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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A RAZÃO DE RATZINGER

João Gonçalves 19 Abr 06

Passa hoje o primeiro ano do pontificado de Bento XVI. Dir-me-ão que falo demais deste Papa. É bem provável. Gosto de pouca gente e desconfio da natureza humana, como Ratzinger. Talvez por isso o convoque a este blogue tantas vezes. Quando Ratzinger foi escolhido, os "comentários" então produzidos raramente ultrapassaram o patamar da vulgaridade, como se pôde ver num documentário apresentado há pouco pela RTP. Reduzir Ratzinger ao papel de "grande inquisidor" ou a líder espiritual ultra-conservador é uma graçola medíocre e uma leviandade intelectual. Este primeiro ano de pontificado revelou um Papa fiel à tradição da Igreja, seguro nos seus fundamentos e, por consequência, tranquilo no seu diálogo com o mundo "moderno". A encíclica "Deus Caritas Est" é, em letra de forma, a tradução desse propósito. Ratzinger vem em nome da reconciliação da Igreja com o seu próprio "mundo" e com o mundo, não tanto na concepção cosmopolita e "globalizadora" de João Paulo II, mas mediante uma bem madura e pensada estratégia de "pequenos passos". Na homilia que antecedeu o conclave que o elegeu como Sumo Pontífice, Ratzinger afirmou que "estamos a avançar para uma ditadura de relativismo que não reconhece nada como certo e que tem como objectivo central o próprio ego e os próprios desejos". Exigiu uma fé "mais madura" e um combate sem tréguas ao "radicalismo individual" que nos faz "ser criança andando ao sabor de ventos das várias correntes e das várias ideologias". A um ano de distância, nunca Ratzinger teve tanta razão.

O QUE MERECEMOS

João Gonçalves 19 Abr 06

Com o barril de petróleo a chegar aos setenta e quatro dólares, com o FMI a rever em baixa a previsão do nosso crescimento económico - só para falar das maleitas a que convém prestar alguma mísera atenção -, a RTP "oficiosa" abre o Telejornal com a inauguração do casino de Lisboa onde algumas centenas de inúteis e gente de plástico moviam de um lado para o outro a sua frivolidade. Só temos, afinal, o que merecemos.

PEP

João Gonçalves 19 Abr 06

A arte de governar por siglas segue o seu imaginativo e imparável caminho. Pelo Rui Costa Pinto ficamos a saber que existe um PEP, um tal "passaporte electrónico português". Enquanto isto, os outros passaportes, os mais rafeiros, continuam a ser utilizados por esse mundo fora como moeda falsa. É a nossa sina, "em pedaços repartida", como dizia o bardo.

A CONTINUIDADE FUNESTA

João Gonçalves 19 Abr 06

"A insónia remete-nos para fora do espaço dos vivos, para fora da humanidade. Somos excluídos. Afinal, o que é a insónia? Às oito horas da manhã estamos exactamente no mesmo ponto em que estávamos às oito horas da noite. Não há nenhum progresso. Não há mais do que essa imensa noite que ali está. E a vida só é possível através da descontinuidade que o sono proporciona. O desaparecimento do sono cria uma espécie de continuidade funesta."

Cioran

BLANCHOT

João Gonçalves 19 Abr 06


Apetecia-me fazer como Maurice Blanchot. Ser uma posta restante, um apartado, quase ninguém e praticamente tudo.

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