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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 23 Mai 06


Estudar comunicação social e cultural, nos tempos que passam, é um exercício complicado. De todo, pelas exigências intelectuais distintas mas pela cambada acumulada de espectros vaidosos, muitos analfabetos - como o João Gonçalves bem caracteriza - , intoleráveis marrões totalmente não esclarecidos para além de meia dúzia de páginas ditadas que dão, inevitavelmente, conta do ânimo de outro tipo de espectro. A entrada deste produto para o mercado de trabalho, ajudada pelo aplauso a um estilo vulgar no próprio ensino, potencia profissionais coerentes com a trapalhada a que se assiste no meio e que há muito se sabe real. Ou são criaturas comprometidas com o conforto e, por isso, ordeiras ou, não sendo comprometidas, são ordeiras apenas porque têm de ser o que, em última análise, é o mais favorável e menos exigente. Existem, ainda, casos de independência que, na sua grande maioria, servem para nada ou para improfícuos orgulhos póstumos. Não são necessários folhetins pseudo-elucidativos para entender esta realidade, os seus meandros, os seus intervenientes e a inevitabilidade da sua protecção. Da mesma forma, não são os folhetins pseudo-elucidativos com pretensões de viragem que removem o elogio à vigarice apreciado.

CORRER ATRÁS DA CAUDA

João Gonçalves 23 Mai 06


Ainda não li - nem sei se terei paciência para ler - o famoso livro de Manuel Maria Carrilho dedicado às alegadas "urdiduras" que o conduziram à derrota em Lisboa. Acompanhei, no entanto, o "prós&contras" por onde passaram o autor, Pacheco Pereira, Ricardo Costa e Emídio Rangel. O exercício deve ter sido elucidativo para as meninas e meninos ambiciosos e semi-analfabetos dos cursos de comunicação social. Aliás, na plateia, estavam alguns a "tomar notas". Para além da exibição colectiva de uma imensa hipocrisia - todos os presentes, sem excepção, "vivem e morrem" todos os dias "pela imprensa" -, o programa serviu essencialmente para, uma vez mais, promover Carrilho e a sua "obra". Ao lado dele, sentava-se um dos maiores barões da comunicação social portuguesa pós-25 de Abril, o talentoso Emídio Rangel. As suas "lições", pretensamente dentológicas, não devem, por isso, impressionar ninguém. Ao lado de Pacheco Pereira, estava o "aprendiz de feiticeiro" de Rangel, o frívolo Ricardo Costa que mostrou ter aprendido a lição do mestre. Safou-se Pacheco Pereira que fez o papel do coro - ou do cego - das tragédias gregas. Que me lembre, foi o único político no activo (era, na altura, líder parlamentar do PSD) que enfrentou os jornalistas no Parlamento tentando evitar que seguissem os rabos dos deputados para todo o lado. E que continua, usando e "vivendo" no meio, a não ter por ele nenhum tipo de temor reverencial. Carrilho está a pagar o preço desnecessário e narcísico de, por exemplo, ter deixado cobrir a sua lua-de-mel angolana por uma revista cor-de-rosa. Foi por isso que o minuto no vídeo da campanha lhe foi fatal. Noutras circunstâncias teria passado despercebido. O mesmo se diga do "exclusivo" fotográfico do seu casamento, uma coisa manifestamente privada, para um jornal do grupo onde trabalha aquele a quem Carrilho apelidou ontem de "a vergonha do jornalismo", Ricardo Costa. Ele, Carrilho, vale bem mais do que isto e do que o seu livro, convenientemente "transformado" numa suposta "reflexão" sobre as relações entre os jornalistas, as agências de comunicação e o poder. Estas três entidades precisam umas das outras como de pão para a boca. A promiscuidade entre elas faz parte integrante do "pacote democrático" e sustenta o regime. Não vale a pena correr atrás da própria cauda.

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