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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

ATLÂNTICO

João Gonçalves 27 Fev 06


Comprei e fui ler, bem mandado pelo Steiner, para um café. Ficaram lidas as duas prosas de Maria de Fátima Bonifácio, um excelente "obituário político" do "soarismo" (a ele voltarei) e uma outra sobre "costumes", a de Filomena Mónica sobre a ausência de Deus na vida dela (e só Deus sabe como ela tem andado às voltas com a sua "identidade"), a de Constança Cunha e Sá que termina com a sua chegada à blogosfera e a de José Manuel Fernandes. Há muito mais (a Carla, por exemplo, disserta sobre blogues), naturalmente, para ler aos bocados. De qualquer forma, era só para dizer que vale a pena.

CONTINUAR A FALAR

João Gonçalves 27 Fev 06


Não é preciso ler Habermas ou Paul Ricoeur para saber em que é que consiste a "normativização" ou a "regulação" dos "costumes" e da "vida" ou, mais do que isso, até onde se pretende chegar com o exercício. Os "reguladores" raramente possuem a noção do "justo" tal como Ricoeur, por exemplo, a enuncia. Não me debrucei o suficiente sobre a nova Entidade Reguladora para a Comunicação Social para escrever como a Constança. Todavia, como confio mais nela do que em qualquer coisa destinada a "regular" seja o que for - por natureza, sou alérgico, como já o era em relação à defunta Alta Autoridade -, dou por estabelecidas duas ou três coisas graves que nem as falinhas mansas do dr. Santos Silva chegam para disfarçar. Estão todas bem evidenciadas no texto da Constança. E estou à vontade. Sempre fui dos que não simpatizam com o temor, tantas vezes reverencial, com que se olha para a classe jornalística. Só que agora a coisa é outra e mais séria. E aí entra isto, nas palavras da Constança: "seria ainda melhor ver o que vamos fazer nós – e quando digo “nós” não estou a referir-me apenas aos jornalistas." Cá estaremos para ver. Eu não sou dado a pieguices deste género, mas lembrei-me das palavras do padre alemão Martin Niemöeller, que Brecht imortalizou, e que convém obviamente "descontextualizar", salvo na parte em que é importante que alguém continue a falar:
"Primeiro, vieram buscar os comunistas.
Não disse nada, pois não era comunista.
Depois, vieram buscar os judeus.
Nada disse, pois não era judeu.
Em seguida foi a vez dos operários, membros dos sindicatos.
Continuei em silêncio, pois não era sindicalizado.
Mais tarde levaram os católicos.
Nem uma palavra pronunciei, pois sou protestante.
Agora, vieram buscar-me.
E, quando isso aconteceu, não havia mais ninguém para falar."

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