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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

CRÓNICA DA VIDA QUE PASSA

João Gonçalves 24 Jan 06


"Às vezes, quando penso nos homens célebres, sinto por eles toda a tristeza da celebridade. A celebridade é um plebeismo. Por isso deve ferir uma alma delicada. É um plebeismo porque estar em evidência, ser olhado por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças. O homem que se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as paredes da sua vida doméstica; é sempre como se fosse excessivo o seu traje; e aquelas suas mínimas acções - ridiculamente humanas às vezes - que ele quereria invisíveis, coa-as a lente da celebridade para espectaculosas pequenezes, com cuja evidência a sua alma se estraga ou se enfastia. É preciso ser muito grosseiro para se poder ser célebre à vontade. Depois, além dum plebeismo, a celebridade é uma contradição. Parecendo que dá valor e força às criaturas, apenas as desvaloriza e as enfraquece. Um homem de génio desconhecido pode gozar a volúpia suave do contraste entre a sua obscuridade e o seu génio; e pode, pensando que seria célebre se quisesse, medir o seu valor com a sua melhor medida, que é ele-próprio. Mas, uma vez conhecido, não está mais na sua mão reverter à obscuridade. A celebridade é irreparável. Dela como do tempo, ninguém torna atrás ou se desdiz. E é por isto que a celebridade é uma fraqueza também. Todo o homem que merece ser célebre sabe que não vale a pena sê-lo. Deixar-se ser célebre é uma fraqueza, uma concessão ao baixo-instinto, feminino ou selvagem, de querer dar nas vistas e nos ouvidos. Penso às vezes nisto coloridamente. E aquela frase de que "homem de génio desconhecido" é o mais belo de todos os destinos, torna-se-me inegável; parece-me que esse é não só o mais belo, mas o maior dos destinos. Diz-se que os herméticos da Rosa-Cruz, seita esotérica e magista, descobriram, desde o início dos tempos, o segredo da vida-eterna, o elixir da vida; que, nunca morrendo, passam de época em época, através dos ciclos e das civilizações, despercebidos, nenhuns e, contudo, pela grandeza da cousa transcendental que criaram, maiores do que os génios todos da evidência humana. Da sua seita é o preceito, que cumprem, de se não darem nunca a conhecer. A sua presença eterna, que vive à margem da nossa transiência, vive também fora da nossa pequenez. Vão-se-me os olhos da alma nessas figuras supostas - e quem sabe a que ponto reais? - que, verdadeiramente, realizam o supremo destino do homem: o máximo do poder no mínimo da exibição; o mínimo da exibição, por certo, por terem o máximo do poder. O sentido das suas vidas é divino e longínquo. Apraz-me crer que eles existam para que possa pensar nobremente da humanidade.

Fernando Pessoa, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação

"WISH WE HADN'T"

João Gonçalves 24 Jan 06


"It’s impossible to grasp just how powerful love is. It can sustain us through trying times or motivate us to make extraordinary sacrifices. It can force decent men to commit the darkest deeds or compel ordinary women to search for hidden truths. And long after we’re gone, love remains burned into our memories. We all search for love, but some of us, after we found it, wish we hadn’t."

MEA CULPA

João Gonçalves 24 Jan 06


A quente, "malhei" outro dia no Diário de Notícias. Não gostei de algumas reportagens de campanha e de crónicas repetitivas do argumentário tradicional contra Cavaco Silva. Também não apreciei o ostracismo a que a candidatura vencedora votou o jornal durante a campanha. Há contas do rosário que eu não conheço. Dito isto, e lembrando-me que no jornal trabalham ou trabalharam meus conhecidos e amigos (o Eurico de Barros e o António Valdemar) e outros que eu gostaria de conhecer e cujo trabalho estimo (o João Morgado Fernandes), "amigos como dantes, quartel-general em Abrantes". "She is looking at you, kid".

LER

João Gonçalves 24 Jan 06

"Como não assumir a derrota em dez lições" , de Paulo Pinto Mascarenhas.

AS COISAS SÃO O QUE SÃO

João Gonçalves 24 Jan 06


"Pero hay más; según el último Eurostat, Portugal es el país más desigual de la UE. En 2003, la comparación entre la renta acumulada por el 20% más rico y el 20% más pobre daba una ratio de 7,4, es decir: los más pudientes ingresaron 7,4 veces más que los más necesitados. La cifra es idéntica a la de 1995, cuando acabó la década del Gobierno Cavaco. Hoy, en las cien mayores fortunas de Portugal se mezclan las históricas familias lisboetas, asociadas a la época salazarista (Champalimaud, Espírito Santo, Mello, Monteiro de Barros o Queiroz Pereira), con las nuevas fortunas surgidas tras la Revolución de Abril, entre las que destacan los empresarios norteños Belmiro de Acevedo y Américo Amorim. Entre unos y otros tienen 22.500 millones de euros, es decir, el 17,6% de la riqueza nacional. Pero si el viajero sale de los centros urbanos, deja atrás los campos de golf y recorre las periferias o el interior rural del país, la cosa cambia. Ahí el dinero es como si no existiera. La barriada gitana de São João de Deus en Oporto recuerda más a la favela de Río que a las afueras de cualquier ciudad europea. Y en el deprimido y bellísimo campo, al que, eso sí, se llega por espléndidas autopistas de peaje (de la era de Cavaco en el Gobierno), miles de hombres se siguen viendo obligados a emigrar a los núcleos urbanos o a la vecina España."

El Pais, suplemento de domingo, dia 22

A BEAUTIFUL CHILD

João Gonçalves 24 Jan 06


A rádio proporcionou-me, logo pela fresquinha, Rachmaninov e o seu concerto nº 2 para piano e orquestra. É uma peça recorrente nos programas de música dita clássica, mas é também a lembrança de um filme famoso de Billy Wilder, Seven Year Itch. Nele aparece Marilyn Monroe, a desconcertante vizinha de um bom marido e honesto pai de família, apanhado sozinho em casa, e que não resiste à "comichão" supostamente ocorrida nos anos sétimos dos casamentos e que o obriga a prestar mais atenção ao "pecado que mora ao lado". À saída de um cinema, dá-se a célebre cena ilustrada aqui ao lado. Um ar fresco que vinha do metro e um calor que vinha do corpo. Do corpo eterno e malogrado de Monroe, essa "beautiful child" de que falava Truman Capote.

COMO...

João Gonçalves 24 Jan 06

... é que eu não me lembrei deste?

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