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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

PEQUENOS MONSTROS

João Gonçalves 6 Mar 06

De acordo com um estudo da especialidade, cerca de vinte e seis milhões de criancinhas do espaço da União Europeia serão obesas em 2010. Às gerações devoradores de McDonalds é preciso juntar idêntico consumo de computadores, de jogos de consola e de televisão. A ideia da criatura saudável aparentemente só começa a preocupar os costumes a partir da meia-idade. Os pequenos monstrozinhos sem pescoço podem engordar à fartazana, normalmente com a benção embevecida dos papás, que daí não vem nenhum mal ao mundo. A publicidade também ajuda. Só velhinhos e pré-velhinhos, ou executivos e executivas com ar de idiotas, é que aparecem nos anúncios anti-gorduras, pró-exercício físico e a favor de iogurtes mágicos. Para as "crianças" está reservada toda a espécie indistinta de paraísos. O convite à engorda é inelutável. Doses maciças de chocolates sobre as mais variadas formas bem como de batatas fritas e coca-cola fazem as delícias da solidão infantil e adolescente. Os pais, para manterem o seu "bem-estar", entregam as criancinhas a si mesmas e aos seus fantasmas. Isso troca-se por rebuçados, gelados, hamburgers, um jogo ou um dvd. Há quem chame a isto felicidade, baseado naquela estúpida ideia que associa a felicidade à barriguinha. Não convém preparar uma sociedade de pequenos monstros em todos os sentidos.

SOBRE...

João Gonçalves 6 Mar 06



... isto é mesmo só isto.

SINAIS

João Gonçalves 6 Mar 06

José Sócrates fez uma visita relâmpago à Finlândia. Parece que o propósito consiste em familiarizar-se com as chamadas "boas práticas" - um jargão que por cá é consumido em doses industriais por muita gente sem que se dê pelo efeito - em matéria de escolas. Está-se mesmo a ver o resultado da "importação" das ditas "boas práticas" para as nossas escolas, para os nossos professores e, sobretudo, para as nossas maravilhosas criancinhas. Não importa. Nada como acreditar, seja lá no que for. Acontece que à saída da escola finlandesa perguntaram ao primeiro-ministro o que é que achava da parte da entrevista de Cavaco Silva ao ABC espanhol na qual ele - e bem - declarava morta e enterrada a constituição europeia. Sócrates não se fez rogado em explicitar que qualquer outro passo em frente nesse âmbito tem sempre de ter por base o texto moribundo. Esta "nuance" não deixa de ser interessante. Cavaco não falou de outra coisa na entrevista senão de política externa. Um sinal. E Sócrates, pelos vistos, percebeu e já respondeu. Outro sinal. Isto vai ser mais divertido do que pensávamos. Ainda bem porque andamos demasiado pasmados.

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