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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

AUTOFAGIA

João Gonçalves 2 Mai 06

Uma colega chamou-me a atenção para uma coisa interessante. Muitos dos eminentes "comentadores" que, nos jornais e nas televisões, escrevem e peroram com ferocidade a favor do "pogrom" dos funcionários públicos para a redenção definitiva da pátria, são, afinal, eles mesmos oriundos de instituições do Estado, designadamente universidades, institutos ou centros de investigação públicos. Tanto quanto julgo saber, não são propriamente mal pagos pelo dito Estado para fazerem o que lhes compete. E alguns até o fazem muito bem, consumindo legitimamente os impostos com que os outros "colegas" funcionários, com aparente "capitis deminutio", contribuem para a boda pública. Por isso, em casa de enforcado, para quê falar em cordas?

CÃO COMO NÓS

João Gonçalves 2 Mai 06

Eu, que não sou dado a petições, tenho pena de não ter assinado esta. Se há tantos animais de duas patas que nos fazem passar verdadeiros "dias de cão", por que razão não há-de ser criado um "Dia do Cão" para "sensibilizar as pessoas para a necessidade de não abandonarem os cães no Verão?"

UM REGIME ORIGINAL

João Gonçalves 2 Mai 06

Os juízes, supostamente órgãos de soberania que administram a justiça, pretendem levar o governo, outro órgão de soberania, a tribunal, ou seja, até si próprios por causa da intendência. O regime está a ficar cada vez mais original.

MEDEIA

João Gonçalves 2 Mai 06

Ainda da programação de António Lagarto, estreia amanhã no Teatro Nacional D. Maria II a tragédia Medeia, de Eurípedes. A tradução é de Sophia de Mello Breyner, a encenação de Fernanda Lapa e a cenografia de António Lagarto. Medeia, princesa da Cólquida, trai a pátria e o seu pai por causa da paixão pelo herói grego Jasão. Forçada a deixar o país, instala-se com Jasão em Corinto. Corinto e o seu rei Creonte simbolizam a "ordem nova" e Medeia é "trocada" pela filha de Cronte que casa com Jasão. Repudiada e sozinha, Medeia vinga-se matando os filhos que gerou de Jasão, o Rei Creonte e a sua filha. O castigo é o seu sofrimento "mortal". Medeia, na sua agonia "humana", acabou por vingar os deuses desafiados. Continua a ser uma bela lição.

UMA QUESTÃO DE TOM

João Gonçalves 2 Mai 06

O Paulo, sem dar por isso, encontrou o "tom certo". Contrariamente ao que ele supôe, a frase terminal revela o único "tom" possível: "uma indefinição estrutural que, no fundo, acaba por revelar outras indefinições." Penso que aqui, como em grandes momentos das nossas vidas, não fazemos outra coisa senão lidar com "indefinições" e com o "não dito". Heidegger chamava a este pathos "a clara noite do nada". We have no more beginnings.

UM MUNDO PERDIDO

João Gonçalves 2 Mai 06

Ao ver de fugida as reportagens sobre o 1º de Maio, reparei que a faixa etária dos manifestantes e dos entrevistados - não sei se fizeram de propósito - era respeitável. A dos sindicalistas de serviço é apenas um pouco mais baixa. Só houve verdadeiramente um 1º de Maio, o primeiro, em 1974. Daí para cá, são meras manifestações folclóricas, uma do PC, supostamente "a sério", e a outra, a da UGT, mais género "pimba" ou folclórica propriamente dita. São ambas melancólicas e irrelevantes. É um mundo perdido.

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