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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

PRESIDENTE CAVACO

João Gonçalves 22 Jan 06


Não fui festejar. Há dez anos, quando Cavaco perdeu, estive no Meridien e apertei-lhe vigorosamente a mão. Lembro-me que chuviscava e retenho a imagem final: Cavaco a despedir-se dos seguranças que o acompanharam na campanha e a subir as escadas de sua casa. Dez anos depois, Aníbal Cavaco Silva desceu de novo essas escadas, porém como presidente eleito de Portugal. A sua eleição tem também um significado pedagógico importante. Cavaco sofreu uma derrota e não desistiu. Esperou metodicamente por esta vitória. É curioso que tenha sido um homem da não esquerda a dar este exemplo de paciência democrática. Por outro lado, pôs-se um termo à falaciosa e fantasiosa ideia de que determinadas funções de Estado têm donos. Não têm. Têm eleitos. Finalmente, houve muita gente, muitos preconceitos e muitas vaidades derrotados nesta breve noite eleitoral. A eles iremos depois. Só uma nota final relativamente "às décimas". Numa eleição presidencial, perde-se ou ganha-se absolutamente. Cavaco ganhou absolutamente. Todos os outros cinco perderam absolutamente.

DEZ ANOS DEPOIS

João Gonçalves 22 Jan 06


Valeu a pena esperar. Está quase.

LER

João Gonçalves 22 Jan 06

O Tiago, para sua felicidade, encontra-se em Marselha e de lá fornece-nos um "sumário" do que a imprensa autócne pensa do acto eleitoral em curso no nosso cantinho suave.

LES FLEURS DU MAL

João Gonçalves 22 Jan 06

"O mal já está obviamente a ser atribuído ao país. O país "que confunde progresso, e modernidade, com jipes topo de gama" (Da Literatura); o país dos "broeiros" (Natureza do Mal); o país que bebeu demais : "A embriaguez ou a excitação do momento podem levar um homem a acordar ao lado de alguém que, sem o benefício da maquilhagem, se revela um susto para o parceiro que entretanto recuperou a sobriedade." (JPC no Super Mário); o país que não percebe a "grandeza" e o mérito de "estar fora do tempo" (CCS no Espectro); o país em que "a grandeza acaba assassinada pelos seus pares" e o "tempo (...) é medíocre, os punhais brilham na sombra de César" (CFA no Expresso) e muitas, muitas outras páginas sobre o mesquinho, ignorante, ingrato, desmemoriado, masoquista, kitsch, traiçoeiro, rasteiro, e vil acto que os portugueses vão praticar hoje ou daqui a um mês."

in ABRUPTO

A CANETA NO PAPEL

João Gonçalves 22 Jan 06

O João votou assim.

EXPRESS YOURSELF

João Gonçalves 22 Jan 06




Mexa-se. Exprima-se. Vote.

CAVACO PRESIDENTE

João Gonçalves 22 Jan 06


Julgo não estar enganado quando pressinto que o país se inclina, de novo, para Cavaco Silva. Não por causa do "providencialismo" que lhe é atribuído maliciosamente pelo jacobinismo empoeirado de uns e pelo "nacionalismo" patético de outros, ou pelo estatuto de "regedor ditatorial" que lhe é colado pelas candidaturas tribunícias. E muito menos, porque o argumento é rídiculo, por ser "professor de finanças". O "regime", se não se regenerar, afunda-se, mais tarde ou mais cedo, nas suas trapalhadas e na sua venalidade. Restaurar com sensatez a sua autoridade, sem pôr em causa a "natureza das coisas", é a tarefa mais nobre do próximo PR. Não é preciso ser "presidencialista" para achar que não é com magistraturas "monárquico-republicanas", requentadas com discursatas redondas e vazias, que "isto" lá vai. Cavaco não virá para a "desforra", como se insinua maliciosamente, e o país sabe-o. Sócrates tem um mandato claro que o obriga a ser mais clarividente do que tem sido. Ninguém mais do que Cavaco Silva aprecia a "estabilidade" para que se possa fazer alguma coisa. É só seguir em frente.

"O FADO DA SINA"

João Gonçalves 22 Jan 06


O Amigo da Música, o José Nuno Martins, dedicou o programa de hoje ao fado. Amália, Marceneiro, D. Maria Teresa de Noronha, Fernando Farinha ou Carlos Ramos passaram. Mas foi o "Fado da Sina" da Hermínia Silva, numa gravação do 1980, no Teatro São Luiz, que me chamou a atenção. Pode ouvir-se através desta ligação.

VICTOR, VICTORIA

João Gonçalves 22 Jan 06


À semelhança da Constança, também lido mal com o presente. Apeteceu-me iniciar a madrugada deste domingo "especial" com a revisitação de um filme de 1982, Victor/Victoria, de Blake Edwards, que me diverte às escâncaras. Julie Andrews e um genial Robert Preston foram os meus companheiros desta noite, pela enésima vez. A primeira ocorreu há muitos anos, no defunto São Jorge, numa inesperada tarde de sábado com o José Ribeiro da Fonte, o João Carneiro e porventura o Luis Madureira. Tudo isso acabou e o Zé já nem sequer cá está há quase dez anos. Não, mas não era disto que eu queria falar. Todavia acordei assim, "victor, victoria", bipolar como hoje se diz.

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