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portugal dos pequeninos

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A SAGA DOS NIBELUNGOS...

João Gonçalves 30 Mai 06


... vista pelo Crítico, o Henrique Silveira. "Hoje em dia prefiro o Wotan do último acto do Siegfried, onde a renúncia toma o lugar do hieratismo remanescente e imanente à sua figura suprema, apesar da ontológica consciência de: a) relações e dependências b) um destino irremediável. Segundo acto da Valquíria. No entanto a figura ainda encena um poder, inexistente de facto, mas real na aparência, e como tal revestido do seu simbolismo e dos seus estigmas, o menor dos quais não será certamente o orgulho de deus e pai desobedecido e a necessidade imperiosa de impor um castigo, que de facto o não é, é apenas a inscrição no devir, percebe-se depois, de Brünnhilde. Em Siegfried a paz da renúncia (e não na vitória) faz de Wotan um ser infinitamente triste ao mesmo tempo em paz, despojado dos símbolos, de cajado partido em vez de lança das runas, tratados sem valor, poder ausente. Sabedoria máxima, desencanto total, pessimismo absoluto."

DE OLHOS ABERTOS

João Gonçalves 30 Mai 06


Eu queria escrever sobre o belo rosto devastado de Jeanne Moreau, a que mais próxima se encontra, pela idade, perto da morte. Queria tentar "explicar" o que o protagonista não consegue explicar a si próprio e aos outros: a tranquilidade absoluta da morte. Queria dizer da serenidade com que o protagonista constrói a sua "agenda" para o "tempo que resta" (sim, os que sabem que vão morrer também têm uma "agenda"). Finalmente queria frisar que não existe um pingo de pieguice no filme de François Ozon, Le Temps qui Reste. Como escreve o António, "a personagem de Poupaud, sem nunca abdicar do seu temperamento colérico, está, à morte, muitíssimo próximo da vida". Não é preciso dizer mais nada. Romain (Melvil Poupaud), o protagonista, seguiu o conselho de Marguerite Yourcenar. Entrou na morte de olhos abertos.

(Le temps qui rest, um filme de François Ozon, em Lisboa estupidamente "apenas" no El Corte Ingles)

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