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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A FRONTEIRA

João Gonçalves 19 Jun 06

Morreu uma criança portuguesa num parto em Badajoz, na sequência do encerramento da maternidade de Elvas. O ministro Correia de Campos diz que não trata de transladações e que é um "problema" com o registo civil espanhol. Eu pensava que era um problema dele. Pelo menos de consciência.

A LINHA DA BELEZA

João Gonçalves 19 Jun 06


O Mário, o melhor dos amigos, gostou da adaptação televisiva do livro "The Line of Beauty", de Alan Hollinghurst, traduzido pela Dom Quixote. E compara-a com "Brideshead Revisited", a série "fetiche" do princípio dos anos oitenta, baseada na obra homónima de Evelyn Waugh. Revi "o passado em Brideshead", em dvd, há pouco tempo. Com o devido respeito e amizade, o Mário não tem razão. Não consegui passar sensivelmente do meio do livro de Hollinghurst e já li várias vezes, noutra encarnação, o de Waugh. Também não me parece que sejam comparáveis as séries. "Nick", o personagem central de "The Line of Beauty", não tem a mínima consistência. O vago "picante" de pôr a "Dama de Ferro" a dançar com ele numa festa pretensiosa e cheia de "cheiros", não faz um momento literário-televisivo. Depois, a imaturidade sexual do rapaz Nick é praticamente insuportável e as cenas de sexo dignas de documentários eróticos da Playboy, mas com homens. A reconstituição dos "anos de chumbo" da SIDA e a fixação no aparente paradoxo comportamental dos "conservadores", também não entusiasmam. Pelo contrário, por "Brideshead Revisited" perpassa a verdadeira "linha da beleza". Não apenas a física dos protagonistas, mas a da amizade viril que unia Sebastian e Ryder - que depois juntou, por efeito substitutivo, Ryder à irmã de Sebastian, Julia - e - fundamental na obra de Evelyn Waugh - a da questão católica, serena e estupendamente marcada nas interpretações de Claire Bloom e de Sir Lawrence Olivier, os pais separados de Sebastian e Julia. Et in arcadia ego, o primeiro capítulo do livro de Waugh e da série, reconstitui a ambiguidade sexual do campus universitário de Oxford, nos anos vinte e trinta do século passado, e a emergência da II Guerra Mundial. São, a série e o livro, obras de desencantamento. No meio das manobras do exército inglês, perto de Brideshead, de novo, Charles Ryder constata que, aos trinta e nove anos, "começou a envelhecer". O resto da história é o que ficou irremediavelmente para trás antes desse envelhecimento prematuro. Ryder percebeu que tinha estado no paraíso e que o tinha perdido. Como a ave de Minerva, só levantamos voo ao crepúsculo.

QUE FAZER?

João Gonçalves 19 Jun 06


No "roteiro para a ciência", Cavaco Silva já pronunciou as duas palavras mágicas: "plano tecnológico". Imagine agora o Presidente, por uns instantes, que o "plano" falha e que, como é patente, os drs. Pinho e Gago não conseguem ultrapassar o estatuto de irrelevância que os notabiliza. Aí alguém se encarregará de lembrar ao Presidente que também ele acreditava nos mistérios do "plano". E nesse momento, como perguntava o mumificado Lenine, que fazer?

HERÓI PORTUGUÊS

João Gonçalves 19 Jun 06


Ontem à noite, na :2, Vasco Pulido Valente explicou por que é chama a Henrique Paiva Couceiro "um herói português". Couceiro passou a vida de miragem em miragem, de ilusão luminosa em ilusão luminosa, e deve ter morrido ser ter percebido exactamente com que tipo de gente estava a lidar e que aspirava a pastorear. Também explicou que Cavaco só será relevante no dia em que dissolver a Assembleia, algures nos previsíveis dez anos de mandato. Não iria tão longe. Acontece, porém, que Cavaco só é verdeiramente "bom" quando manda. Neste caso, como Chefe de Estado, no regime. Quer ele queira, quer não, foi isso que andou a prometer pelo país na campanha eleitoral. E foi para "mandar" que se votou nele. Se for apenas mais um "ministro de Estado" de José Sócrates ou um leitor assíduo da Constituição, corre o risco de ser mais um "herói português".

7

João Gonçalves 19 Jun 06

Marcelo não tem exames para fazer? Não tem pontos para corrigir? E não tem a noção do patético? Não se lembra que é conselheiro de Estado? Enquanto Santana Lopes foi "vivo", Marcelo não o poupou por causa do seu "populismo". Ninguém, aliás, o poupou. Marcelo, ao aparecer na Alemanha como comentador de futebol, está a ser vulgar e populista. Não tarda, ainda o vamos ver a fazer publicidade a um detergente ou a uma cerveja. Marcelo era suposto ser da elite. E escrevo elite no único sentido benigno que a expressão tem e de que o país precisa. Todavia, Marcelo não resiste a "ir a todas" e, por "ir a todas", às vezes soa a falso. Tão falso como os livros que "lê". Deu, inexplicavelmente, um "9" ao ministro da Agricultura. Esta prestação de Marcelo mal dá para ir "à oral". Dou-lhe 7.

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