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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

UM LIVRO

João Gonçalves 27 Jul 06

Um livrinho adequado aos tempos que correm, cá dentro e lá fora: Cynismes, portrait du philosophe en chien, de Michel Onfray. Ao pé dos Cínicos, Platão era apenas um tipo sem tomates. Nietzsche e Heidegger, muito tempo depois, vieram para pôr um sublime termo à "metafísica" platónica.

"OS AMIGOS DE PENICHE"

João Gonçalves 27 Jul 06

Li no Público que uns grupelhos "pacifistas" - os mesmos que, antes do Muro ruir, entendiam que só a NATO é que tinha mísseis maus - promoveram duas patéticas manifestações, uma em Lisboa e outra no Porto, contra Israel. Não é nada recomendável andar de braço dado com estes dinossauros os quais, aliás, devem perturbar imenso as manobras sionistas em curso no Líbano. Agora só falta uma manifestaçãozinha a favor do "outro lado". Os lusos "amigos de Peniche" de Israel, aparentemente em tão nutrido número, de que é que estão à espera para exibirem o seu penchant prudentemente distante?

IDEM

João Gonçalves 27 Jul 06

"Que alguns idiotas que por aí andam desenterrem a treta do anti-semitismo cada vez que se fala do Médio Oriente é problema deles. Ou melhor, uma maneira, como qualquer outra, de desconversar. O que, a mim, só me dá para dar o troco em desconversa - num debate franco, aberto, como acho que devem ser todas as conversas públicas, sinto-me à vontade para ironizar sobre a pronúncia do Cavaco, as barbas do Papa e, porque não?, o anti-semitismo."

João Morgado Fernandes, in French Kissin'


"A razão por que Israel não convence muita gente só tem a ver com o Hezbollah na medida em que a sua resposta à provocação deste, com o massacre indiscriminado de infra-estruturas e de civis inocentes no Líbano, só veio aumentar as razões de queixa e de ódio antijudaico entre as massas árabes, inclusive no Líbano, sentimentos que ampliam os apoios do Hezbollah e dos movimentos radicais islâmicos. Lá para trás, foi a prolongada ocupação israelita do Líbano que criou o Hezbollah; agora, com o novo ataque destrutivo ao Líbano, Israel está a entregar ao Hezzbollah o protagonismo de todos os agravos árabes contra o Estado judaico, incluindo na questão palestina."

Vital Moreira, in Causa Nossa

"A OPINIÃO PÚBLICA INTERNACIONAL"

João Gonçalves 27 Jul 06


Há pouco, na SIC Notícias, um tal Martim Cabral, "especialista", asseverava- vindo directamente de Israel - que a coisa está "para lavar e durar". Que há árabes que enviam "mensagens" ao governo israelita a incitar à luta contra o Hezbollah. Que, apesar da ampla preparação militar dos israelitas - os civis são todos putativos militares -, não contavam com uma guerrilha tão severa por parte dos outros. Que enquanto Israel estiver a zurzir impiedosamente o Herzbollah, mesmo destruindo com método, zelo e persistência um país inteiro, a "opinião pública internacional" estará ao seu lado. Este jargão da "opinião pública internacional", bem como o da "comunidade internacional", intriga-me. Quem é esta misteriosa entidade a quem o sr. Cabral se refere? Como o exemplo mais próximo que temos de "democratização" a expensas da "opinião pública internacional" - o Iraque - custa cerca de cem mortos por dia, é de desconfiar do que pensa a referida "opinião" em relação ao conflito em curso. Para já, nem Israel, nem o Hezbollah, nem a Al- Qaeda - entretanto ressuscitada -, nem a Síria, nem o Irão, parecem muito preocupados com a "opinião pública internacional" e, muito menos, com a nação libanesa. O "humanitarismo" de que se fala em relação aos refugiados - outra "preocupação" da tal "opinião pública internacional - é nojentamente hipócrita. Até parece "natural" - estilo "danos colaterais" leves - que mais de setecentas mil pessoas sejam forçadas a abandonar o que é seu como se fosse uma trivialidade. O bonzinho Guterres, aliás, já veio falar no arroz e nas tendinhas, como lhe competia. E o governo português quer, se for o caso, mandar uns quantos valentões para o sul do Líbano, mais uma vez em nome da mística "opinião pública internacional". Isto tudo é bem mais sério do que parece. No fundo, a "opinião pública internacional" está metida numa enorme trapalhada e, agora, não sabe como sair dela.

A.O.S.

João Gonçalves 27 Jul 06


Não percebo nada de numerologia. Certo é que os dias 27 e 28 estiveram sempre ligados à biografia de António de Oliveira Salazar. Nasceu num dia 28, deveu a sua ascensão política ao "28 de Maio", tomou posse como o mais famoso ministro das Finanças do século passado num 27 de Abril, chegou, para aquelas que seriam as últimas férias no Estoril, no dia 27 de Julho de 1968, foi substituído nas funções de presidente do Conselho em 27 de Setembro do mesmo ano e faleceu no dia 27 de Julho de 1970, precisamente há trinta e seis anos. No último ano de lucidez, Salazar recebeu por diversas vezes o seu ministro dos Estrangeiros, Franco Nogueira, e seu biógrafo. "Todos os dias, quase a todas as horas, vejo o fim da minha vida", confessou-lhe em Abril. E, já depois da queda fatal no Estoril, ainda lhe disse: "no dia em que eu abandonar o poder, quem voltar os meus bolsos do avesso, só encontrará pó". Quando morreu, tinha, na única conta que possuia e onde lhe era depositado o ordenado, 50 contos. Premonitório, sussurrou a Nogueira, dois anos antes da queda, que "chegara ao fim". "Os que vierem depois de mim, vão fazer diferente ou o contrário e contra mim". Era verdade e era necessário que assim fosse. Não o foi completamente porque Caetano estava cercado pelo regime. Mesmo assim, algum "reformismo" de que hoje ainda se sentem os contornos, foram introduzidos nos primeiros anos da década de setenta. "Respirava-se" um pouco melhor. Em quatro anos, uma das corporações apascentadas pela ditadura, a tropa, acabou com ela. O que se seguiu é conhecido. Salazar não deixa ninguém indiferente, pelos piores e pelos melhores motivos. O país que somos em 2006 é, em certo sentido, "salazarento". Aí, o antigo chefe do governo obteve uma vitória póstuma. São ténues os vestígios de uma cultura e de uma qualidade de vida democráticas. Este regime não gerou elites, à excepção de uma ou outra figura que já tinha uma "biografia". É o caso inequívoco de Mário Soares. Na campa rasa do Vimieiro, Salazar quis uma sepultura à altura da sua visão dele próprio e do mundo. As iniciais "A.O.S." encerram simbolicamente uma história que parece nunca acabar.

A VOZ DA RAZÃO

João Gonçalves 27 Jul 06


Depois da "conferência de Roma" - que os directos intervenientes na violência em curso no Médio Oriente ignoraram olimpicamente - é hoje a vez do Parlamento português "debater" o assunto. Pode ser que, dada a relevância e a reconhecida idoneidade política e intelectual da nossa ilustre deputação, Israel e o Hezbollah parem por uns instantes as confrontações para escutarem a "voz da razão" emitida a partir de Lisboa, São Bento. Se não fosse trágico, era cómico.

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