Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

SE CONDUZIR, NÃO TOME

João Gonçalves 23 Mar 06

O governo parece apostado em controlar todos os nossos passos. Depois do "cartão único", chega a "regulamentação" do Código da Estrada nazi. Entre outras "novidades", prevê-se "a introdução de testes rápidos na fiscalização de condutores sob efeito de substâncias psicotrópicas". Esses "testes rápidos" - realizados, presume-se, em plena estrada e ao ar livre - são realizados "numa amostra de urina, saliva ou suor e só no caso de ser positivo se submeterá o indivíduo a um exame de confirmação em amostra de sangue". Como uma grande maioria de portugueses consome relaxantes, tranquilizantes e anti-depressivos, entre outras coisas, para suportar a arrogância dos "agentes da autoridade" que adoram vasculhar as nossas viaturas e esconder-se atrás das moitas e das árvores, esta "inovação" promete. O Código da Estrada do dr. Costa, agora "regulamentado", não evita o pior. Os condutores assassinos ou suicidas continuarão impávidos e serenos a matar e a matar-se onde calhar. Eu apenas reclamo o meu direito a tomar os Prozac's ou os Lexotan's que me aprouver sem correr o risco de ser incomodado por uma qualquer brigada policial não só de trânsito como de costumes. Mais vale proibirem-me de mexer no carro. Lá chegaremos.

VIOLÊNCIA

João Gonçalves 23 Mar 06

Isto anda assim: aparentemente calmo mas pronto a disparar à primeira provocação. Este rapaz, por exemplo, tem um bar, uma família e serve café americano na maior tranquilidade. E em apenas hora e meia de filme é capaz de "despachar" dez almas sem pestanejar. É obra.

O "ESTADO DA ARTE"...

João Gonçalves 22 Mar 06

... do dr. Portas visto magnificamente por Fernanda Câncio. Aquilo não "cola" e, de facto, não é preciso dizer mais nada. "mas lá está, ninguém foge à sua natureza, e a de portas não é de grand seigneur, é de puto rebelde com manias. nenhum grande senhor cheio de serenidade e de desprezo pela politiquice seria apanhado a dizer "sei o peso que as minhas palavras têm". aliás, como é óbvio, ninguém cujas palavras tenham de facto peso sente necessidade de o afirmar".

"MODERNIZAR O CASAMENTO"

João Gonçalves 22 Mar 06

O Bloco de Esquerda, que andava moribundo desde a justa sova que Francisco Louçã levou nas presidenciais, decidiu apresentar uma proposta legislativa que altera o divórcio. Segundo o distinto prof. Rosas, importa "modernizar o casamento" e, consequentemente, acabar com ele de uma forma mais expedita. Os bloquistas entendem que basta a "vontade" de um dos cônjuges para, em três meses e com duas conferências matrimoniais, pôr termo ao contrato. Trivialidades como o património comum ou os filhos são tratados em "processos paralelos". De uma forma sucinta, o prof. Rosas resumiu a lógica da coisa: "Uma pessoa casa-se. Chega à conclusão que foi um erro de casting. Pode requerer a dissolução do casamento. Conclui que se enganou, que não está bem, pede o divórcio". Eu não gosto de casamentos, seja com quem for, e julgo que não há maneira de os "modernizar". Todavia parece-me que fazer deles laboratórios para experiências a dois, como propôe o BE, só contribui para desacreditar ainda mais a provecta instituição. Dá ideia que alguém se casa a pensar de imediato em se divorciar quando lhe der na real gana. Mais vale estar quieto.

LER OS OUTROS

João Gonçalves 22 Mar 06

José António Barreiros, "Cobranças duvidosas" . E, no Desfazedor de Rebanhos, a excelente série "Quaresmas".

O PROTESTO

João Gonçalves 22 Mar 06

Os "agricultores portugueses" andam nas ruas a berrar contra o ministro. Quem os ouvir até pode julgar que existe uma coisa chamada "agricultura portuguesa". Acontece que já não existe e há bastante tempo, aliás. A mudança de "paradigma" - uma expressão utilizada agora a torto e a direito para quase tudo - a favor dos serviços e do betão, por um lado, e a pobreza evangélica e desprovida de imaginação dos nossos "agricultores", por outro, transformaram a paisagem e a produção. Depois a Europa e as importações, que é uma coisa que não entra na cabeça dos ditos "agricultores", fizeram o resto. A mediocridade indígena, como de costume, veio ao de cima e agarrou-se, como uma lapa, à "subsídio-dependência", a nacional e a de Bruxelas, ambas pagas generosamente com o dinheiro dos contribuintes. Os "agricultores" esbracejam em nome de um mundo desaparecido e dos euros que garantem a sua irrisória sobrevivência enquanto tal. Ainda ninguém lhes fez o favor de explicar isso.

ALEGRIA NO TRABALHO

João Gonçalves 22 Mar 06

De acordo com o Diário de Notícias, o ministério das Finanças, por e-mail, convidou e depois "desconvidou" os respectivos funcionários a participarem na meia e mini-maratonas de Lisboa do próximo domingo. Aparentemente a coisa não passaria de mero folclore se não se atentasse no teor do "convite" e na "oferta" que o acompanhava. Começa-se por aqueles elogios triviais às virtudes de uma vida saudável, algo que supostamente se adquire pela prática do desporto e que corresponde - repare-se na extrema piroseira terminológica - à "demonstração de vontade de vencer o sedentarismo, de amor à vida e de solidário companheirismo com os milhares de participantes que abraçaram estes mesmos ideais". Encerrada a parte propriamente desportiva da mensagem, o convite passa a tratar da política orçamental do governo ("na política orçamental - "consolidar agora para um futuro melhor" foi o lema que inscrevemos no Orçamento do Estado para 2006 - o esforço de consolidação que estamos a prosseguir é absolutamente necessário para assegurar a boa saúde das nossas finanças públicas no longo prazo") e termina de forma sublime apelando a que os funcionários participem "na 16.ª meia-maratona (ou minimaratona) de Lisboa no dia 26 de Março" exibindo "uma camisola com o dístico "Consolidar agora para um futuro melhor" gentilmente fornecida pelo ministério. Num acesso de bom senso, alguém deve ter reparado que esta "iniciativa" avivava as melhores tradições da ex- FNAT do dr. Salazar, para os mais velhinhos, e da falecida Mocidade Portuguesa, para os mais novos, e acabou com ela. Só no PREC é que ao voluntarioso Vasco Gonçalves ocorreu o "dia de trabalho para a nação", em nome da "revolução". A "alegria no trabalho", associada à propaganda de um regime ou de uma política de um regime, não é própria dos costumes alegadamente democráticos. O recurso ao expediente das camisolas e das corridas para efeitos propagandísticos nada subliminares, não lembra ao careca, como diria o prof. Marcelo. As "campanhas" disto e daquilo, aprendidas nas melhores escolas estalinistas ou maoistas, não resultam em democracia onde os homens não se "mudam" contra a sua vontade, nem por artes mais ou menos circenses. Em democracia, para o bem e para o mal, as coisas são mesmo o que elas são. Não adianta mascarar.

"POEMA"

João Gonçalves 21 Mar 06


Tu estás em mim como eu estive no berço
como a árvore sob a sua crosta
como o navio no fundo do mar

D. FÁTIMA

João Gonçalves 21 Mar 06

Parece que ocorreu mais uma inauguração de uma estrada. Cavaco foi zurzido a torto e a direito, convém rememorar, por ter tido a ousadia de fazer em meia dúzia de anos o que não tinha sido feito em décadas: dotar o país com um módico de auto-estradas que o aproximasse vagamente de si próprio e da Europa. Depois dele, nenhum governo prescindiu dos seus metros ou quilómetros de estradas e de auto-estradas. Desta vez calhou numa zona onde manda a D. Fátima Felgueiras, essa ilustre refractária à justiça e ao PS. Nenhuma destas duas circunstâncias tem impedido a D. Fátima de fazer o que bem lhe apetece, incluindo ganhar eleições contra o seu ex-partido e dizer ao tribunal, sem se rir, que se "esqueceu" do passaporte no Brasil. Esta inauguração teve, por assim dizer, o "picante" de o primeiro-ministro e líder do PS se ter cruzado com a D. Fátima com quem trocou um amistoso e português beijinho. Esta cortesia mútua, acentuada depois por Felgueiras quando se referiu a "projectos" da autarquia que o governo tem apoiado, não traz nenhum mal ao mundo. Se retirarmos às peripécias da D. Fátima o seu fino recorte latino-americano, ficamos com mais uma "autarca-modelo", um daqueles e daquelas que certo país político não se cansa de parir e de "vender". O "processo" de Fátima Felgueiras nada tem de "kafkiano" e tem muito de Pedro Almodovar, por exemplo. Este país consente tudo e não se dá ao respeito. Não temos irremediavelmente vergonha.

DORES

João Gonçalves 21 Mar 06


"John Henry - You take pills.
House - I have pain.
John Henry - Haven't we all?"

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • João Gonçalves

    Primeiro tem de me explicar o que é isso do “desta...

  • s o s

    obviamente nao é culpa do autor ter sido escolhi...

  • Anónimo

    Estou de acordo. Há questões em que cada macaco se...

  • Felgueiras

    Fui soldado PE 2 turno de 1986, estive na recruta ...

  • Octávio dos Santos

    Então António de Araújo foi afastado do Expresso p...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor