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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

MÁRTIRES

João Gonçalves 30 Abr 06


Em Espanha foi a doer. Aqui, quarenta anos depois, entre 74 e 75, foi praticamente a brincar. Não houve intelectual europeu e norte-americano que não quisesse aparecer ao lado da "república" espanhola. Hemingway, Malraux, Orwell ou Bernanos deixaram em forma de livro as suas "impressões". Em alguns deles, senão em todos, o tempo curou as ilusões "revolucionárias" e melancólicas, deixando transparecer isso mesmo nas suas obras. Na hora da verdade, a "república" foi tão ou mais impiedosa que os seus algozes liderados por Francisco Franco. O deslumbramento "romântico" pela "aventura" republicana espanhola impediu quase sempre uma leitura enxuta da guerra civil, despida de preconceitos. Há um livro que ajuda a perceber o que se passou, do historiador inglês Hugh Thomas, com tradução portuguesa. Isto vem a propósito de ter lido no Insurgente que o Papa Bento XVI beatificou cinquenta e três religiosos espanhóis vítimas da violência jacobina. Numa guerra, civil ou outra, há sempre mártires para todos os lados. Porém, a ao contrário do que doutrina o politicamente correcto, nunca existem mártires mais mártires do que os outros.

O HÁBITO DE DIZER MAL

João Gonçalves 30 Abr 06


Retemperado com um banho semi-gelado no Guincho, chego aqui e leio os "comentários" ao post anterior, uma citação - de conteúdo óbvio para quem não é absolutamente destituído - de Vasco Pulido Valente. Há, de facto, muita gente que não suporta ser confrontada com a nossa condição primitiva. Percebo. Tanto percebo que não resisti a ir ler na íntegra o texto de Maria Velho da Costa que é citado no comentário. Velho da Costa, para quem não se lembra, é um milenário expoente "feminista" da "cultura portuguesa", justamente celebrada nos finados do Estado Novo por ter sido uma das co-autoras das "Novas Cartas Portuguesas", um ousado derrame para os tempos, logo, proibido. Depois de a ler agora, fico mais certo da razão de VPV. Repare-se - não sei se o autor do comentário reparou - que o que verdadeiramente interessa a MVC, na sua pequenina acrimónia, é salientar a circunstância de, em tempos idos, ter sido removida como funcionária pública pelo então secretário de Estado da Cultura (VPV) - de quem presuntivamente dependia - de um qualquer lugar que ocupava em regime de destacamento. Ou seja, ele forçou-a, digamos assim, a "regressar à base", um assunto de pura intendência. De resto, as suas considerações farfelu são elucidativas do estado por que passa a nossa literatice contemporânea. Por isso, só mais uma nota, graças ao João Pedro George. Atenção, filistinos: também é (horrivelmente) de VPV. "Os portugueses não gostam que se "diga mal" de nada e desconfiam de quem diz. "Dizer mal" de um livro, de uma escola, de um hotel ou de uma política é sempre considerado um "ataque" de pessoa a pessoa e atribuído aos piores motivos: à inveja, à cobiça, ao ressentimento e por aí fora. Não ocorre a ninguém que "dizer mal" do livro não implica "dizer mal" da pessoa privada do escritor (...). "Dizer mal" é uma condição indispensável para produzir bem e obrigatória para produzir melhor. No hábito de "dizer mal" do que nós fazemos e do que os outros fazem reside a essência da capacidade de aperfeiçoamento e, por conseguinte, de competição."

O FRACASSO

João Gonçalves 30 Abr 06

"O país que aí está, trabalha, sofre e paga é, como de costume, um fracasso. Parece que, por baixo de uma grotesca marca de "modernidade", nunca saiu de facto da sua condição primitiva. Pobre, corrupto, irresponsável e apático, este Portugal não encontra com certeza razão para a sua própria sobrevivência".

Vasco Pulido Valente, in Público, 29.4.06

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