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portugal dos pequeninos

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PROPORÇÕES

João Gonçalves 24 Jul 06


Não me apetecia muito voltar à vaca fria. Acontece que o tema da "desproporcionalidade" merece duas ou três observações. Refiro-me, naturalmente, a Israel. Todos nós, no mundo, temos aparentemente uma "questão mal resolvida" com os judeus. E nós, portugueses, em particular. Agora somos muito "solidários" e piedosos com eles - à distância, naturalmente - mas, em devido tempo, com a desculpa religiosa, arrasámos literalmente a dita comunidade, queimando-a e expulsando-a sem hesitação ou melancolia. Quer na cultura, quer na "economia", este "progrom" foi devastador para o "desenvolvimento" e para a "qualificação" da pátria pelo que, para todo o sempre, pagaremos caro esse atrevimento. Por isso, e pela natureza das coisas e dos homens, tudo o que diz respeito aos judeus será sempre despropositado e desmesurado. Trata-se de um povo e de um Estado - Israel - que, por se sentirem permanentemente acossados e perseguidos, estão prontos, a todo o instante, para fazerem emergir o pior de si próprios. A insolência com que, sem olhar a meios, estão a arrasar o Líbano - e o Líbano não é o Hezbollah -, "condescendendo" em corredores humanitários, essa hipocrisia da "comunidade internacional" para lavar tranquilamente as suas mãozinhas, não parece impressionar as boas almas sempre dispostas a dobrar a espinha para o habitual pedido de perdão. Destruir o terrorismo e os seus sequazes não pode ser um pretexto cego para matar indiscriminadamente pessoas que não têm nada a ver com isso e para fazer uma nação regressar a um patamar pouco mais do que primitivo. Com esta atitude, Israel está pôr a tal "comunidade internacional", que tanto o apaparica, a jeito para um novo "9/11", numa altura em que a debilidade diplomática dos EUA está no estado em que está por causa desse estrondoso sucesso contra o "demónio" chamado Iraque. Ou seja, vejo por aí muita gente "preocupada" com Israel como se o Líbano fosse um "trivial pursuit" que não conta. Eu, no meu desprezo geral pelo mundo, ainda consigo pensar em israelitas e em libaneses como homens, como individualidades que a minha formação obriga a proteger da crueldade. E quando se trata disso, não se podem aplicar critérios matemáticos. Ter sido ao longo da história vítima da crueldade, não desculpa "mais" crueldade. Nenhuma vida humana é uma proporção.

STOP

João Gonçalves 24 Jul 06

Imaginem se agora os centros de saúde, os hospitais, as repartições de finanças, os governos civis, as câmaras e outros quaisquer serviços públicos desatassem a publicitar quase diariamente as suas actividades e o resultado das mesmas, como se de algo extravagante se tratasse. As chamadas forças de segurança, pelo contrário, cada vez que fazem uma exibição pública da sua "eficácia" - agora em "intervenções conjuntas" - têm direito a televisão e a estatísticas (muito gosta a GNR de estatísticas). É claro que mais não fazem do que cumprir a sua obrigação, a que resulta da lei, sem mais. Esta propaganda securitária, que envolve o congestionamento de auto-estradas para os senhores agentes das várias inspecções vasculharem tudo e mais alguma coisa, faz-me lembrar os telejornais da Guatemala e de El Salvador, quando lá estive há seis anos. Quase tudo diz respeito à actividade policial e criminosa, com destaque para raptos e sequestros. Ainda não chegámos lá. Mas continuamos imparáveis na nossa palonça "américo-latinização".

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