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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

LER OS OUTROS

João Gonçalves 22 Abr 06

Vale a pena, por ser insuspeito, seguir as sugestões de Vital Moreira sobre "medidas para reduzir o défice das contas públicas" no Causa Nossa. A primeira - estabelecer um limite máximo para as pensões de reforma - é de elementar equidade. Algumas das reformas mais ou menos milionárias que foram recentemente divulgadas pelos media resultaram não exactamente dos "descontos" efectuados ao longo da vida profissional pelos respectivos beneficiários e ex-funcionários, mas antes da circunstância de terem terminado a carreira em determinados lugares que lhes trouxeram automaticamente um acréscimo salarial repercutido na pensão de reforma (p.ex. um técnico superior de 1ª ou de 2ª classe da carreira normal que se aposente como sudirector geral ou director geral, ou alguém de uma carreira especial que se reforme num cargo público para que foi nomeado em comissão de serviço e que lhe conferia determinado suplemento remuneratório sobre o vencimento-base). São os impostos dos "activos" que pagam este "excesso", como bem lembra V. Moreira.

SE UM VIAJANTE NUMA TARDE DE CHUVA

João Gonçalves 22 Abr 06


Tive a pachorra de ler não sei quantos jornais e páginas "culturais", do dia e atrasados. Sobre as "culturais", não vale sequer a pena "bater no ceguinho". O Actual, do Expresso, é um imenso empadão mais ou menos familiar que se folheia em cinco minutos. Escapam as palavras, não sei se quinzenais ou mensais, do Joaquim Manuel Magalhães. O Mil Folhas do Público é mais aceitável, talvez por ser mais pequeno e "directo". De vez em quando embarca em estopadas como a presente entrevista a António Tabucchi, um "campeão" na luta anti-Berlusconi, alguém cujos livros já gostei mais. O do Diário de Notícias é maneirinho, caseiro e tem a crédito as crónicas de Mario Vargas Llosa. Noutra "vertente", o Economia, também do Expresso, vale hoje por uma citação, tirada do DN, de Manuela Arcanjo, ex-ministra da Saúde de Guterres e ex-secretária de Estado do Orçamento, que diz o seguinte do actual governo: "O que muito sinceramente me desagrada é sentir que a acção do governo supôe que os cidadãos/eleitores podem ser tratados como consumidores de sabonetes! Não é preciso pensar, basta comprar". Isto resume bem a ideia com que fiquei da abundante leitura das notícias, crónicas e comentários sobre a pátria política. Parece que o país começa a estar desconfiado. A palavra "pânico" - em má hora utilizada pelo dr. Teixeira dos Santos precisamente para tentar evitar que se entrasse nele - depois de dois ou três relatórios desfavoráveis ao prometido progresso e "crescimento" da nação, denuncia a consciência realmente preocupada do ministro das Finanças. O Paulo Gorjão sintetiza bem a coisa: "Há diversos estados de graça, que se vão perdendo uns atrás dos outros, numa espécie de cadeia de transmissão. Primeiro perde-se uma pequena audiência, que é irrelevante na sua dimensão, mas extremamente importante pelo facto de ser bem informada e de ter acesso aos meios de comunicação. Perdidas as elites, o resto é uma questão de tempo."

A VELINHA

João Gonçalves 22 Abr 06

"Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

O canil regista a impagável coerência editorial de José Manuel Fernandes. Depois de invectivar, num apaixonado artigo na revista Atlântico, os jornalistas que abraçam causas, o director do Inimigo Público decidiu acender uma velinha pelos judeus mortos no ano de mil não sei quantos e troca o passo. Obviamente as causas pró-semitas não estão na lista dos pecados criticáveis. Esses, já se sabia, são só os que dizem respeito a comunas, paneleiros e fufas. Viva o Zé Manel!"

Francisco Trigo de Abreu, in Mau Tempo no Canil

TAMBÉM EU

João Gonçalves 22 Abr 06

"Festa?

Na televisão à noite, na rádio de manhã, nos jornais por todo o lado. Estou farto da Festa da Música. País erudito uma vez por ano."

João Morgado Fernandes, in french kissin'

ÚLTIMA OPORTUNIDADE

João Gonçalves 22 Abr 06

A "lei da paridade" - essa humilhação institucional e democrática das senhoras "políticas" feita com a sua anuência - não passou numa primeira votação na AR. O presidente do parlamento, como lhe competia, deu a lei como chumbada. De imediato a "maioria" estremeceu e, graças ao milagre do "quórum dinâmico" - um conceito a reter e de que iremos ouvir falar ao longo da legislatura - que incluiu o Bloco de Esquerda, a lei lá passou numa nova votação. No espaço de apenas uma semana, a maioria absoluta do PS deu sinais preocupantes da sua irresponsabilidade política e institucional. Não que eu defenda a dita lei, bem pelo contrário. O que eu defendo e tenho o direito a exigir, como cidadão que vota e paga impostos, é que os "meus" deputados cumpram os seus deveres mais elementares, independentemente das matérias em causa. Como se isto não bastasse, Manuel Alegre ergueu-se uma vez mais da sua irrelevância para "avisar", numa entrevista, que Cavaco não é o "comandante supremo do regime". Talvez estivesse na hora de Helena Roseta lhe explicar, numa intermitência de lucidez, que ele perdeu as eleições presidenciais e que o seu milhão de votos não vale absolutamente nada. E que, à medida que o tempo passa pelo regime de que Alegre se supôe subtil guardião, Cavaco Silva tenderá a ser cada vez mais uma referência incontornável. Como se disse e repetiu na campanha, o voto presidencial representava, de certo modo, uma última oportunidade. Cavaco pode já começar a explicar isso no discurso do 25 de Abril.

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