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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

SÓCRATES VISTO POR SOARES

João Gonçalves 5 Jan 06

O dr. Soares deu uma entrevista ao DN. Passei por cima dos clichés sobre Cavaco e sobre o umbiguismo do candidato. Há, no entanto, uma parte da entrevista à qual convém prestar alguma atenção. É justamente quando ele se refere a José Sócrates, primeiro-ministro e secretário-geral do PS. Passo a citar. "Porque é que é tão importante a presença de Sócrates na sua campanha? Não achava isso importante nem deixava de ser importante. Eu gostaria que o secretário-geral do PS estivesse com o candidato que o PS apoia. Mas percebo lindamente que o primeiro-ministro tenha que se resguardar em relação ao futuro. O senhor acusou Sócrates, há pouco mais de um ano, de ser um "neo-revisionista" e não ser de esquerda. Continua a pensar o mesmo? Eu enganei-me em algumas apreciações que fiz sobre José Sócrates, quando ele se apresentou à liderança do PS. Eu não o conhecia bem e enganei-me em algumas coisas e menosprezei algumas grandes qualidades que ele tem." Dito de outra forma, Soares continua a desconfiar de Sócrates, como desconfiava quando ele concorreu a secretário-geral do PS. Ao afirmar expressamente que gostava que o líder do PS estivesse "com o candidato que o PS apoia", mas que percebe "lindamente que o primeiro-ministro tenha que se resguardar em relação ao futuro", Soares não esconde a acrimónia com que olha para o "empenho" de Sócrates na sua candidatura. Nem tão-pouco o paternalismo político com que "avalia" o primeiro-ministro. A ironia "soarista" não é filha do acaso. Sócrates não é dado ao folclore e prefere a estabilidade governativa. Isso irrita sobremaneira Mário Soares. As coisas são, de facto, o que são. E não era aos 81 anos que Soares ia mudar.

AMIGOS AO JANTAR

João Gonçalves 5 Jan 06
















Estes quatro bem dispostos são a minha companhia diária ao jantar... enquanto estas quatro "desesperadas" não regressam. Parece que é só em Março.

UM E OUTRO

João Gonçalves 5 Jan 06

Para ler na íntegra no Abrupto:
"DUAS CANDIDATURAS QUE AINDA NÃO POUSARAM: A DE CAVACO E A DE SOARES. Cada uma com o seu dilema, quer a candidatura de Cavaco quer a de Soares têm margens de resultados estreitos e podem perder muito ou ganhar muito no tempo que falta. Cavaco precisa de passar à primeira volta, e isso exige um enorme esforço de mobilização. Não se trata, no seu caso, de ganhar mais votos, mas sim de não perder os que conquistou, principalmente a favor da abstenção. Da capacidade de mobilização do seu eleitorado depende muito a conquista da presidência à primeira volta. Soares, por seu lado, precisa de dar tudo por tudo não só para ultrapassar Alegre, o que parece estar adquirido, mas para obter o mágico número que lhe permitirá ir à segunda volta. E aqui as coisas parecem muito mais complicadas.(...)
SOARES VAI SAIR MAL DESTAS ELEIÇÕES. Mais do que uma dúvida, parece-me uma quase certeza. Soares está a fazer tudo para sair muito mal de uma eventual derrota eleitoral. Está a conduzir uma campanha agressiva, ressabiada, sem dimensão de qualquer tipo, nem de Estado, nem política, nem pessoal. Se perder, será uma derrota entendida como humilhante, que ensombrará o fim da sua carreira política.Mas, a prazo, talvez a derrota que parecerá humilhante agora possa vir a dar uma dimensão trágica à sua vida política. Como Churchill, Soares concorreu à eleição fatal que o fará passar à história com uma imagem de perda e não de glória. No entanto, como Churchill, a prazo, é o seu perfil de político compulsivo, de "animal político" que ganhará uma luz mais humana, mais apaziguada e compreensiva. Os seus muitos defeitos, o muito de negativo que indubitavelmente mostra nesta campanha será episódico, face à imagem que entrará na história, onde ele tem um lugar garantido. Porque esta campanha eleitoral é o fim da carreira política de Mário Soares com uma dimensão de inevitabilidade que nenhum sonoro (e falso) "basta" teria capacidade para dar."
"Da janela do quarto ele vê mais além: uma linha de coqueiros pendurada sobre o mar que ficou amarelado com as chuvas. Mas, se vivesse muitos anos, serio o som do clarinete que recordaria, um som estridente que o levaria a recordar as grandes canções da sua vida, se recordasse as grandes canções e não apenas esse emaranhado de cores das capas dos discos, ou de coisas a preto e branco. E nenhum clarinete foi como aquele, também, o que se ouvia ao começo da noite, entre o cheiro de comida, os ruídos da rua, as gargalhadas do bar na esquina, onde se vendia cerveja Kaiser e aguardente de cana. Nenhuma recordação foi como aquela, o que era bastante triste num homem obrigado a deixar tudo para trás."

O resto - que é muito - é para ser descoberto neste livro, uma das belas surpresas, em português, do ano que findou.

PÉS BEM ASSENTES NA TERRA

João Gonçalves 5 Jan 06

"O Banco de Portugal revelou dados preocupantes sobre o que aconteceu em 2005 e o que pode acontecer em 2006. Por isso mesmo é que não me resigno, não me posso acomodar. Os portugueses querem um Presidente com os pés bem assentes na terra."

Rio Maior, 5.1.06

NEM TUDO É MAU NO FUTEBOL

João Gonçalves 5 Jan 06

Pergunta a jornalista da Antena 1 a um transeunte - aparentemente "benfiquista" - já que estava a "cobrir" a presença de Jerónimo de Sousa no estádio do Benfica: "se tivesse que escolher entre um jogo de futebol e um debate entre candidatos presidenciais, o que é que fazia?" Resposta: "Cavaco Silva".

IMPREPARAÇÕES

João Gonçalves 5 Jan 06

"Jerónimo de Sousa admite passar à segunda volta". Podia ser a laracha do dia. Todavia, nesta entrevista Jerónimo discorre sobre o famoso tema "fracturante" e diz que a sociedade portuguesa "não está ainda preparada" para casamentos entre "same sexers". Eu estou à vontade porque sou alérgico ao instituto jurídico do casamento independemente do sexo dos nubentes. A posição de Jerónimo não me impressiona. Os comunistas não se distinguem particularmente pela subtileza sexual e têm uma queda acentuada para a homofobia. Leiam os três volumes do Cunhal do Pacheco Pereira e percebem instantaneamente do que estou a falar. Por outro lado, dizer que a sociedade "não está ainda preparada" corresponde a um padecimento tradicional dos comunistas, em particular, os portugueses. Em 1989 também não estavam "preparados" para a queda do Muro de Berlim. Apesar desta "impreparação", ele caiu.

A SEGUIR

João Gonçalves 5 Jan 06

Constança Cunha e Sá em O Espectro.

"FONTE DE ENERGIA"

João Gonçalves 5 Jan 06

"Devemos ao presidente da República um respeito sério e atento, mas devemos-lhe críticas severas enquanto cidadãos. Porque ele não é a nossa bandeira. Não é o avô que nos protege das adversidades. Não é a voz consoladora que desculpa erros e deslizes. Um presidente deve ser uma garantia, mais do que um símbolo. Para símbolos bastam-nos a bandeira, o hino, os Jerónimos, a serra da Malcata, a ilha do Corvo, o dicionário da Língua ou o que o nosso afecto nos ditar. Um presidente deve ser fonte de energia, mais do que um risco de alarme permanente ou um homem relativamente amável."

Francisco José Viegas, in JN

CARPE DIEM

João Gonçalves 5 Jan 06

É com este "espírito" que eu gostava de enfrentar um dia depois do outro. Todos os dias acordar assim, mais "von Trapp" do que trapo.

O MEDO

João Gonçalves 5 Jan 06

"Jorge Coelho deixou um aviso aos que pensam que "ficaria bem José Sócrates como primeiro-ministro ser acompanhado por Cavaco Silva como Presidente da República. Pensem bem para não irem em conversas. Pode estar em causa tudo aquilo em que votaram em Fevereiro [nas últimas eleições legislativas] e fazer com que tudo volte para trás." Das duas uma: ou o dr. Jorge Coelho está a tentar ameaçar-me ou não confia no candidato que ele apoia. Em qualquer dos casos, trata-se de medo. E eu não gosto da utilização do medo como "estratégia" de intimidação seja para o que for, muito menos na política.

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