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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

EXEMPLARES

João Gonçalves 21 Abr 06

No momento em que escrevo, está a decorrer o período dentro do qual os deputados que faltaram à sessão de 12 de Abril último têm de apresentar as suas justificações. Nunca é de mais lembrar que, pelo meio da coisa, alguns desses deputados tinham previamente assinado o “livro de presenças” e que, depois, desapareceram no ar. Um deles foi essa singular figura "ética" e modelo de cidadania varonil que é Manuel Alegre. Lembro que existe na AR uma maioria absoluta de um partido que não pôde funcionar porque parte dos seus deputados se havia sumido. Do seu líder de bancada, o improvável Alberto Martins, não se ouviu um murmúrio. Do lado do PSD, o maior partido da oposição, dois terços dos seus representantes pura e simplesmente desapareceram. O chefe parlamentar passou a responsabilidade do ocorrido para os maioritários ao lado que tinham, segundo ele, a obrigação de garantir o quórum para as votações. Os dos restantes mini-partidos pesam pouco nesta pequena história de opereta, embora tivessem aparecido, do lado do PP, várias versões relativas ao ocaso súbito de deputados seus. Não houve cão nem gato que, muito legitimamente, deixasse de apontar o dedo à representação nacional. O regime, meio envergonhado, soltou as rédeas da moralidade política para fustigar, com moderação, os seus pares. Consta que na próxima terça-feira o Presidente da República também irá dar voz à sua preocupação pelos maus costumes democráticos. Como diria o dr. Salazar, está tudo muito bem assim e não podia ser de outra maneira. De facto, é suposto os deputados representarem o país que os elegeu, mesmo sem saber muito bem em quem é que está, em concreto, a votar. Isso tem como consequência imediata a irrelevância da maior parte dos ditos deputados, uma consequência, aliás, que eles levam muito a peito. A “casa da democracia”, como gostam de a apelidar, tem, afinal, telhados de vidro. Todavia não é nada que nos deva espantar. Em certo sentido, os nossos deputados até são exemplares. Eles são o que nós somos e nós somos o que eles são.

(publicado no Independente)

"NÃO SE ESTÁ BEM EM LADO NENHUM

João Gonçalves 21 Abr 06



Não me apetece escrever. "Nunca se está bem em lado nenhum" é o inspirado título da crónica da "Vanessa" (Ana Sá Lopes) no Diário de Notícias de hoje. Infelizmente a versão online prefere, na "opinião", a faladura do dr. Vitorino (que ninguém muito justamente lê) e a dos dois talentosos moços da geração dos 30, J. Miguel Tavares e Pedro Lomba. ASL recorre a dois exemplos literários suicidas que aprecio, Cesare Pavese e Stig Dagerman. "A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer", escrevia Dagerman. Sem ser metafórico, parece-me justa a asserção. Nada, pois, de política apesar de ela prometer. Todavia para isso deve recorrer-se ao nosso Fernão Lopes da blogosfera que anda, por assim dizer, a escrever a "crónica de uma crise anunciada". Depois de o ler, dou razão à Ana Sá Lopes. Não se está bem em lado nenhum.

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