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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

SEGUNDO SILVA

João Gonçalves 4 Out 04

Rui Gomes da Silva é amigo de Santana Lopes e dos íntimos. Esta patriótica circunstância fez dele ministro dos Assuntos Parlamentares em substituição de Luís Marques Mendes, por sinal o único que levou a sério o que andava a fazer. Na dupla qualidade de membro do governo do amigo e de amigo daquele amigo, Gomes da Silva veio defender a mordaça para Marcelo Rebelo de Sousa. Incomodado com a acutilância marcelista, este valente democrata sugeriu já uma intervenção da insigne inutilidade pública que dá pelo nome de Alta Autoridade para a Comunicação Social. Segundo Silva, Marcelo destila o "comentário do ódio" e, sozinho, é pior do que toda a oposição junta. Vai daí, Silva entende que a "desfaçatez" de Marcelo deve ser sumariamente controlada quando não mesmo silenciada, a bem da Nação e deste governo de "coragem" (sic). Silva e Marcelo, embora não pareça, são do mesmo partido, o PPD/PSD. Entre eles, contudo, há uma abissal diferença. Silva comporta-se como um serventuário caciqueiro que naturalmente espera que digam do Chefe aquilo que o Chefe, ou ele, esperam ouvir. Marcelo, infinitamente mais subtil e a milhas de ser uma pura nulidade política, ainda é um homem livre. Este "evangelho segundo Silva" é uma pequena mas significativa demonstração da religião oficial destinada a ungir uma só pessoa. Depois não digam que não avisámos.

O TALÃO

João Gonçalves 4 Out 04

Leio no Portugal Diário que o Eng. º Carmona Rodrigues pretende ver alargados os "poderes" da EMEL para além da área que fiscaliza. A PSP de Lisboa, ainda segundo aquele jornal digital, bem como os sindicatos da polícia, questionam esta "interferência" nos seus poderes de "autoridade". Lembro que a EMEL é uma empresa municipal cujo propósito principal é chatear os automobilistas de Lisboa. A sua face mais visível consiste em umas criaturas vestidas de branco e de verde, com um chapéu verde e uma máquina emissora de talões, que andam por toda a Lisboa a farejar viaturas "mal estacionadas" ou desprovidas de um papelinho que legitime o seu estacionamento num dos mais recônditos "parques" inventados pelo Dr. João Soares. Estas tenebrosas criaturas rivalizam com a polícia e com os "arrumadores" mal encarados na sublime tarefa de manter os automóveis quietinhos e em lugares "adequados". Para a completa perfeição do exercício, foram inventados uns objectos amarelos que se colocam nos automóveis "infractores", paralisando-os, até que cheguem as "autoridades" para os "desbloquear" e receber a conveniente multinha. Os EMEL's cumprem o sempre útil papel de "bufos" de serviço, levando os agentes delicadamente até ao delinquente condutor. Não me apetece perder tempo a estudar o que quer que seja que eventualmente legitime estes poderes discricionários e fascistas que a EMEL exerce sobre o parque automóvel que circula em Lisboa. Como sou terrivelmente urbano e entendo a utilização da viatura como algo instrumental que é suposto facilitar-me a vida sem prejudicar ninguém, incomoda-me saber que o presidente da Câmara gostaria que os seus pequenos tiranos alargassem substantivamente a sua pidesca tarefa ao ponto de rivalizarem com a "autoridade" verdadeiramente policial. Há dias o meu carro, estacionado por instantes numa obscura rua de Lisboa, foi "visitado" por uma tal "Cátia" da EMEL que lhe deixou um amável talão no valor de 150 euros no pára-brisas. Como a dita rua só tem praticamente armazéns e vários lugares disponíveis, suponho que deve ter sido algum "cidadão consciente" da zona quem terá chamado a atenção da diligente "Cátia" para a presença de um intruso nas imediações. É evidente que o intruso, selvagem e perigoso, deu de imediato o merecido destino ao talão da "Cátia". Se porventura eu tivesse tido a sorte de estacionar numa rua de "arrumadores" ou -e há por aí tantas e nos locais mais evidentes- onde as caixas dos talões horários estão convenientemente avariadas, não acontecia nada e a aventura custava-me um euro. Recuso-me por isso a contribuir para a engorda de uma empresa parapolicial como a EMEL, que ataca cobardemente pela calada do dia, sem dar a cara.

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