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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

AINDA O S. CARLOS...

João Gonçalves 5 Abr 06

Falou-se aqui do S. Carlos, a propósito de custos que o pobre contribuinte deste jardim de Klingsor tem de suportar, os tais custos, sempre tão pouco falados, que o Estado lhe impõe para pagar o divertimento de um punhado de nefelibatas, mais ou menos beócios, em busca da tão necessária promoção social a que o seu status de neo-ricos obriga.
Esse velho problema «de espremer o ubre da vaca faminta», que Camilo e Eça abordaram com tanta actualidade, parece continuar a não ter solução à vista, pelo menos enquanto não for definido um papel sério a desempenhar por aquele Teatro no âmbito de uma política orçamental efectivamente de rigor, política essa que já não seria de desprezar se o Ministério das Finanças obrigasse quem o «dirige» a não viver acima das suas posses, pondo termo de vez ao pressuposto de «quando acabar o dinheiro, vamos ao Terreiro do Paço buscar mais, que eles dão!»
Já não falo de uma dinâmica e verdadeira política cultural, logo não situacionista, que devia decidir sem ambiguidades se quer que o seu tutelado seja ou não um Teatro de repertório ou de star system, este último modelo tão imprudentemente adoptado desde finais de Oitenta, com as tristes consequências que se conhecem: extinções para cá, perseguições e despedimentos para lá, leis orgânicas por medida para diante, amuos e navalhadas para (e por) trás, enfim, toda uma balbúrdia que só tem aproveitado aos que se sabem mexer bem nas águas estagnadas da incompetência, do compadrio e do vício.
Dito isto, parece pois não escandalizar que em 1994 o custo médio real de um bilhete no S. Carlos se cifrasse em 31. 740$00 (Maria Filomena Mónica, «O Estado e a Cultura» in Europa e Cultura: Seminário Internacional, FCG, 1998) e, em 1997, tivesse ascendido à bela quantia de 95. 000$00. Hoje, volvida uma escassa dezena de anos, adivinhe-se quanto estamos a pagar, todos nós, por um Teatro de cerca de mil lugares, com um cartaz de meia dúzia de óperas, e onde só compra bilhete quem não é da política, quem não vai aos «sítios» certos e quem não tem (ou não quer ter) uma agenda povoada de bonnes adresses.

LER OS OUTROS

João Gonçalves 5 Abr 06

De Helena Matos, "Impressões", no Blasfémias: "Estou bastante impressionado. É uma pessoa de convicções fortes, clarividente e empenhado na busca de soluções", afirmou José Eduardo dos Santos, referindo-se ao chefe do governo português." Este texto do Diário Digital é um produto genuinamente português: após uma breve conversa um dirigente estrangeiro declara-se impressionado com o nosso primeiro-ministro. Nada resiste nesta análise. A começar pelo analisador. Estas palavras ou outras quaisquer proferidas por José Eduardo dos Santos, um dos mais antigos e corruptos ditadores africanos, não são necessariamente boas para o elogiado ou para quem quer que seja."

"I' M DAMAGED"

João Gonçalves 5 Abr 06


Cameron: I’m not expecting you to be someone you’re not.

House: We’re in a restaurant, we’re dressed up, we’re eating. If not small talk, what is there?


Cameron: According to Freud, and I’m paraphrasing, instinct of love toward an object demands a mastery to obtain it, and if a person feels they can’t control the object or feel threatened by it, they act negatively toward it. Like an eighth-grade boy punching a girl.

House: I treat you like garbage, so I must really like you. Given your Freudian theory, what does it mean if I start being nice to you?

Cameron: That you’re getting in touch with your feelings.

House: Hmm. So there’s absolutely nothing I can do to make you think that I don’t like you.

Cameron: Sorry, no. I have one evening with you, one chance, and I don’t want to waste it talking about what wines you like or what movies you hate. I want to know how you feel about me.

House: You live under the delusion that you can fix everything that isn’t perfect. That’s why you married a man who was dying of cancer. You don’t love, you need. And now that your husband is dead, you’re looking for your new charity case. That’s why you’re going out with me. I’m twice your age, I’m not great looking, I’m not charming, I’m not even nice. What I am is what you need. I’m damaged.

ORIGENS

João Gonçalves 5 Abr 06

Tem graça. Eu passo a vida a dizer o mesmo:
"Salazar perguntava o que se há-de fazer dum país que começou com um filho a pôr a ferros a própria mãe."
Agustina Bessa-Luís, "Fama e Segredo na História de Portugal", pré-publicação de uma edição da “Guerra & Paz Editores”, um exclusivo do Abrupto

ASCENSO

João Gonçalves 5 Abr 06

Existe no governo uma criatura à qual ainda não se prestou a devida atenção, salvo honrosas excepções. Falo de Ascenso Simões, secretário de Estado de António Costa e um produto típico do aparelho socialista. Recordo-me de, antes das eleições, ter lido uma sua delirante entrevista ao Independente que me fez pensar como é que um rapaz ainda relativamente novo, conseguia elaborar sobre a vida partidária como um velho cacique local. Eis senão quando o vejo aterrar no governo, não sei bem por que mão, registando aquele momento sublime na tomada de posse em que, envolvido pelos abraços do "peixe graúdo" socialista, o rapaz se emocionou. Estaria ele, já nessa altura, convencido de que não era especialmente vocacionado para aquilo para que o estavam a empossar? Alguém vê, por exemplo, o seu colega José Magalhães, oportunamente formado na boa escola da discrição comunista, a dizer mais do que deve? Cada vez que Ascenso desce à terra, ou seja, quando fala, as coisas baralham-se e alguém tem que vir logo a seguir colocar um módico de ordem. Por causa da taxa de álcool no sangue e da condução, Ascenso aparentemente voou mais alto do que o governo gostaria. Caridosamente, o ministro da Agricultura falou em "desabafo", remetendo Ascenso a um prudente silêncio. O governo é "certinho" demais - estou fundamentalmente a pensar em Sócrates, em mais uma mão cheia de membros do executivo e na propaganda - para ser verdade. Todavia os Ascensos desta vida sempre servem para nos trazer a realidade de volta.

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