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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

ESTILOS

João Gonçalves 15 Jan 06

"Expresso - Admite fazer, como Mário Soares, um congresso "Portugal, que futuro?"
Cavaco Silva - De certeza que não vou organizar nenhum congresso "Portugal, que futuro?". Nunca farei actuações para fragilizar quer os partidos políticos quer o Governo.
Expresso - Aceitaria receber algum grupo que estivesse em conflito com o Governo?
Cavaco Silva - Nunca utilizarei audiências para fragilizar o Governo."

HÁ...

João Gonçalves 15 Jan 06

... um inesperado "retrato" do evangelista Louçã no Abrupto que vale a pena ler: "Um mau "Gato Fedorento" - Louçã e a "stand-up comedy".

ALGUÉM ACREDITA NISSO?

João Gonçalves 15 Jan 06

O dr. Augusto Santos Silva, do governo e do PS, acompanhou em Vila Real o dr. Soares. É um homem amável que, noutras funções, conheci. Lá foi cumprir o papel do bonzo numa sessão de campanha do seu candidato oficial. Todavia não resistiu a uma tirada melodramática contra Cavaco, mencionado como o "candidato da direita". Disse que ele propunha "golpes de estado constitucionais" e que não se trata de "uma segunda volta das eleições legislativas". Isto tudo, suponho, para "agarrar" o eleitorado que deu a maioria absoluta ao seu partido. Sucede - e Augusto Santos Silva sabe isso tão bem como eu - que a maturidade eleitoral dos portugueses, a mesma que varreu Santana Lopes de cena e que elegeu Sócrates para ser o que ele efectivamente é - um moderado social-democrata -, não se assusta com este tremendismo de última hora. Manuel Alegre, por seu lado, dos precários degraus da sua fugaz superioridade estatística face a Soares, não dá seis meses, seis, para que Cavaco não conflitue com Sócrates. A análise política não é o forte de Alegre, muito menos a subtileza. Esta diabolização de Cavaco, em que Alegre surge como aderente da 25ª hora por causa da mítica "segunda volta" e das migalhas que vai colhendo nas sondagens, cheira a falsa e vale o que vale, ou seja, nada. Alguém, de boa fé e no seu perfeito juízo, pode olhar para Cavaco Silva e ver inscrita na sua fronte a palavra "instabilidade"? Alguém acredita nisso?

"GENTE QUE VAI VOTAR NO ANÍBAL"

João Gonçalves 15 Jan 06


Vamos ver se eu consigo reconstituir a "cadeia" para lá chegar. Por causa do Francisco, fui ter à Isabel que por sua vez me levou ao Hardblog. Tudo isto para sugerir que se leia, com atenção, este texto:

"Sei de rapaziada, uns inconscientes com certeza, a quem já podemos chamar de trintões, que pela primeira vez na vida vai votar com toda a convicção. Por uma vez não é o voto de protesto, não é um voto no mal menor. É o voto que foram desejando protagonizar à medida que iam crescendo com O Independente religiosamente às sextas-feiras sobre a mesa do café com o respectivo baldanço à aula de geografia do 10ºano. Entre os primeiros cigarros e as últimas tacadas de snooker viveram um tempos que os marcou. Foram a primeira geração que viveu a democracia plena. Normalizada. Que ainda se lembravam das discussões domésticas sobre a escalada vertiginosa das taxas de juro e a necessária intervenção do FMI, ao tempo do Bloco Central, (a que nunca acharam muita graça pois diminuía os níveis de pancadaria na classe). Lia-se Miguel Esteves Cardoso e achava-se piada às coisas do eixo Manchester-Guincho-Carrazeda de Ansiães. Paulo Portas fazia estragos no governo, tratava do acessório enquanto o essencial era a descida da inflação e o acesso à “Europa”. Vasco Pulido Valente cilindrava a Picareta Falante. Os primeiros rasgos de modernidade, os BMW’s do Fundo Social Europeu, as primeiras mamas na televisão nacional e o fim dos inenarráveis programas culturais da matinèes televisivas. Gente que para quem o suplemento Olá do Semanário era leitura de sanita. E a revista Bravo trazia o último som do mundo desenvolvida - e os respectivos posters. Que daí a pouco tempo descobriria os Smiths e o New Musical Express. Há uma geração que nunca ficou entusiasmada com o Guterres - a Picareta Falante - não mais que uma emanação de um conspirativo sótão de Algés. Para quem Marques Mendes mais não era (é) que um apagado oportunista sem rasgo e membro do Grupo da Sueca. Gente que se riu às lágrimas pelas lágrimas sulistas-elitistas-e-liberais do Menezes em pleno Coliseu. Gente que ainda se ria com as Noites da Má Língua, (que parva aquela Rita Blanco). Que conheceu a Europa pelo inter-rail e viu a primeira MTV e que um dia até achou que a Catarina Furtado era uma bonita rapariga. Gente que acompanhou José Rodrigues dos Santos nos voos cirúrgicos dos F-16 em Fevereiro de 1991 no início da primeira Guerra do Golfo. E nos dias seguintes nas páginas do Público. Gente que ficou emocionada com o a queda do muro de Berlim e para quem o vai-e-vém lançado da Florida era o futuro hoje. E que até concordou com o Vicente Jorge Silva que os chamou Geração Rasca. Gente a quem diziam que os propósitos eleitorais e intenções de voto se manifestava dentro de uma parcela populacional mais rural do que urbana, mais rústica que sofisticada. Gente que jamais compraria um automóvel aos Jorges Coelhos, aos Santanas, aos Torres Couto. Gente que ainda hoje não percebe porque é que os supermercados fecham ao Domingo. Gente, como este que abaixo assina, que vai votar no Aníbal. E há os outros, claro, os que baixaram as calças numa manifestação anti-PGA. É a pré-história da democracia. E a história de algumas vidas."

COMA

João Gonçalves 15 Jan 06


"E o D. Maria continua no seu coma secular, soturno e vazio, à espera de uma dramaturgia portuguesa ou que os portugueses se comovam com uma dramaturgia americana ou inglesa, que ignora a sociedade em que vivem e não lhes diz, directamente, seja o que for."

Vasco Pulido Valente, Público, 15.1.06

JEITO

João Gonçalves 15 Jan 06

... os dois posts de Constança Cunha e Sá intitulados "Falta de jeito?":
"Com Cavaco Silva não há estados de alma, nem improvisos de última hora. Há um programa que tem que ser rigorosamente cumprido. E que, diga-se o que se disser, com ou sem "agenda escondida", está a ser rigorosamente cumprido. Quem o acompanhou, no passado, sabe que Cavaco Silva não deixa nada ao acaso. E que, ao contrário do que dizem, é um profissional em campanhas eleitorais. A pretensa "desenvoltura" de que agora dá mostras só espanta quem não tem memória e não se lembra da "desenvoltura" exibida nos bons tempos do cavaquismo. Vamos ver o que nos espera esta semana. Sabendo, à partida, que nos espera a apoteose final."

LUCIDEZ

João Gonçalves 15 Jan 06

"Já fui presidente dez anos e isso basta."
Mário Soares, num comício em Vila Real de Trás-os-Montes

THE SOUND OF MUSIC

João Gonçalves 15 Jan 06


Recorri à Carla que por vez me remeteu para a Sofia e consegui instalar som neste blogue, até aqui surdo-mudo. Não levem a mal, mas para "testar" a coisa pus a Katia Guerreiro a cantar. Depois mudo.

APARIÇÃO

João Gonçalves 15 Jan 06

Medeiros Ferreira, na "estreita curva final desta campanha", vê abrirem-se "horizontes mais largos" para o "povo de esquerda que se tem escondido das sondagens". Esta visão, um híbrido entre o misticismo tardio do dr. Soares e os "amanhãs-que-ainda-podem-cantar" comum a todas as candidaturas da "esquerda", assenta na frequência dos últimos comícios de Soares e de Jerónimo de Sousa. Se fossemos por aí, Jerónimo já era o campeão desta maçadora campanha. Acontece que nem ele, nem nenhum dos outros três, a começar por Soares, o são. Por uma razão muito simples. O "povo de esquerda", de que certas elites se imaginam donas perpétuas, dilui-se nesta eleição por vários candidatos, Cavaco incluído. Uma das coisas estimulantes que tem a candidatura de Cavaco Silva é justamente acabar com esta mitologia arcaica e ressabiada. Tem, pois, razão MF quando escreve que o "povo de esquerda" está a aparecer. Todavia - e, quase no fim, ainda não perceberam o que é que está a acontecer - parece que está a "aparecer" onde, de acordo com o cânone, não convinha que aparecesse. É a vida.

LER...

João Gonçalves 15 Jan 06

... em O Acidental, Henrique Raposo, "A arrogância esquerdista e a brigada da birra" : "Mas o pior chegará na noite de 22. Vai ser um festival de birra. Vão falar de uma investida obscura, de conspiração jornalística. Vão dizer que o povo foi enganado. Outra velha arma: o povo, quando não escolhe a esquerda, vive em “falsa consciência”. A boa consciência, a consciência genuína só aparece quando a esquerda vence.A campanha não serviu para nada, diz-se. Discordo. Serviu para revelar que a Democracia é uma ameaça para a patrulha da birra ideológica."

TRANSUMÂNCIA

João Gonçalves 15 Jan 06


O Paulo Gorjão lamenta a transumância de Miguel Sousa Tavares do Público para a "bíblia" do regime, o Expresso. Uma das consequências, diz o Paulo, é a diluição das prosas de MST no meio de tantas outras espalhadas pelos mil cadernos do instrutivo hebdomadário. Outra, é Sousa Tavares poder ser menos citado na blogosfera. Que não seja por isso. Com a licença de Bruno Ventana, e a exactamente uma semana de elegermos o novo Chefe do Estado, aqui fica um pedaço da crónica do último sábado:
"... o desfecho eleitoral do dia 22 vai ser o mesmo que já se adivinhava há três meses, há seis meses, há um ano ou há dez anos: Cavaco Silva ganha. E ganha à primeira volta - o que significa que vai ter, não só os votos do centro e da direita, mas também parte dos votos de esquerda: talvez um terço dos votos socialistas e outro tanto dos votos comunistas."

LER...

João Gonçalves 15 Jan 06


... "Vingar António Ferro", de Eduardo Pitta: "A França teve Jack Lang? Pois teve. Tempos houve em que teve Malraux. Mas a França, com o ser rica, tem la langue. E tem, teve sempre, vocação dirigista. É isso que queremos? Um pavão nos jardins da Ajuda? Ou, simplesmente, vingar António Ferro?"

GAIVOTA

João Gonçalves 15 Jan 06


Hoje acordei assim, ao som de Alain Oulman, Alexandre O'Neill e Amália Rodrigues, no "Amigo da Música", de José Nuno Martins. Como o blogue é surdo-mudo, porém à espera de melhores dias, fica apenas a letra.

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

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