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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

DO ANTIGAMENTE, DA VIDA

João Gonçalves 24 Mai 06


Luandino Vieira recusou o Prémio Camões, o que deixou os burocratas do dito sem saber muito bem o que fazer com ele. Segundo o escultor José Rodrigues - que o acolhe num "convento" em Vila Nova de Cerveira - Luandino "há muito que (...) cortou, completamente, com o mundo à sua volta. Diz que já cá não está, que já se despediu deste mundo, e praticamente só fala com os animais." Um homem assim merecia mais o Nobel do que o vaidosão do Saramago. Luandino, da vida, preferiu o antigamente.

LER OS OUTROS

João Gonçalves 24 Mai 06


"APENAS UMA TÉNUE MEMÓRIA"

"Primeiro o país gastou o que tinha e o que não tinha, o que devia e o que não devia para fazer a Expo 98. A festa foi bonita, pá. As nossas festas, com bandeiras à janela ou sem elas, são sempre bonitas, pá. Lentamente, a memória da festa foi desaparecendo. O betão, matreiro, sabe esperar e foi avançando, avançando, avançando. Agora é a Praça Sony que vai ser despachada para a Amadora. O bairro, a que chamam Parque das Nações, em breve será um parque de prédios como tantos outros que existem por aí. Há quem persista em chamar a isto desenvolvimento e qualificação urbana. Por mim, chamo-lhe apenas decadência. Não aprendemos nada com os erros do passado."

Jorge Ferreira, in Tomar Partido

NÃO EXISTEM INDEPENDÊNCIAS GRATUITAS

João Gonçalves 24 Mai 06


Anda por aí um alvoroço por causa de Timor. Depois da debandada de 1975, só conseguimos corrigir vagamente a coisa, por causa do que se seguiu ao referendo de 99, quando, num momento de rara inspiração, Guterres e Sampaio - sobretudo o primeiro - pediram a Bill Clinton para "falar" no assunto. Depois Timor percebeu que a Austrália - quando não mesmo a própria Indonésia - estava mais perto deles do que o venerável Portugal da "língua" e de Nossa Senhora de Fátima. Tirando uns esforçados professores de português que porventura se imaginam numa qualquer campanha de alfabetização, daquelas a que o PREC nos habituou, o interesse por Timor passou para o plano do romantismo e da nostalgia. Não foi por acaso que Sampaio, à beira de sair, escolheu Timor como derradeira romagem de saudade. Agora Timor anda de novo em pé de guerra doméstico. Nós, sempre curvados perante o nosso passado mal resolvido, parecemos dispostos a mandar para lá a GNR que, seguramente, deve ser o que está a fazer mais falta aos timorenses. Acontece que Timor é um país independente e que, por essa independência, maçou legitimamente muita gente. E se ainda não percebeu que não existem independências gratuitas, não julgo que devam ser os portugueses a fornecer a explicação.

Adenda: Ler este texto do João Morgado Fernandes

SOLIDÃO PROIBIDA

João Gonçalves 24 Mai 06


A "lei da reprodução assistida" exclui do âmbito da sua aplicação as mulheres sós. Um homem (ou uma mulher) só também é penalizado nos impostos que paga pela circunstância de não acasalar. O Estado - mesmo este, "socialista" - e algumas beneméritas "associações" da dita sociedade civil pregam diariamente a virtude da constituição de uma "família" ou, no mínimo, da junção de um homem com uma mulher debaixo do mesmo tecto. Seguidamente o mesmo Estado e as mesmas "associações" promovem que se faça filhos em barda e o primeiro tira daí as devidas consequências. A solidão, como opção de vida, não é politicamente correcta e é severamente punida pelos costumes e pela organização financeira do Estado. Não sou de esquerda. Todavia não alcanço por que diabo uma mulher sozinha não pode recorrer à tal lei da reprodução assistida para ter um filho. Não é uma questão política. É uma escolha privada que merece tanto respeito como estar casado com a mesma pessoa cinquenta anos - com muitos cornos pelo meio - e ter, no mínimo, doze filhos, incluindo já os bastardos. Esta mania de regulamentar a vida dos outros, desde as "partes baixas" até aos cabelos, irrita-me. O voto pára à porta de casa. Não quero o Estado, sob a forma de deputados ou de governo, lá dentro.

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