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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

DOS JURISCONSULTOS

João Gonçalves 16 Mar 06

Bela citação, esta, de Erasmo, tirada ao Elogio da Loucura pelo Anarca Constipado: "Comecemos pelos jurisconsultos. Julgam-se os primeiros de todos os sábios, e nenhum mortal se admira tanto como eles, quando, tal como Sisifo, rolam continuamente para o alto da montanha um enorme rochedo, que torna a cair, mal chega ao cume - isto é, quando entrelaçam quinhentas ou seiscentas leis umas nas outras, sem se preocuparem se se ligam ou não com os assuntos que estão a tratar, quando amontoam glosas sobre glosas, citações sobre citações, e desta maneira fazem com que o vulgo se convença de que a sua ciência é uma coisa muito difícil."

IT'S THE ECONOMY...

João Gonçalves 16 Mar 06

Ler na Grande Loja, "a análise à execução orçamental - Janeiro e Fevereiro de 2006", de António Durte. O dr. Teixeira dos Santos entende que as OPAS são uma prova de "confiança" na economia nacional e, consequentemente, um excelente sinal. A especulação bolsista também. Com estas contas, são um sinal de quê?

O MUNDO DE CAVACO

João Gonçalves 16 Mar 06


O Paulo Gorjão decidiu comentar "As escolhas de Cavaco", referindo-se quer ao Conselho de Estado, quer à Casa Civil. Que eu me lembre, nunca uma Casa Civil presidencial foi tão badalada como esta. Eanes, Soares e Sampaio tiveram "casas civis" e conselheiros intermitentes, como lhes competia, porém não recordo - à excepção de Eanes, por causa dos célebres discursos "tomba-governos" do 25 de Abril - tanta agitação por causa de meia dúzia de pessoas absolutamente previsíveis. Aqui está-se bem à vontade para falar do assunto, uma vez que este blogue foi empenhadamente "cavaquista" durante a campanha presidencial. Cavaco foi o meu candidato e é o meu presidente. Dito isto, reconheço que o "perfil" da generalidade dos assessores - uma vez que a comunicação social fez e faz o favor de nos explicar continuamente quem são - não faz jus ao propósito abrangente da candidatura. A maior parte foi requisitada ao PSD e ao governo de Durão Barroso, como se Cavaco não conhecesse mais ninguém. Por outro lado, não existe, pelo menos por enquanto, uma assessoria para a cultura e religião, por exemplo. Sei que esta afirmação poderá provocar comentários jocosos. De facto, seria hipócrita se dissesse que é matéria que não me interessa. Interessa. Todavia, como me ensinou Medeiros Ferreira há uns largos anos, há cargos que não se pedem mas que também não se recusam. Mais importante do que isso é reconhecer um património, nesse sector, que foi "herdado" de Soares e de Sampaio e que não conviria alienar da parte do Palácio de Belém. Quanto ao Conselho de Estado, concordo com o Paulo quando aponta o reducionismo da escolha. Não haverá mais mundo para além de Manuela Ferreira Leite ou de Dias Loureiro que actualmente é mais empresário do que político? Em suma, parece-me que Cavaco preferiu a segurança dos seus mais próximos a um desígnio mais arriscado de inovação. É a vida.

NATÁLIA

João Gonçalves 16 Mar 06

Há treze anos desaparecia Natália Correia. Conheci-a no Botequim e em sua casa, na Rodrigues Sampaio, por cima da Smarta. Falámos de livros e dela, uma tarde, a pretexto de qualquer coisa que eu era suposto escrever para o Semanário. Num cadeirão, numa outra sala onde Natália se deslocava com frequência para lhe perguntar se se encontrava bem, estava o marido a ler um policial. Explicou-me o sortilégio do Botequim e no final da conversa deu-me "Uma estátua para Herodes", "confiando-o", como escreveu na dedicatória, à minha "leitura inteligente". Natália levou-me até ao elevador e, sem sobressaltos ou excitações, a nossa conversa revelou-me uma Natália desconhecida, serena e de uma amabilidade inesperada, já que não me conhecia de lado nenhum. Uns anos mais tarde, no Botequim, numa ocasião festiva, o ambiente devolveu-me a Natália feérica e desassombrada que constituía o seu figurino público. Foi, muito tempo depois, precisamente do Botequim que a Natália partiu para a sua morte rápida na madrugada de 16 de Março de 1993. Ei-la no seu "Auto-Retrato":

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.

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