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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O PRACE

João Gonçalves 30 Mar 06


Ao primeiro-ministro sobra tempo para, entre outras coisas, sonhar em voz alta. Em apenas uma semana - pode ser que amanhã ainda ocorra alguma surpresa - tivemos o "Simplex" e, agora, o "PRACE", Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado. Convém lembrar a quem pense que há aqui muita originalidade e imaginação que este "PRACE" era um projecto iniciado sob a vigência da dra. Ferreira Leite e que este governo se limitou a concluir, pelo menos no plano das intenções e dos mapas. Até ao final de Junho, se bem percebi, as "reestruturações" terão que estar feitas. É claro que pago para ver, no duplo sentido do termo. Isto é, espero que se concretizem e, como contribuinte, pago-as efectivamente. Às vezes, mas deve ser defeito meu, fico com a sensação de que há por aí demasiada areia para algumas camionetas. Nalguns casos mais valia explicar direitinho que, mais do que "reestruturar", o que está fundamentalmente em causa é o défice. Parte do "Simplex", o "PRACE" e as regras de avaliação dos funcionários públicos, por exemplo, são instrumentos ao serviço do controlo do défice, mais do que propriamente grandes "reformas" estruturais do Estado "a que isto chegou". Como diria a minha padeira, oxalá tudo corra pelo melhor e saudinha é que é preciso.

PARIDADE MISÓGINA

João Gonçalves 30 Mar 06

A lei da paridade vai hoje ser discutida. Este governo, de facto, tem-se revelado a materialização do charme político. Não há nada mais sublime que esta atitude vaporosa de magnificência moral no sentido do engano. Por via de uma lei, pretende-se que a mulher seja integrada na vida política, em massa, para que a igualdade dos sexos suba mais um degrau na escala da conquista e, nesse sentido, calculam-se as mulheres e a sua participação em percentagem. Nada mais laudatório de qualquer capacidade intelectual da criatura feminina. Devem ser interpretações da costela do homem, como Oscar Wilde as fez: My dear boy, no woman is a genious. Women are a decorative sex. They never have anything to say, but they say it charmingly.Women represent the triumph of matter over mind, just as men represent the triumph of mind over morals . Misóginas, e pouco dadas à paridade. Posso sugerir? Criaturas pensantes, chega.

JOGO DA CABRA-CEGA

João Gonçalves 30 Mar 06

Eu não tenho nada contra as "reformas". Aliás, iniciei-me nas coisas públicas ao lado do Manifesto Reformador numa altura em que muitos dos actuais arautos da "modernidade" estavam caladinhos. Digo isto porque vejo os "liberais" e os militantes anti-Estado rebolarem-se de gozo cada vez que se anuncia uma machadada no status quo, sem sequer perceberem o alcance da maior parte dos anúncios. As fusões e as alterações que estão a ser preparadas na orgânica governamental, primeiro, e dos serviços tutelados, depois, não pode ser um mero jogo da cabra-cega. A falada "falência técnica" e financeira da Polícia Judiciária, por um lado, e a "disputa" pela sua tutela, por outro, só têm uma conclusão plausível, o seu progressivo enfraquecimento. É inaceitável que, por causa das vaidades políticas e da crónica falta de dinheiro, se ande a brincar perigosamente aos polícias. Depois não se queixem.

"VENHAM VIVER PARA A AMADORA"

João Gonçalves 30 Mar 06

De José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro. "A retirada de serviços públicos e a sua concentração nos grandes meios populacionais tem a lógica de tornar Portugal num país de Cidades-Estado, mas sem Estado nacional digno desse nome , e certamente sem as suas funções."

IMPRESSIONAR

João Gonçalves 30 Mar 06

Para sobreviver, qualquer povo precisa de ilusão e de um pouco de magia. De vez em quando há circo para o povo - a Expo, o Euro, o Mundial , por exemplo - e, quando não há nada para mostrar, anunciam-se grandes coisas como a OTA, o TGV ou a banda larga. Dia sim, dia não, o governo publicita "medidas" e "investimentos" para a legislatura. Depois da burocracia, foi a vez da ciência vir a ser bafejada com massa graúda, devidamente propalada pelo primeiro-ministro. Eu aplaudo o cuidado posto nestas matérias em vez do tradicional betão. Todavia interrogo-me por que é que simultaneamente a polícia de investigação criminal, a PJ, não consegue executar nem sequer 40% do seu orçamento, para além de outras questiúnculas de partilha de poderes com outras "autoridades". Tudo chegou aparentemente a um ponto em que a própria direcção nacional da PJ pondera demitir-se. Não devemos ter mais olhos que barriga. Se não conseguimos cuidar de assuntos mais comezinhos, como é que nos aventuramos em reluzentes façanhas financeiras que não param de nos impressionar? É só para isso, para impressionar?

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