais ironista dos últimos tempos? Ao contrário de Pedro Lomba, não nutro nenhuma simpatia especial por Israel, não sendo propriamente de "esquerda" ou "amigo" de bandidagem política. Isto é, respeito o estado e a nação judaicas e o seu direito óbvio à existência, mas não nutro nenhum tipo de temor reverencial ou "ternura" pela "causa". Têm, eles e os palestinianos, o mesmo direito à terra, a uma terra. Neste contexto difuso, o melhor de Mário Soares veio, de novo ao de cima, com uma entrevista dada a um jornal espanhol. Ao fazer o que está a fazer - invadir e destruir uma nação independente e tudo o que apanha pela frente em nome do seu doentio niilismo umbiguista - Israel limita-se a acicatar o que os seus inimigos mais gostam, o puro terror e a pura destruição. Ao arrepio do que Bush, Blair e Israel supunham, a "cosmogonia" terrorista está viva e de boa saúde, desde o Médio Oriente ao Afeganistão, reforçada pela inconsciência destes zelosos "polícias" do nosso maravilhoso mundo ocidental. A Europa, como bem lembra Soares, navega dramaticamente à vista. Para não ser muito complacente com a situação criada na "comunidade internacional" - essa farsa alimentada pelas revistas da especialidade -, estamos, na verdade, todos bem tramados.

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