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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O "CAMARADA" CONSTÂNCIO

João Gonçalves 21 Jun 06

"Quem faz parte do problema dificilmente pode ajudar na solução. Ou será que Constâncio vê na «verdadeira consolidação orçamental» um TGV, uma Ota e todos os outros motivos que levaram Campos e Cunha a abandonar o Governo?"

No dia em que se conseguir responder a esta pergunta de Sérgio Figueiredo - e só Campos e Cunha o poderá fazer - talvez se perceba melhor as coisas. Existem muitos obstáculos ao desenvolvimento do país. Naturalmente que o país é o maior obstáculo a si próprio. Agora, que figuras do regime, etéreas e eternas como o "camarada" Constâncio também ajudam, lá isso é verdade. Não haverá mais mais ninguém para as continhas?

O DIA MAIS LONGO

João Gonçalves 21 Jun 06


Para comemorar o solstício do verão, no final dos anos oitenta, eu costumava aparecer no magnífico terraço, com vista para o Tejo, da Manuela Cruzeiro. Era aí que ela recebia fraternalmente os "irmãos" e se celebrava uma cumplicidade antiga com os ciclos, a vida e os outros. Mais tarde, muito mais tarde, em Paris, recordo-me de subir a pé os Champs Elysées por volta da dez, onze da noite, e de avistar por cima do Arco e no céu limpíssimo e absoluto, a claridade nocturna do dia mais longo do ano. Nesse dia passei o final da tarde nos jardins do Palais Royal, onde uma orquestra tocava para um público inesperado em homenagem ao "dia da música". Isto passava-se perto do antigo gabinete de trabalho de André Malraux, esse genial e trágico parodista que foi braço-direito de Charles de Gaulle. Findo o concerto, atravessei o pátio das pirâmides do Louvre e avancei no sentido daquele crepúsculo luminoso e inesquecível. Agora estou apenas entre as estações que mais amo, a primavera e o verão. Parece-me que passaram séculos e não anos por cima daqueles solstícios. O tempo ajuda-nos a entender que o essencial são os instantes, não o durável. Esta "sabedoria" encontrei-a num muro sobre a praia deserta de Ostia, perto de Roma, onde alguém deixou escrito que a vida vale por aquele "attimo" - aquele momento - no qual se joga a eternidade. O terraço da Manuela Cruzeiro ou a felicidade sem rosto pelas ruas cheias de Paris, por exemplo, foram o meu "attimo" em longínquos dias mais longos. Como no título cruel de Vergílio Ferreira, tudo foi morrendo. A felicidade não se detém. Contorna e passa.

MANDAR BOCAS

João Gonçalves 21 Jun 06

Um ignorante qualquer, comentando o post anterior, escreve que ainda vai ver este blogue defender "o apuramento da raça". Cita-se Salazar no contexto das "grandes frases". E, caso o ignorante não saiba ou não não consiga ler, Salazar, independentemente de ter sido quem foi e de ter "atrasado" ainda mais este país de atrasados mentais, era um excelente prosador político. O ignorante também não deve saber que, por exemplo, António José Saraiva - corrido pela ditadura das universidades portuguesas e exilado em França anos a fio, logo insuspeito - dedicou à escrita política de Salazar um ensaio que encontrará, salvo erro, num livrinho chamado "Os Filhos de Saturno". Por outro lado, quer o ignorante queira, quer não, Salazar é tão incontornável na vida pública portuguesa do século passado como, precisamente pelas razões opostas, o é Mário Soares. Não perceber esta trivialidade é andar por aí a ver passar comboios e a "mandar bocas" por mandar.

GRANDES FRASES

João Gonçalves 21 Jun 06


"Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção."

António de Oliveira Salazar, Discurso de 7 de Janeiro de 1949 in Discursos e Notas Políticas, Vol. IV.

GRANDES FRASES

João Gonçalves 21 Jun 06


"Muito cedo na minha vida foi tarde de mais."

Marguerite Duras, O Amante

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