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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A ALMA DO ESTADO

João Gonçalves 24 Mar 06

Esta semana falou-se mais de função pública e do Estado do que o costume. Desde logo porque parece que está pronto um relatório de uma comissão qualquer que ingenuamente pretende extinguir e fundir serviços públicos e, imagine-se, acabar com uma série de chefias, como se elas se deixassem “morrer” assim, friamente. Depois, num outro estudo, ficou a perceber-se “em teoria” o que já se sabia “na prática”: que os funcionários públicos portugueses foram os que mais poder de compra perderam na zona “euro” quando comparados com os congéneres próximos. Finalmente houve a percepção de que triplicaram os “pensionistas” do Estado com reformas superiores a quatro mil e muitos euros, destacando-se os provenientes da área da Justiça. Passa-se isto tudo no mesmo país das OPA’s e das contra-OPA’S multimilionárias que fazem o ministro que tutela a administração pública rejubilar de “confiança” na economia. Se, afinal, a “reforma” do Estado ficar vagamente pelo caminho, imolando as suas pequenas vítimas mais desprotegidas e menos reivindicativas, e as OPA’s, com a consequente especulação bolsista de resultados sempre duvidosos, também se perderem na bruma dos gabinetes dos banqueiros, então terá havido demasiado ruído por nada. Todavia o governo tem sempre uma consolação, o fantástico “cartão único” do dr. Costa. De uma assentada, o Estado apropria-se da nossa identidade como se se tratasse de um shampoo multiusos. Quatro ou cinco documentos de identificação pessoal são dissolvidos num “chip” que imediatamente nos pôe a nu perante a “autoridade”, qualquer autoridade. Num país de tradição intimidatória e inquisitorial, pouco dado a liberalismos, o democrático “cartão único” não podia vir mais a propósito. Se passar no Parlamento - já que ninguém, a não ser meia dúzia de lunáticos, parece incomodar-se com a sua emergência – tal significa que os nossos deputados não estão muito preocupados em se erguerem das cadeiras por causa das suas e das nossas liberdades. As “reformas” anunciadas no Estado, as contradições na administração pública. os namoros bancários e o cartãozinho mágico, são árvores que não deixam ver a floresta de enganos em que vivemos. Não é por muito se “imaginar” que a economia medra. E, às vezes, é por demasiada “criação” que a liberdade diminui. Venha o Diabo e escolha.

(publicado no Independente)

GRAHAM GREENE

João Gonçalves 24 Mar 06


José António Barreiros não é apenas o advogado da Casa Pia ou do dr. Vale e Azevedo. Também "investiga" e escreve. Gosta de espionagem e das histórias da dita de outras eras, quando Portugal era um ninho para os agentes secretos deste mundo. Descobri aqui e aqui um interessante texto seu sobre Graham Greene. Quem diria.

PAÍS REAL

João Gonçalves 24 Mar 06

"Dois países da antiga Europa de Leste à nossa frente em riqueza por Habitante. Desde 1999, caímos de 14º para 18º lugar na Europa a 25."

in Público

NÃO

João Gonçalves 24 Mar 06

O PS, em matéria de regionalização, vai tentar meter pela janela o que não conseguiu fazer passar pela porta. De acordo com o dr. Junqueiro, uma notablidade do grupo parlamentar socialista, a dita regionalização deverá primeiro "avançar no terreno" - cinco regiões em vez das sete chumbadas em 1998 - e seguidamente referenda-se. Esta decisão original daria depois lugar à figura do "governador civil regional" em substituição dos actuais dezoito, a única ideia razoável desta história. O PS quer à viva força "desforrar-se" dos resultados dos dois únicos referendos realizados até hoje. Em Setembro propôe o do aborto e, pelos vistos, seguir-se-á um outro sobre uma regionalização entretanto posta em prática. O país é pouco mais do que uma pequena caixa de fósforos. Não precisa de mais "divisões" sustentadas por mais burocracia. Assim, para além dos caciques autárquicos, teríamos os suseranos regionais, coisa que só de pensar nela me dá arrepios. Esta ideia manhosa do "faz-se agora" e legitima-se depois é perigosa. Para o PS, naturalmente. Arrisca-se a ficar com o mesmo resultado de há oito anos.

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