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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O DIREITO À IRREVERÊNCIA

João Gonçalves 3 Mar 06

Puede llegar a ocurrir lo mismo algún día en la Europa de Voltaire, la de las luces, la que instauró como un principio básico de la civilización el derecho de crítica, de irreverencia, no sólo ante los gobiernos sino también ante los dioses, la libertad de expresión y la convivencia de diversos credos, costumbres e ideas en una sociedad abierta? Vale la pena preguntárselo, porque, a raíz del escándalo de las viñetas blasfemas, una buena parte de la Europa que disfruta de esa cultura de la libertad ha mostrado una prudencia o desgano en la defensa de lo mejor que tiene y que ha legado al mundo. Parecería que el poder de intimidación del extremismo islamista comienza también a tener efectos estupefacientes en el corazón mismo de la cuna de la democracia. (...) Buena parte del silencio de cierta izquierda ante este asunto se debe a que tiene serias dudas sobre cuál es la opción políticamente correcta en este caso. ¿Echarle la culpa de todo al pasado colonialista y racista del Occidente que por su política de humillación y saqueo de los países musulmanes creó el resentimiento y el odio que hoy se vuelven contra él? ¿Defender las actitudes de los extremistas musulmanes en nombre del multiculturalismo? ¿Demostrar, acogotando la sindéresis, que detrás de todo esto están las torvas garras de los Estados Unidos? ¿O, mejor, evitar pringarse en un asunto tan especioso y replegarse una vez más en lo seguro, lanzando las valientes arengas contra la guerra de Irak y la avidez de la Casa Blanca para apropiarse del codiciable oro negro del ocupado Irak y del pobre Irán que se ve obligado a armarse de armas atómicas para no verse engullido por las trasnacionales? Cuando uno piensa que la izquierda estuvo en Europa en la vanguardia de la lucha por conseguir aquella libertad de expresión y de crítica que hoy día está cuestionada por el fanatismo y la compara con la de nuestros días, dan ganas de llorar.
Mario Vargas Llosa, El Derecho a la irreverencia, La Nacion, traduzido e publicado na "6ª", suplemento do Diário de Notícias

O RIDÍCULO MATA

João Gonçalves 3 Mar 06

Ia escrever sobre a alegada prioridade dada pela nossa Polícia Judiciária ao combate ao terrorismo - uma coisa que nos espreita diariamente da Buraca à Cedofeita - em relação, por exemplo, ao crime económico. Todavia, o José Medeiros Ferreira já disse o essencial.</span>

PORTUGAL DOS PEQUENINOS

João Gonçalves 3 Mar 06


Não bastaram os altos “exemplos” da defunta Alta Autoridade para a Comunicação Social. A mania interventora e regulamentadora que caracteriza um certo “Portugal dos Pequeninos”, comum à ditadura e aos melhores dos democratas, produziu a “Entidade Reguladora para a Comunicação Social, uma espécie de lápis-azul democrático destinado a velar pelos bons costumes, para já, jornalísticos. Também não bastavam os “agentes de autoridade” que temos por aí espalhados atrás das secretárias, dos balcões ou de uma moita, no meio da estrada. Os “novos reguladores” são, de acordo com a lei, “agentes da autoridade”, o que, em linguagem chã, quer dizer que podem “aceder às instalações, equipamentos e serviços” das entidades que estão sujeitas à sua “regulação”, bem como "requisitar documentos para análise e requerer informações escritas” como quaisquer outros agentes de investigação criminal ou vasculhadores de veículos em circulação. E para estas meritórias funções nem sequer é preciso um mandado judicial. A “Entidade” é, nesta matéria, um “deus ex machina” que pode irromper em qualquer altura na redacção de um jornal, de uma rádio ou de uma televisão para “aceder” ao que lhe aprouver ou para “requisitar” o que lhe apetecer. O país, entediado pelos milhões prometidos pelo “plano tecnológico”, pela OTA ou pelo TGV, não dá praticamente por nada. Até Jorge Sampaio não parece muito incomodado com este sibilino ataque à liberdade de imprensa – é sempre por onde se começa – e o amável dr. Santos Silva, que via “golpes de estado constititucionais” a espreitar por detrás de Cavaco Silva, é tão-somente o ministro socialista da tutela e o “pai espiritual” desta “Entidade Reguladora” destinada, pelos vistos, a evitar a famosa “licenciosidade”, um jargão introduzido noutro contexto pelo seu inspirado colega dos Negócios Estrangeiros. Os partidos nunca souberam lidar convenientemente com a comunicação social e sempre oscilaram entre o temor reverencial e o controlo abstruso. O poder aprecia vigiar. Hoje os jornalistas. Amanhã nós.
(publicado no Independente)

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