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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

SEM DAR POR ISSO

João Gonçalves 9 Jun 06


Por uns breves dias, à conta de O Ouro do Reno de Wagner, no São Carlos, da audição privada e repetida de trechos significativos do Anel, das prosas de Philip Roth, de Gianni Vattimo e de Paul Auster, da praia no fim de semana, senti-me francamente bem. Hoje regressou a náusea que o país me inspira. A história dos médicos absolvidos em Guimarães, o bruaá da bofetada que um padre deu num gaiato e que foi "testemunhada" pela santa inquisição do politicamente correcto, o primeiro-ministro rejubilante com um por cento de "crescimento", a bola, a RTP "oficiosa", a patetice do 10 de Junho, a "educação", etc., etc., tudo me volta subitamente a meter nojo. Depois de uma vida cheia, o protagonista de Roth em Everyman, morre sozinho, sem dar por isso. Em Portugal, morremos todos os dias um bocadinho. Sozinhos. Sem darmos por isso e com alguns, os mais imbecis, contentinhos.

PORTUGAL ANESTESIADO

João Gonçalves 9 Jun 06


Afinal, o "mundial de futebol" faz parte do programa do governo enquanto anestésico. "Efeitos positivos no espírito dos portugueses" e "impulsionador da economia nacional" são os termos utilizados pelas vozes autorizadas dos drs. Silva Pereira e Santos Silva. Em 2004, o dr. Barroso também dizia o mesmo do "Euro" e tudo acabou como acabou. Foi para esta miserável confissão de impotência que o PS teve uma maioria absoluta?

CAMÕES EM 2006

João Gonçalves 9 Jun 06


Cavaco Silva não resistiu. Vinte e seis almas vão ser condecoradas no 10 de Junho, suponho que por relevantes serviços prestados à nação. Não sei quem são ao certo, nem me interessa. Só julgo o propósito. A banalização do penduricalho foi levada a extremos na ponta final do mandato do dr. Sampaio. O actual PR tem a estrita obrigação de ser mais imaginativo para o dia de Camões de 2006. Vivemos momentos de "vã cobiça", de estupidez reiterada e complexa e de vazio. A peripécia dos penduricalhos só reforça a inocuidade presente do regime. Em 2 de Janeiro último, em Portimão, Cavaco Silva falou certo. "Deus nos livre de um Presidente da República resignado que acha que não pode fazer nada para mudar a situação do País. Não é isso que os portugueses querem. Os Portugueses querem que o Presidente da República, na situação actual, seja um verdadeiro agente de desenvolvimento, que ajude os Portugueses a resolver os seus problemas e, é por isso, que me candidato à Presidência da República.". É assim que deve continuar a falar amanhã.

A NATUREZA DAS COISAS

João Gonçalves 9 Jun 06


Uma amiga que "sabe que eu sei que ela sabe que eu sei quem ela é", anda escandalizada com o veto presidencial à famigerada lei da paridade. Tenho a certeza que ela não é cega, surda e muda e que anda perfeitamente por aí. Para além disso, é optimista e acredita ferozmente no progresso. Daí o seu tardio "grito do Ipiranga" - "modernizemo-nos e não tenhamos medo das mulheres" - não fazer, hoje, qualquer sentido. E muito menos clamar pela sra. dra. Maria de Belém, efémera ministra da "igualdade" por um capricho inexplicável do bonzinho Guterres e que nunca chegou bem a perceber o que é que estava a fazer no seu gabinete esconso do Palácio Foz. Aliás, saiu como saiu, furiosa e perplexa. Não se é melhor ou pior, nisto ou naquilo, por se ser homem ou mulher. Também serve para a política. É grotesco pensar-se que existe uma fórmula "feminina" ou "masculina" de fazer política. O "pensar no feminino" é tão patético como um homem deixar crescer a unha do dedo mindinho ou ser brejeiro na rua quando passa um busto firme. Se há "conquista da revolução" e dos tempos, é o acesso limpo das mulheres a tudo a que dantes só os homens alcançavam. "Acantonar" o género, seja pela política, seja por outra coisa qualquer, é que é pindérico. Nem ele se deixa acantonar. Basta olhar para as universidades, para a administração pública- sim, para a administração pública -, para as profissões liberais, para as empresas, para os jornais, para a televisão, etc., etc., para se constatar o óbvio. As elites - as parcas que temos - já não se distinguem pelo género. Berrar o contrário por causa da matemática parlamentar, em estilo "ornamental", é que corresponde a menorizar o que não é menorizável, apenas para tranquilidade de algumas boas e más consciências de "esquerda". Afinal, quem é que é conservador?

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